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Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:

A Herdeira [em Português]
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- Gostaria de falar com a Sra. Walther Gassner. Tenha a bondade de dizer-lhe que é o detetive Lange.

- Sou a Sra. Gassner - disse a mulher.

O detetive Lange conseguiu esconder a sua surpresa. Tinha uma idéia inteiramente diferente da dona de uma casa como aquela.

- Recebemos na polícia ainda há pouco um chamado daqui.

Ela o olhou, com o rosto impassível e desinteressado. Lange tinha a impressão de que estava tratando erradamente do caso, não sabia por quê. Parecia-lhe que não estava levando em conta alguma coisa importante.

- O telefonema foi seu, Sra. Gassner?

- Foi, sim, mas tudo não passou de um engano.

Havia um tom surdo, forçado, na voz da mulher que não lhe agradava, principalmente quando o comparava com o apelo nervoso e angustiado pelo telefone.

- Só para constar dos nossos registros, que espécie de engano, senhora? Houve um instante de pequena hesitação. - Dei por falta de uma de minhas jóias e pensei que tivesse sido roubada. Mas já encontrei a jóia.

O número do telefone de emergência era para casos graves, assaltos, homicídio, agressão. Mas era preciso agir com cuidado.

- Está bem - disse o detetive, com vontade de entrar na casa e ver o que ela estava escondendo, mas nada mais podia fazer. - Muito obrigado, Sra. Gassner.

Desculpe o incômodo.

O detetive ficou frustrado e viu a porta ser fechada em sua cara. Voltou para o carro e foi embora. Atrás da porta, Anna se voltou. Walther disse com voz mansa:

- Saiu-se muito bem, Anna. Agora, vamos voltar lá para cima.

Ele se dirigiu para a escada. Anna pegou uma tesoura grande que levava escondida nas dobras do robe e cravou-a nas costas dele.

Capítulo 28

Roma. Domingo, 4 de novembro. Meio-dia.

Ivo Palazzi pensava que o dia estava prefeito para aquela visita à Villa d'Este, em companhia de Simonetta e das três belas filhas do casal. Enquanto passeava pelos fabulosos jardins do Tivoli, de braço dado com sua mulher, ao ver as meninas que corriam de uma fonte para a outra, ia pensando se Pirro Ligorio, que construíra o parque para a família D'Este, sonhara com a alegria que proporcionaria no futuro a milhões de pessoas.

A Villa D'Este ficava a nordeste de Roma, no alto dos montes Sabinos. Ivo já estivera muitas vezes ali, mas sempre sentia um prazer especial em ficar no ponto mais alto e olhar para as dezenas de fontes luminosas, cada qual artisticamente desenhada e diferente das outras.

Uma vez, Ivo tinha levado até ali Donatella e seus três filhos. Como tinha adorado o passeio! Essa lembrança entristeceu Ivo. Não vira Donatella, nem falara com ela, desde aquela horrível tarde no apartamento. Lembrava-se ainda das tremendas unhadas que recebera dela.

Sabia que remorso ela devia estar sentindo, ao mesmo tempo que desejava a volta dele. Não fazia mal que ela sofresse um pouco, como ele havia sofrido. Imaginava ouvir a voz de Donatella a dizer durante o passeio: "Vamos.

Por aqui, meninos". Ouviu a voz de Donatella tão claramente que chegava a parecer-lhe real. Ouviu-a dizer:

- Ande mais depressa, Francesco!

Voltou-se e viu Donatella atrás dele em companhia dos três filhos, encaminhou-se determinadamente para onde estavam ele, Simonetta e as três meninas. No primeiro momento, Ivo pensou que a presença de Donatella ali nos jardins do Tivoli fosse pura coincidência, mas logo que viu a expressão no rosto dela, ficou sabendo da verdade. A grande putana estava reunindo as duas famílias para arruiná-lo. Agiu então como um alucinado. Gritou para Simonetta:

- Quero mostrar-lhe uma coisa. Vamos andar depressa, todo mundo!

Levou então rapidamente a família pela sinuosa escadaria de pedra abaixo, empurrando quem encontrava no caminho para abrir passagem e de vez em quando lançando olhares desesperados para trás.

Donatella e as crianças já estavam chegando ao alto da escadaria. Ivo sabia que, se os meninos o vissem, tudo estaria perdido. Bastava que um deles gritasse "Papai!" e ele não teria outro remédio senão afogar-se numa das fontes. Apressou Simonetta e as filhas, sem lhes dar oportunidade sequer para respirar.

- Para onde vamos? - perguntou Simonetta. - Porquê esta correria?

- É uma surpresa. Você vai ver - disse Ivo, tentando mostrar-se alegre e despreocupado.

Arriscou outro rápido olhar para trás. Donatella e os três rapazes não estavam visíveis no momento. À frente, havia um labirinto, com um lance de degraus para baixo e outro para cima. Ivo escolheu o último.

- Vamos! - disse ele para as meninas. - Quem chegar primeiro lá em cima ganhará um prêmio!

- Estou exausta, Ivo - disse Simonetta. - Não podemos descansar um instante?

- Descansar? Nem me fale em descansar! Isso estragaria a supressa! Vamos!

Pegou Simonetta pelo braço e arrastou-a pelos degraus acima enquanto as três meninas corriam à frente. Ivo sentiu de repente falta de fôlego e pensou por um momento que seria bem feito para as duas mulheres que ele caísse ali fulminado por um ataque do coração. A verdade era que não se podia confiar nas mulheres. Precisavam obrigá-lo a fazer aquilo? Não o adoravam? Mas ele ia matar aquela cadela! Imaginou estrangular Donatella na cama. Ela estava nua e lhe pedia perdão. Sentiu então desejo ao invés de raiva.

- Não podemos parar agora? - perguntou Simonetta. - Não! Estamos quase chegando! Chegaram de novo ao alto. Ivo correu os olhos em torno e não viu Donatella e as crianças.

- Para onde você está nos levando, Ivo?

- Vocês vão ver. Sigam-me! - disse Ivo nervosamente, levando-as para a saída.

- Mas já vamos sair, papai? -perguntou Isabella, a filha mais velha. - Chegamos ainda há pouco…

- Vamos para um lugar melhor - disse Ivo, ofegante. Olhou para trás e viu Donatella, que subia a escada com os filhos. - Mais depressa, meninas.

Um momento depois, Ivo e uma de suas famílias estavam fora dos portões da Villa d'Este, correndo para o carro, que havia ficado na grande praça.

- Nunca vi você agir dessa maneira - murmurou Simonetta.

- Nunca agi assim.

Ligou o motor antes mesmo que as portas estivessem fechadas e saiu do estacionamento como se os demônios o estivessem perseguindo.

- Ivo! Ele bateu tranquilizadoramente na mão de Simonetta.

- Quero que todo mundo agora fique calmo. Como prêmio especial, vou levar vocês para almoçarem no Hassler.

Sentaram-se a uma mesa diante de uma grande janela, de onde se via a Escada Espanhola e, ao longe, em todo o seu esplendor, a Basílica de São Pedro.

Simonetta e as crianças gostaram muito do almoço. Ivo tinha a impressão que estava comendo papel. Suas mãos tremiam tanto que mal conseguia segurar o talher.

Não agüento mais, pensava ele. Não vou deixar que ela me arruíne a vida. Não tinha mais dúvidas de que era exatamente isso que Donatella pretendia fazer. A sorte estava lançada. A não ser que ele encontrasse um meio de dar o dinheiro a Donatella. Tinha de conseguir o dinheiro. Pouco importava como…

Capítulo 29

Segunda-feira, 5 de novembro. 18 horas.

No momento em que Charles Martel entrou em casa, viu que estava em dificuldades. Hélsne achava-se à espera dele em companhia dela estava Pierre Richaud, o joalheiro que fizera as imitações das jóias roubadas.

- Entre, Charles - disse Hélsne com um subtom na voz que gelou de terror o coração de Charles. -Creio que você e M. Richaud já se conhecem.

Charles olhou-a, calado, sabendo que qualquer coisa que dissesse poderia condená-lo. O joalheiro voltara os olhos para o chão e era evidente que não se sentia à vontade.

- Sente-se, Charles. Era uma ordem, e ele obedeceu. - O que está enfrentando agora, mon cher mari, é um processo criminal como ladrão. Roubou minhas jóias e substituiu-as por imitações baratas feitas por M. Richaud.

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