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Электронная книга - «O Zahir». Краткое содержание книги:

O Zahir
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“Melhor ficar com fome do que ficar sozinho. Porque quando você está

sozinho - e eu não falo da solidão que escolhemos, mas da que somos obrigados a aceitar - é como se não fizesse mais parte da raça humana.

“O lindo hotel me esperava do outro lado do rio, com a suíte confortável, os empregados atenciosos, o serviço de primeiríssima qualidade - e isso me fazia sentir pior, porque devia estar contente, satisfeito com tudo o que havia conseguido.

“No caminho de volta, cruzei com outras pessoas na mesma situação que a

minha, e notei que tinham dois tipos de olhares: arrogantes, porque querem fingir que escolheram a solidão nesta linda noite. Ou tristes, envergonhadas por estarem sozinhas. “Conto tudo isso porque me lembrei recentemente de um notei em

Amsterdã, de uma mulher que estava ao meu lado, falava comigo, me contava sua vida. Conto tudo isso porque, embora o Eclesiastes diga que há tempo de rasgar, e tempo de costurar, às vezes o tempo de rasgar deixa cicatrizes muito profundas. Pior do que caminhar só e miserável por Genebra, é estarmos com alguém ao nosso lado, e fazer com que esta pessoa sinta-se como se não tivesse a menor importância em nossa vida.” Houve um longo momento de silêncio, antes dos aplausos.

heguei a um lugar sinistro, em um bairro de Paris onde se dizia que a

vida cultural era a mais interessante de toda a cidade. Custou algum

C tempo para eu reconhecer que o grupo malvestido diante de mim era o mesmo que se apresentava todas as quintas-feiras no restaurante armênio,

imaculadamente vestidos de branco.

- Por que estão usando estas fantasias? Influência de algum filme?

- Não são fantasias - respondeu Mikhail. - Quando você vai a um jantar de gala, também não muda de roupa? Quando vai a um campo de golfe, veste-se

com terno e gravata?

- Então, mudo minha pergunta: por que resolveram imitar a moda dos

jovens sem-teto?

- Porque, neste momento, somos jovens sem-teto. Melhor dizendo, quatro

jovens e dois adultos sem teto.

- Mudo minha pergunta pela última vez: o que fazem aqui, vestidos desta

maneira?

- No restaurante, alimentamos nosso corpo e falamos da energia para gente que tem alguma coisa a perder. Entre os mendigos, alimentamos nossa alma e conversamos com quem não tem nada a perder. Agora, vamos para a parte mais importante de nosso trabalho: encontrar o movimento invisível que renova o mundo - gente que vive o dia de hoje como se fosse o último enquanto os velhos vivem como se fosse o primeiro.

Ele estava falando de algo que já havia notado, e que parecia crescer a cada dia: jovens vestidos daquela maneira, roupas sujas mas extremamente criativas, baseadas em uniformes militares ou em filmes de ficção científica. Todos usavam piercing. Todos tinham o cabelo cortado de maneira diferente. Muitas vezes, os grupos eram acompanhados por um pastor alemão, de ar ameaçador. Certa vez perguntei a um amigo por que sempre tinham um cachorro, e recebi como

explicação - não sei se é verdade - que a polícia não podia prender os seus donos, já que não tinha onde colocar o animal.

Uma garrafa de vodca começou a circular - bebiam a mesma coisa quando

estávamos com os mendigos, e eu me perguntei se isso era resultado das origens de Mikhail. Tomei um gole, imaginando o que diria alguma pessoa que me visse ali.

Decidi que diriam: “está pesquisando algo para seu próximo livro”, e

relaxei.

- Estou pronto. Vou até onde se encontra Esther, e preciso de algumas

informações, porque não conheço nada do seu país.

- Irei com você.

- O quê?

Aquilo não estava nos meus planos. Minha viagem era um retorno a tudo

que eu havia perdido em mim mesmo, terminaria em algum lugar nas estepes da Ásia - e isso era algo íntimo, pessoal, sem testemunhas.

- Desde que pague minha passagem, claro. Mas preciso ir ao Casaquistão, sinto falta da minha terra.

- Você não tem trabalho para fazer por aqui? Não deve estar todas as

quintas-feiras no restaurante, para o espetáculo?

- Você insiste em chamar de espetáculo. Já disse que se trata de um

encontro, de reviver o que perdemos: a tradição da conversa. Mas não se

preocupe, Anastásia - apontou para a menina com piercing no nariz - está

desenvolvendo seu dom. pode cuidar de tudo enquanto eu estiver longe.

- Ele está com ciúmes - disse Alma, a senhora que tocava o instrumento de metal parecido com um prato, e contava histórias no final do “encontro”.

- Faz sentido - desta vez era o outro rapaz, agora usando uma roupa toda de couro, com apliques de metal, alfinetes de segurança, broches imitando lâminas de barbear. - Mikhail é mais jovem, mais bonito, mais conectado com a energia.

- E menos famoso, menos rico, menos conectado com os donos do poder -

disse Anastásia. - Do ponto de vista feminino, as coisas estão equilibradas, ambos têm a mesma chance.

Todos riram, a garrafa de vodca girou outra vez, eu fui o único que não

achou graça nenhuma. Mas estava me surpreendendo comigo mesmo: há muitos

anos não sentava no chão de uma rua de Paris, e isso me deixava contente.

- Pelo visto, a tribo é maior do que vocês imaginam. Está presente da Torre Eiffel à cidade de Tarbes, onde estive recentemente. Não entendo direito o que está acontecendo.

- Posso garantir que vai mais longe do que Tarbes, e segue rotas tão

interessantes como o Caminho de Santiago. Partem para algum lugar da França ou da Europa, jurando que serão parte de uma sociedade fora da sociedade.

Temem voltar às suas casas um dia, arranjar um emprego, casar-se - lutarão contra isso o tempo que for possível. São pobres e ricos, mas o dinheiro não interessa muito. São completamente diferentes: e mesmo assim, quando passam, a maioria finge que não nos vê, porque tem medo.

- É necessária esta agressividade toda?

- E necessária: a paixão de destruir é uma paixão criadora. Se não forem

agressivos, logo as butiques estarão cheias de roupas como essa, as editoras publicarão revistas especializadas no novo movimento “que varre o mundo com seus costumes revolucionários”, os programas de televisão terão um quadro dedicado à tribo, os sociólogos escreverão tratados, os psicólogos aconselharão as famílias - e tudo perderá sua força. Portanto, quanto menos souberem, melhor: nosso ataque funciona como defesa.

- Eu vim apenas para pedir algumas informações, e mais nada. Talvez

passar a noite de hoje na companhia de vocês seja algo realmente enriquecedor, que me ajude a me afastar mais ainda de uma história pessoal que já não me permite novas experiências. Entretanto, não tenho intenção de levar ninguém em minha viagem; se não conseguir ajuda, o Banco de Favores se encarregará de todos os contactos necessários. Além do mais, parto em dois dias - tenho um jantar importante amanhã à noite, mas em seguida estou livre por duas semanas.

Mikhail pareceu vacilar.

- Você decide: tem o mapa, o nome da aldeia, e não será difícil encontrar a casa onde está hospedada. Entretanto, na minha opinião, o Banco de Favores pode ajudá-lo a chegar até Almaty, mas não o levará mais adiante, porque as regras da estepe são outras. E pelo que me consta, fiz alguns depósitos na sua conta no Banco de Favores, não acha? É hora de resgatá-los, estou com saudades de minha mãe.

Ele tinha razão.

- Temos que começar a trabalhar - interrompeu o senhor casado com Alma.

- Por que deseja ir comigo, Mikhail? Apenas saudades de sua mãe?

Mas ele não respondeu. O senhor começou a tocar seu atabaque, Alma

usava o prato de metal com apliques, e os outros pediam esmola aos que

passavam. Por que desejava ir comigo? E como usar o Banco de Favores na

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Сюжет
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Главный герой
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