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Электронная книга - «O Zahir». Краткое содержание книги:

O Zahir
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Vou até a janela, olho a rua, tento me convencer de que sou um homem

profissionalmente realizado, nada mais a provar, posso retirar-me para uma casa nas montanhas, passar o resto da vida lendo, caminhando, conversando sobre gastronomia e sobre o tempo. Digo e repito que já consegui o que quase nenhum escritor conseguiu - ser publicado em quase todas as línguas. Por que incomodar-me com um simples texto para uma revista, por mais importante que ela seja?

Por causa do Banco de Favores. Então preciso realmente escrever, mas o

que vou dizer para as pessoas? Que elas precisam esquecer as histórias que lhes contaram, e arriscar um pouco mais?

Todas vão responder: “eu sou independente, faço aquilo que escolhi.”

Que devem deixar circular livremente a energia do amor?

Responderão: “eu amo. Eu amo cada vez mais”, como se pudessem medir o

amor como medimos a distância entre os trilhos de estradas de ferro, a altura de prédios ou a quantidade de fermento necessária para se fazer um bolo.

Volto para a mesa. O envelope que Mikhail deixou está aberto, sei onde

Esther se encontra, preciso saber como chegar lá. Telefono para ele e conto a história da fonte. Ele adora. Pergunto o que vai fazer hoje à noite, responde que irá sair com Lucrecia, sua namorada. Posso convidá-los para jantar? Hoje não, mas na próxima semana, se quiser, sairemos juntos com seus amigos.

Digo que na semana que vem tenho uma palestra nos Estados Unidos. Não

tem pressa, responde, esperamos então duas semanas.

“Você deve ter ouvido uma voz que lhe fez caminhar pelo gelo”, diz.

“Não ouvi nenhuma voz.”

“Então por que fez isso?”

“Porque senti que era para fazer.”

“Bem, isso é outra maneira de escutar a voz.”

“Fiz uma aposta. Se conseguisse atravessar o gelo, é porque estava pronto.

E penso que estou pronto.”

Então, a voz lhe deu o sinal que precisava.”

E a voz lhe disse alguma coisa a respeito?”

“Não. Mas não precisa: quando estávamos na margem do Sena, quando eu

disse que ela nos avisava que o momento não havia chegado, entendi também que ela lhe diria a hora certa.”

“Já disse que não ouvi nenhuma voz.

“É o que você pensa. E o que todos pensam. E no entanto,pelo que a

presença sempre me diz, todos escutam vozes o tempo inteiro. São elas que nos fazem entender quando estamos diante de um sinal, você compreende?”

Resolvo não discutir. Tudo que preciso são detalhes técnicos: saber onde

alugar um carro, quanto tempo de viagem como localizar a casa, porque o que tenho diante de mim, além do mapa, são uma série de indicações imprecisas -

seguir pela margem de tal lago, procurar uma placa de uma empresa, dobrar à direita, etc. Talvez ele conheça alguém que possa me ajudar.

Marcamos o próximo encontro, Mikhail me pede que vá vestido da maneira

mais discreta possível - a “tribo” irá peregrinar por Paris.

Pergunto quem é a tribo. “São as pessoas que trabalham comigo no

restaurante”, responde, sem entrar em detalhes. Pergunto se deseja alguma coisa da América, ele pede que lhe traga determinado remédio para azia. Acho que existem coisas muito mais interessantes, mas anoto seu pedido.

E o artigo?

Volto para a mesa, penso no que escrever, olho de novo o envelope aberto, concluo que não me surpreendeu o que encontrei lá dentro. No fundo, depois de alguns encontros com Mikhail, já esperava mesmo por isso.

Esther está na estepe, em uma pequena aldeia na Ásia Centraclass="underline" mais

precisamente, em uma aldeia no Casaquistão.

Já não tenho mais nenhuma pressa: continuo revendo minha história, que

narro em detalhes, compulsivamente, para Mane; ela resolveu fazer o mesmo, fico surpreso com as coisas que me conta, mas parece que o processo está dando resultados - esta mais segura, menos ansiosa.

Não sei por que quero tanto encontrar Esther, já que meu amor por ela

passou a iluminar minha vida, ensinar-me coisas novas, e isso basta. Mas lembro-me do que Mikhail disse - “a história precisa ser terminada” - e resolvo seguir adiante. Sei que vou descobrir o momento em que o gelo de nosso casamento quebrou, e nós continuamos a caminhar pela água fria, como se nada tivesse acontecido. Sei que vou descobrir isso antes de chegar a tal aldeia, para fechar um ciclo, ou para fazê-lo maior ainda.

O artigo! Será que Esther voltou a ser o Zahir, e não me deixa concentrar-me em mais nada?

Nada disso: quando preciso fazer algo urgente, que exige energia criativa, é esse mesmo o meu processo de trabalho - chegar quase à histeria, resolver desistir, e então o texto se manifesta. Já tentei agir de maneira diferente, fazer tudo com grande antecedência, mas parece que a imaginação só funciona desta maneira - com uma gigantesca pressão em cima. Não posso desrespeitar o Banco de Favores, devo enviar três páginas escritas sobre - imagine só! - os problemas da relação entre homem e mulher. Logo eu! Mas os editores acham que quem

escreveu Tempo de rasgar, tempo de costurar deve entender muito bem da alma humana.

Tento conectar-me na Internet, que não está funcionando: desde o dia em

que destruí a conexão, nunca mais voltou a ser a mesma. Já chamei vários

técnicos, que, quando resolviam aparecer, encontravam o computador às mil maravilhas. Perguntavam do que eu estava reclamando, testavam por meia hora, mudavam configurações, garantiam que o problema não era comigo, mas com o fornecedor de serviços. Eu me deixava convencer, afinal todo estava em perfeita ordem, sentia-me ridículo por ter pedido ajuda. Duas ou três horas se passam, um novo colapso da máquina e da conexão. Agora, depois de meses de desgaste

físico e psicológico, aceito que a tecnologia é mais forte e mais poderosa do que eu: trabalha quando quiser, e se não estiver com vontade, melhor ler um jornal, dar um passeio, esperar que mude o humor dos cabos, das ligações telefônicas, e ela resolva funcionar novamente. Não sou seu dono, descobri que tem vida

própria.

Insisto mais duas ou três vezes, e sei - por experiência própria - que é

melhor deixar a pesquisa de lado. A Internet a maior biblioteca do mundo, está neste momento com suas portas fechadas para mim. Que tal ler revistas, tentando buscar inspiração? Pego um exemplar na correspondência que chegou naquele dia, vejo uma estranha entrevista, de uma mulher que acaba de lançar um livro sobre - imagine o quê? - amor. O assunto parece me perseguir por todos os lados.

O jornalista pergunta se a única maneira do ser humano atingir a felicidade é encontrando a pessoa amada. A mulher diz que não:

“A idéia de que o amor leva à felicidade é uma invenção

moderna, do final do século XVII. A partir daí, a gente aprende a

acreditar que o amor deve durar pára sempre e que o casamento é o

melhor lugar para exercê-lo. No passado, não havia tanto otimismo

quanto à longevidade da paixão. Romeu e Julieta não é uma história

feliz, é uma tragédia. Nas últimas décadas, a expectativa quanto ao

casamento como o caminho para a realização pessoal cresceu muito. A

decepção e a insatisfação cresceram junto.

É uma opinião bastante corajosa, mas não serve para o meu artigo -

principalmente porque não concordo em absoluto com o que está dizendo.

Procuro na estante um livro que não tenha nada a ver com as relações entre homens e mulheres: Práticas mágicas no Norte do México. Preciso refrescar a cabeça, relaxar. já que a obsessão não irá me ajudar a escrever o tal artigo.

Começo a folheá-lo e, de repente, leio algo que me surpreende:

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Сюжет
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Атмосфера
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Главный герой
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Общее впечатление
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