Бесплатная библиотека
Читайте книгу на сайте или телефоне

Электронная книга - «O Zahir». Краткое содержание книги:

O Zahir
1 ... 35 36 37 38 39 40 41 42 43 ... 59
Перейти на страницу:

- Será que este rapaz das previsões existe mesmo, ou você inventou tudo

isso apenas porque acha que desmaiou quando desceu da calçada?

- Pelo contrário: detesto saber sintomas de doenças. Cada vez que leio um livro de medicina, começo a sentir tudo que está ali descrito.

- Vou lhe dizer uma coisa, mas por favor não me entenda maclass="underline" acho que este acidente lhe trouxe um enorme benefício. Você parece mais calmo, menos

obsessivo. Claro, estar perto da morte sempre nos ajuda a viver melhor: foi isso que sua mulher me disse, quando me deu um tecido manchado de sangue, que

trago sempre comigo - embora, como médico, eu esteja perto da morte todos os dias.

- Ela lhe explicou por que lhe deu este tecido?

- Usou palavras generosas para descrever aquilo que faço por profissão.

Disse que eu era capaz de combinar a técnica com a intuição, a disciplina com o amor. Contou-me que um soldado, antes de morrer, pediu que pegasse sua

camisa, cortasse em pedaços e dividisse com as pessoas que estavam

sinceramente tentando mostrar o mundo tal como é. Imagino que você, com os seus livros, também tenha parte deste tecido.

- Não tenho.

- E sabe por quê?

- Sei. Ou melhor dizendo, estou descobrindo agora.

- E já que além de seu médico, também sou seu amigo, VOCÊ permite que

lhe dê um conselho? Se esse rapaz epilético disse que pode adivinhar o futuro, ele não entende nada de medicina.

agreb, Croácia.

6:30 da manhã.

Z Eu e Marie estamos diante de uma fonte congelada, a primavera este ano resolveu não acontecer - pelo visto iremos do inverno diretamente para o verão.

No meio da fonte, uma coluna com uma estátua em cima.

Passei a tarde dando entrevistas, e já não agüento mais falar do novo livro.

As perguntas dos jornalistas são as de sempre: se minha mulher leu o livro (respondo que não sei), se acho que sou injustiçado pela crítica (o quê?), se o fato de escrever Tempo de rasgar, tempo de costurar causou algum tipo de choque no meu público, já que revelo bastante minha vida íntima (um escritor só pode escrever sobre sua vida), se o livro será transformado em filme (repito pela milésima vez que o filme se passa na cabeça do leitor, proibi a venda dos direitos de todos os títulos), o que penso do amor, por que escrevi sobre amor, o que fazer Para ser feliz no amor, amor, amor...

Terminadas as entrevistas, o jantar com os editores - faz parte do ritual. A mesa sempre com pessoas importantes do lugar, que me interrompem cada vez que coloco o garfo na boca, geralmente perguntando a mesma coisa: “de onde vem sua inspiração?” Tento comer, mas preciso ser simpático, conversar,

cumprir meu papel de celebridade, contar algumas histórias interessantes, deixar uma boa impressão. Sei que o editor é um herói nunca sabe se um livro vai dar certo, podia estar vendendo bananas ou sabonetes - é mais seguro, não possuem vaidade, egos desenvolvidos, não reclamam se a promoção está malfeita ou se não tem livro em determinada livraria.

Depois do jantar, o roteiro de sempre: querem me mostrar tudo -

monumentos, locais históricos, os bares da moda. Sempre com um guia que

conhece absolutamente tudo, enche minha cabeça de informações, preciso fazer um ar de quem está prestando muita atenção, perguntar algo de vez em quando, para demonstrar meu interesse. Conheço quase todos os monumentos, museus, locais históricos de todas as muitas cidades que visitei para promover meu trabalho - e não me lembro de absolutamente nada. Tudo que fica são as coisas inesperadas, os encontros com os leitores, os bares, as ruas que caminhei por acaso, dobrei a esquina e de repente vi algo maravilhoso.

Um dia pretendo escrever um guia de viagem com apenas mapas, endereços

de hotéis, e o resto das páginas em branco: as pessoas assim terão que fazer seu roteiro único, descobrir por si mesmas os restaurantes, monumentos e as coisas magníficas que cada cidade tem, mas que jamais são comentadas porque a

história que nos contaram” não as incluiu no item “visitas obrigatórias”.

Já estive antes em Zagreb. E esta fonte - embora não apareça em nenhum

guia turístico local - tem muito mais importância do que qualquer outra coisa que vi aqui: porque é linda, eu a descobri por acaso, e está ligada a uma história de vida. Há muitos anos, quando era um jovem correndo o mundo em busca

aventura, sentei-me no lugar onde estou agora com um pintor croata, que viajara comigo grande parte do caminho. Eu iria continuar em direção à Turquia, ele voltava para casa. Nos despedimos neste lugar, bebendo duas garrafas de vinho, falando de tudo que tinha acontecido enquanto estávamos juntos - religião, mulheres, música, preço dos hotéis, drogas. Falamos de tudo, menos de amor, porque amávamos sem precisar comentar sobre o assunto.

Depois que o pintor voltou para a sua casa eu conheci uma menina,

namoramos por três dias, nos amamos com toda a intensidade possível, já que tanto eu como ela sabíamos que tudo ia durar muito pouco. Ela me fez entender a alma daquele povo, e eu jamais me esqueci, como jamais esqueci a fonte e a despedida do meu companheiro de viagem.

Por causa disso, depois das entrevistas, dos autógrafos, do jantar, da visita aos monumentos e locais históricos, eu enlouqueci meus editores, pedindo para que me levassem a tal fonte. Perguntaram onde era: não sabia, como tampouco sabia que Zagreb tinha tantas fontes. Depois de quase uma hora de buscas, finalmente conseguimos encontrá-la. Pedi uma garrafa de vinho, nos despedimos de todos, sentei-me com Marie, e ficamos calados, abraçados, bebendo e

esperando o nascer do sol.

- Você está cada dia mais contente - ela comenta, com a cabeça em meu

ombro.

- Porque estou tentando esquecer quem sou. Melhor dizendo, não preciso

carregar o peso de toda a minha história nas costas. Conto para ela a conversa com Mikhail com o nômade.

- Com os atores se passa algo parecido - comenta. - A cada novo papel,

temos que deixar de ser quem somos, para viver o personagem. Mas, no final, terminamos confusos e neuróticos. Você acha mesmo uma boa idéia deixar de lado a sua história Pessoal?

- Você não disse que estou melhor?

- Acho que está menos egoísta. Gostei de ter deixado todo mundo louco, até encontrar esta fonte: mas isso é contrário ao que acaba de me contar, ela faz parte de seu passado.

- É um símbolo para mim. Mas eu não carrego esta fonte comigo, não fico

pensando nela, não tirei fotos para mostrar para amigos, não fico com saudades do pintor que partiu ou da menina pela qual me apaixonei. Que bom que tenha voltado aqui uma segunda vez - mas se isso não tivesse ocorrido, em nada

mudava o que vivi.

- Entendo o que você está dizendo.

- Fico contente.

- Fico triste; porque isso me faz pensar que você vai partir. Sabia disso desde o momento em que nos encontramos pela primeira vez, mesmo assim é

difíciclass="underline" já me acostumei.

- É esse o problema: acostumar-se.

- Mas é humano.

- Foi por causa disso que a mulher com quem casei transformou-se no

Zahir. Até o dia do acidente, me convencera que só poderia ser feliz com ela, e não porque a amasse mais que tudo e todos no mundo.

“Mas porque pensava que só ela me entendia, sabia os meus gostos, minhas

manias, minha maneira de ver a vida. Era grato pelo que tinha feito por mim, achava que devia ser grata pelo que tinha feito por ela. Estava acostumado a olhar o mundo usando seus olhos. Lembra da história dos dois homens que saem do incêndio, e um está com o rosto coberto de cinzas?

Ela retirou a cabeça de meu ombro; notei que estava com os olhos cheios

d’água.

- Pois o mundo era isso para mim - continuei. - Um reflexo da beleza de

Esther. Isso é amor? Ou isso é uma dependência.

- Não sei. Acho que amor e dependência andam juntos.

1 ... 35 36 37 38 39 40 41 42 43 ... 59
Перейти на страницу:
0
Сюжет
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8
  • 9
  • 10
0
Атмосфера
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8
  • 9
  • 10
0
Главный герой
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8
  • 9
  • 10
0
Общее впечатление
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8
  • 9
  • 10
Итоговая оценка: 0.0 из 10 (голосов: 0 / История оценок)