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Электронная книга - «O Zahir». Краткое содержание книги:

O Zahir
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apartamento, olhando o pequeno beco sem asfalto onde vivia, muito nervoso porque no dia anterior eu amassara um carro na hora de manobrá-lo dentro da garagem, com medo de ser despedido, tanto medo que não consegui comer o dia inteiro.”

E de repente sinto de novo o vento, vejo as luzes. Pelo que minha mãe

contou depois, caí por terra, falei em uma língua estranha, e o transe pareceu durar mais do que o normal; lembro-me que foi neste momento que a voz me

lembrou que tinha uma missão. Quando acordo, volto a sentir a presença, e, embora não veja nada, posso conversar com ela.

“Entretanto, aquilo não me interessa mais: ao mudar da aldeia, mudei

também de mundo. Mesmo assim, indago qual é minha missão: a voz me

responde que era a missão de todos os seres humanos, impregnar o mundo da energia do amor total. Pergunto a única coisa que realmente está me interessando no momento: o carro amassado e a reação do dono. Ela diz que não me preocupe

- que fale a verdade, e ele saberá compreender.

“Trabalho por cinco anos no posto de gasolina. Termino fazendo amigos,

arranjo as primeiras namoradas, descubro o sexo, participo de brigas de rua -

enfim, vivo minha juventude da maneira mais normal possível. Tenho alguns ataques: no início meus amigos ficam surpreendidos, mas depois que invento que aquilo é o resultado de ‘poderes superiores’, eles passam a me respeitar. Me pedem ajuda, confessam seus problemas amorosos, as difíceis relações com a família, mas eu nada pergunto à voz - a experiência no arbusto havia me

traumatizado muito, me fizera perceber que, quando ajudamos alguém, tudo que temos em troca é ingratidão.

“Se os amigos insistem, invento que pertenço a uma ‘sociedade secreta’ - a esta altura, depois de décadas de repressão religiosa, o misticismo e o esoterismo estão se tornando uma grande moda em Almaty. Vários livros são publicados sobre os tais ‘poderes superiores’, gurus e mestres começam a surgir da índia e da China, existe uma grande variedade de cursos de aperfeiçoamento pessoal.

Freqüento um e outro, me dou conta de que não aprendo nada, a única coisa na qual realmente confio é na voz, mas estou muito ocupado para prestar atenção no que está dizendo.

“Um dia, uma mulher, em uma caminhonete com tração nas quatro rodas,

pára na garagem onde trabalho e pede que complete o tanque. Fala comigo em russo, com muito sotaque e muita dificuldade, e eu respondo em inglês. Ela parece aliviada e me pergunta se conheço algum intérprete, já que precisa viajar para o interior.

“No momento em que diz isso, a presença da menina preenche todo o lugar,

e percebo que essa é a pessoa que esperei durante a minha vida inteira. Ali está minha saída, não posso perder a oportunidade: digo que posso fazer isso, se ela me permitir. A mulher responde que tenho um trabalho, e ela precisa de alguém mais velho, mais experiente, e livre para viajar. Digo que conheço todos os caminhos na estepe, nas montanhas, minto afirmando que aquele emprego é

temporário. Imploro que me dê uma chance; com relutância, ela marca uma

conversa no mais luxuoso hotel da cidade.

“Nos encontramos no salão; ela testa meus conhecimentos da língua, faz

uma série de perguntas sobre a geografia da Ásia Central, quer saber quem sou e de onde venho. Está desconfiada, não diz exatamente o que faz, nem aonde quer ir. Eu procuro desempenhar meu papel da melhor maneira possível, mas vejo que ela não está convencida.

“E me surpreendo ao notar que, sem qualquer explicação, estou apaixonado

por ela, alguém que conheço há apenas algumas horas. Controlo minha ansiedade e volto a confiar na voz; imploro a ajuda da menina invisível, peço que me ilumine, prometo que cumprirei a missão que me foi confiada se conseguir

aquele emprego: ela me disse um dia que uma mulher virá me levar para longe daqui, a presença esteve ao meu lado quando ela parou para encher o seu tanque, preciso de uma resposta positiva.

“Depois do seu intenso questionário, acho que começo a ganhar sua

confiança: ela me previne que o que pretende é completamente ilegal. Explica-me que é jornalista, que deseja fazer uma reportagem sobre bases americanas que estão sendo construídas em um país vizinho, para servir de apoio a uma guerra que está prestes a começar. Como teve seu visto negado, teremos que cruzar a fronteira a pé, por lugares não vigiados - seus contactos lhe deram um mapa e lhe mostraram por onde devemos passar, mas ela diz que não irá revelar nada disso até que estejamos longe de Almaty. Se ainda estiver disposto a acompanhá-la, devo estar no hotel daqui a dois dias, às 11 horas da manhã. Não me promete nada além de uma semana de salário, sem saber que eu tenho um emprego fixo, ganho o suficiente para ajudar minha mãe e meus avós, meu chefe confia em mim apesar de ter presenciado três ou quatro convulsões, ou ‘ataques epiléticos’, como ele se refere aos momentos em que estou em contacto com um mundo

desconhecido.

“Antes de despedir-se, a mulher me diz seu nome - Esther - e me previne

que, se eu resolver procurar a polícia e denunciá-la, ela será presa e deportada.

Diz também que existem momentos na vida em que precisamos confiar

cegamente na intuição, e está fazendo isso agora. Peço que não se preocupe, sinto-me tentado a comentar sobre a voz e a presença, mas prefiro ficar calado.

Volto para casa, converso com minha mãe, afirmo que arranjei um novo emprego como intérprete, e ganharei mais dinheiro - embora precise me ausentar por algum tempo. Ela parece não se preocupar; tudo à minha volta está correndo como se estivesse planejado há muito tempo, e todos nós apenas aguardássemos o momento certo.

“Durmo mal, no dia seguinte estou mais cedo que de costume no posto de

gasolina. Peço desculpas, repito que encontrei um novo emprego. Meu chefe diz que mais cedo ou mais tarde vão descobrir que sou uma pessoa doente, é muito arriscado deixar o certo pelo duvidoso - mas da mesma maneira que aconteceu com minha mãe, termina por concordar sem maiores problemas, como se a voz estivesse interferindo na vontade de cada uma das pessoas com quem tenho que falar aquele dia, facilitando minha vida, ajudando-me a dar o primeiro passo.

“Quando nos encontramos no hotel, eu lhe explico: se nos pegarem, tudo

que pode acontecer com a senhora é ser deportada para seu país, mas eu

terminarei sendo preso, talvez por muitos anos. Portanto, estou correndo um risco maior, deve ter confiança em mim. Ela parece entender o que estou dizendo, andamos por dois dias, um grupo de homens a está esperando do outro lado da fronteira, ela desaparece e volta pouco depois, frustrada, irritada. A guerra está prestes a estourar, todos os caminhos estão vigiados, é impossível seguir adiante sem ser presa como espiã.

“Começamos o caminho de volta. Esther, antes tão confiante em si mesma,

agora parece triste e confusa. Para distraí-la, começo a recitar versos do poeta que vivia perto de minha aldeia, ao mesmo tempo que penso que daqui a 48 horas tudo estará terminado. Mas preciso confiar na voz, devo fazer tudo para que ela não parta tão subitamente como veio; talvez eu deva demonstrar que sempre a esperei, que ela é importante para mim.

“Naquela noite, depois de estendermos nossos sacos de dormir perto de uns rochedos, tento pegar sua mão. Ela a afasta carinhosamente, diz que é casada. Sei que dei um passo errado, agi sem pensar: como já não tenho mais nada a perder, falo das V1soes da infância, da missão de espalhar o amor, do diagnóstico do médico falando em epilepsia.

Para minha surpresa, ela entende perfeitamente o que estou dizendo. Conta um pouco de sua vida, diz que ama seu marido, que ele também a ama, mas com o passar do tempo alguma coisa importante se perdeu, prefere estar longe a ver seu casamento se desfazendo aos poucos. Tinha tudo na vida, ma era infeliz; embora pudesse fingir para o resto da vida que esta infelicidade não existia, morre de medo de entrar em urna depressão, e jamais conseguir sair.

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Главный герой
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