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Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:

A Herdeira [em Português]
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Fez a curva, mas viu que estava rodando desabaladamente pela íngreme estrada da montanha e que o jipe ganhava mais velocidade a cada segundo. Tornou a pisar nos freios. Não havia mais freios.

Outra curva surgiu à frente. Elizabeth tinha medo de olhar para o velocímetro e sentiu-se dominada pelo terror. Chegou à curva em alta velocidade e derrapou. As rodas traseiras chegaram próximo da beira do precipício, mas ela conseguiu controlar o jipe e seguiu em frente estrada abaixo. Não havia mais nada que pudesse fazê-lo parar, nem barreiras, nem controles. Continuaria naquela desabalada descida pela montanha, cheia de curvas fatais. Pensou destemperadamente num meio de salvar-se. Teve a idéia de pular do carro. Arriscou-se a olhar para o velocímetro e viu que ia a cento e dez quilômetros, com a velocidade aumentando a cada momento, e que estava encurralada entre a montanha e o precipício. Se saltasse, morreria.

Numa súbita revelação, Elizabeth compreendeu que estava sendo assassinada, e que Sam também fora assassinado. Sam tinha lido o relatório e fora morto. Ela também iria ser morta. Não tinha idéia de quem fosse o assassino, de quem os odiava a ponto de fazer aquela coisa terrível. Talvez tudo fosse mais tolerável se partisse de um estranho.

Mas tinha de ser um deles, alguém situado no mais alto escalão executivo da companhia… Alec… Ivo… Walther… Charles… A morte dela seria atribuída a um acidente, como a de Sam. As lágrimas rolaram pelo rosto de Elizabeth e se misturaram com a chuva fina que caía.

O jipe fugia constantemente do seu controle no chão molhado. Elizabeth lutava para mantê-lo na estrada, mas sabia que era apenas uma questão de segundos para que fosse atirada para o precipício e o aniquilamento. O corpo ficou rígido com a tensão, e as mãos se tornaram dormentes devido à força que ela fazia para segurar a direção.

Estava sozinha no universo, descendo vertiginosamente a estrada, enquanto o vento lhe zumbia em torno e empurrava o carro para a borda do penhasco. Houve outra derrapagem e Elizabeth lutou destemperadamente para controlar o carro, lembrando-se do que aprendera. Vá sempre a favor da derrapagem. Finalmemte, as rodas traseiras se firmaram e o jipe continuou a sua descida alucinante.

Elizabeth tornou a olhar de relance o velocímetro. Cento e trinta quilômetros por hora! Havia uma curva bem fechada à frente e sabia que não poderia passar dali. Alguma coisa em seu espírito pareceu congelar-se, e foi como se uma trêmula veia se estendesse entre ela e a realidade. Ouviu a voz de seu pai perguntar-lhe o que ela fazia sozinha no escuro e depois sentiu-se nos braços de Sam e levada para a cama. No mesmo instante, estava no palco, dançando enquanto Madame Netturova gritava com ela (ou era o vento?), mas ela não podia parar.

Alguém então lhe perguntava quantas vezes uma pessoa faz vinte e um anos, e Elizabeth pensou que nunca mais viria Rhys. Gritou o nome dele e o véu desapareceu, mas o pesadelo ainda estava presente. A curva perigosa estava mais próxima e o carro corria para ela como uma bala.

Cairia pelo precipício. Pelo menos, que tudo acontecesse bem depressa. Nesse momento, à direita, um pouco antes da curva, Elizabeth viu um estreito caminho. Tinha de tomar uma decisão rápida. Não tinha idéia da utilidade ou do destino daquele caminho.

Sabia apenas que subia à beira do precipício e que podia quebrar o ímpeto da descida.

Entrou por ele, virando a direção para a direita com toda a força. As rodas traseiras começaram a derrapar, mas as da frente já estavam no saibro do caminho e a velocidade deu bastante tração ao carro para se estabilizar.

Elizabeth procurou mantê-lo no estreito caminho. Viu algumas árvores à frente, e alguns galhos lhe fustigaram o rosto e as mãos. De repente, viu, à sua frente, o ar Tirando, lá embaixo. O caminho era apenas um breve acostamento à margem do penhasco. Não havia a menor segurança! Estava cada vez mais perto da borda, e ia tão depressa que não podia saltar. Quando o jipe se aproximou da borda, derrapou violentamente, e a última coisa de que Elizabeth teve consciência foi de uma árvore à sua frente e de uma explosão que pareceu iluminar o resto do universo. Depois, o mundo ficou tranquilo, branco, pacífico e silencioso.

Capítulo 20 Quando abriu os olhos, estava numa cama de hospital, e a primeira pessoa que viu foi Alec Nichols.

- Não há nada lá em casa para você comer - murmurou Elizabeth, e começou a chorar. Os olhos de Alec mostravam a sua tristeza. Aproximou-se e abraçoua.

- Elizabeth!

- Tudo bem agora, Alec - murmurou ela. E estava. Sentia contusões por todo o corpo, mas ainda estava viva, por mais incrível que isso parecesse. Lembrou-se do horror da descida sem freios pela montanha, e sentiu um arrepio.

- Há quanto tempo estou aqui, Alec?

- Trouxeram-na para cá há dois dias. Chegou inconsciente e só agora Está voltando a si. O médico acha que se trata de um milagre. De acordo com os que viram o local do acidente, você devia estar morta. Quando uma turma de socorro trouxe você, estava inconsciente e cheia de contusões, mas felizmente não havia fraturas. Agora, escute. Por que é que você estava correndo tanto naquela estrada?

Elizabeth contou tudo. Viu o horror estampado no rosto de Alec enquanto falava da sua terrível corrida estrada abaixo. Quando acabou, Alec estava muito pálido.

- Que acidente horrível e idiota!

- Não foi acidente, Alec.

- Como assim? Não compreendo!

Não podia mesmo compreender, pois não havia lido o relatório.

- Mexeram nos freios de propósito para que isso acontecesse.

- Não, Elizabeth - disse ele, sacudindo a cabeça. - Que motivo teria alguém para fazer uma coisa dessas?

Ainda não podia dizer nada a ele. Confiava mais em Alec do que nos outros, mas só podia falar depois que estivesse mais forte e tivesse algum tempo para pensar.

- Não sei, Alec. Mas tenho certeza de que mexeram nos freios.

Notou a mudança de expressão no rosto dele. Da incredulidade passara ao espanto e, por fim, à raiva.

- Nesse caso, temos de descobrir quem foi!

Pegou o telefone e daí a poucos minutos estava falando com o delegado de polícia de Olbia.

- Aqui é Alec Nichols. Sim, ela está passando bem, muito obrigado. Direi isso a ela, sim. Estou lhe telefonando a respeito do jipe que ela estava dirigindo. Pode me dizer onde é que está… Muito bem. Pode deixá-lo aí, e conseguir-me um bom mecânico? Estarei aí daqui a meia hora Desligou e disse a Elizabeth: O jipe está na garagem da polícia. Vou até lá.

- Vou com você - disse Elizabeth.

Ele olhou-a, surpreso.

- O médico disse que você devia passar ainda dois dias em repouso e observação.

- Ele pode ter dito isso, mas vou com você.

Quarenta e cinco minutos depois, Elizabeth, ainda bem machucada, saía do hospital sob os protestos do médico e seguia em companhia de Alec Nichols para a garagem da polícia.

Luigi Ferraro, delegado de polícia de Olbia, era um sardo robusto de meia-idade, com uma enorme barriga e pernas arqueadas. Tinha a seu lado o detetive Bruno Campagna, um homem musculoso, de cerca de cinquenta anos e grande competência, bem mais alto do que o delegado. Estavam ambos, em companhia de Elizabeth e de Alec, vendo um mecânico examinar a parte inferior do jipe levantado por um macaco hidráulico.

O pára-lamas esquerdo e o radiador estavam destroçados e mostravam fragmentos da árvore em que batera.

Elizabeth sentiu um começo de vertigem ao ver o carro, e teve de apoiarse em Alec para não cair.

- Tem certeza de que vai resistir? - perguntou Alec.

- Absoluta - disse Elizabeth, que se sentia fraca e cansada, mas estava disposta a ver tudo pessoalmente. O mecânico limpou as mãos em um pano cheio de graxa e aproximou-se do grupo.

- Desses, não fazem mais hoje em dia - disse ele. Graças a Deus, pensou Elizabeth. - Qualquer outro carro teria sido reduzida a pedacinhos.

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