A Herdeira [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1985
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:
São as substâncias que não deram resultado. São os nossos insucessos.
- Mas, por que cem milhões?
- Para cada novo medicamento aprovado, há talvez mil outros que terminam nesta sala e então abandonados. Um medicamento pode custar cinco ou dez milhões de dólares em trabalhos de pesquisa, até chegar à conclusão que não serve para o fim a que se destina ou que alguém o fabricou antes de nós. Não jogamos nada fora, pois pode acontecer que algum dos nossos moços brilhantes faça uma descoberta que torne valiosa alguma coisa existente nesta sala. - As quantias envolvidas em tudo aquilo eram fantásticas. - Agora, vou lhe mostrar a Sala do Prejuízo.
Ficava em outro edifício e, como a outra, estava cheia de estantes de vidros.
- Perdemos uma fortuna aqui - disse Rhys. - Mas tudo foi planejado.
- Não compreendo.
Rhys pegou de uma prateleira um vidro que tinha o rótulo "Botulismo".
- Sabe quantos casos de Botulismo nos Estados Unidos, no ano passado? Vinte e cinco apenas. Mas, quando recorreram a nós, tínhamos em estoque o medicamento necessário, muito embora isso nos custasse milhões de dólares. Esta sala está cheia de medicamentos para doenças raras - venenos de determinadas cobras, plantas venenosas, etc. Fornecemos esses medicamentos gratuitamente às forças armadas e aos hospitais, como um serviço público.
- Gosto disso - murmurou Elizabeth, e pensou que o velho Samuel teria gostado também.
Rhys levou Elizabeth à divisão de cápsulas, onde frascos vazios eram transportados através de esteiras rolantes. Ao sair da sala, os vidros tinham sido esterilizados, enchidos de cápsulas, rotulados, tapados com algodão e fechados. Todo o processo era automático. Havia uma fábrica de frascos, uma divisão de arquitetura para o planejamento de novos edifícios e uma divisão imobiliária para tratar da compra e da adaptação dos terrenos. Num edifício, havia dezenas de redatores escrevendo bulas e prospectos em cinquenta línguas, ao lado de impressoras que os imprimiam. Alguns departamentos fizeram Elizabeth pensar no 1984 de George Orwell. As salas de esterilização eram banhadas em fantásticas luzes ultravioletas.
As salas adjacentes eram pintadas de cores diferentes - branco, verde ou azul -, e as pessoas que nelas trabalhavam usavam roupas de cores correspondentes. Cada vez que uma delas entrava ou saía da sala, tinha de passar por uma câmara especial de esterilização. Os trabalhadores de roupa azul ficavam trancados o dia inteiro. Antes que pudessem comer, descansar ou ir ao banheiro, tinham de tirar a roupa, entrar numa zona verde neutra, vestir outra roupa, e inverter o processo quando voltassem.
- Creio que vai achar isso muito interessante - disse Rhys.
Iam pelo corredor cinzento de um edifício de pesquisa. Chegaram a uma porta, na qual se via o letreiro: "Reservado - Não entre". Rhys empurro a porta e entrou com Elizabeth. Passaram por outra porta, e Elizabeth se viu numa sala iluminada com uma luz fraca. Havia centenas de gaiolas com animais. A sala estava quente e úmida, e ela se sentiu de repente transportada para uma selva. Quando habituou os olhos à luz fraca, viu que as gaiolas estavam cheias de macacos, hamsters, gatos e ratos brancos. Muito dos animais tinham excrescências de aspecto repulsivo projetando-se de várias partes do corpo. Alguns animais estavam com as cabeças raspadas e mostravam elêtrodos que lhes tinham sido implantados nos cérebros. Muito deles gritavam em tremenda algazarra, correndo dentro das gaiolas, enquanto outros pareciam em estado comatoso e letárgico.
O barulho e o mau cheiro eram insuportáveis. Era uma espécie de inferno. Elizabeth aproximou-se de uma gaiola em que havia um gatinho branco. O cérebro do animal estava exposto, dentro de um revestimento claro de plástico, do qual se projetava meia dúzia de fios.
- Para… para que isso? - perguntou Elizabeth.
Um homem alto e barbado, que tomava algumas notas em frente das gaiolas, explicou:
- Estamos testando um novo tranquilizante.
- Espero que dê resultado - murmurou Elizabeth. - Bem que eu ando precisando disso.
E saiu da sala antes de começar a passar mal. Rhys estava ao lado dela no corredor.
- Está sentindo alguma coisa, Liz?
Ela respirou fundo e disse:
- Estou bem… Mas há mesmo necessidade de tudo isso?
- Essas experiências salvam muitas vidas, Liz. Mais de um terço das pessoas que nasceram depois de 1950 estão vivas graças às drogas modernas. Pense nisso.
Elizabeth assim o fez.
Levaram seis dias inteiros para conhecer os principais edifícios, e quando tudo terminou, Elizabeth estava exausta, atordoada com a vastidão de tudo o que vira. E compreendia que vira apenas uma parte das instalações da companhia. Havia dezenas delas espalhadas pelo mundo. Os fatos e os números eram espantosos. "São necessários cinco ou dez anos para lançar no mercado um novo medicamento, e, em geral, de cerca de duas mil substâncias testadas, só aproveitamos três produtos…" "A Roffe and Sons tem trezentas pessoas trabalhando só no controle de qualidade…" "Há pelo menos meio milhão de pessoas ao serviço da companhia…" "Nossa receita bruta no ano passado foi de…" Elizabeth escutava, procurando assimilar os incríveis números que Rhys lhe revelava. Sabia que a companhia era grande, mas "grande" era um adjetivo quase abstracto. Ter essa grandeza traduzida em termos de pessoas e de dinheiro era estarrecedor.
Naquela noite, Elizabeth ficou na cama pensando em tudo o que havia visto e ouvido, e foi tomada por um poderoso sentimento de impotência. Ivo lhe dissera que não devia se meter com essas coisas que não entendia, deixando tudo com eles. Alec achava que ela devia assinar, embora tivesse interesse na venda das ações. Walther era de opinião que ela devia assinar, receber uma fortuna e gozar a vida como quisesse. Eles têm razão, pensou Elizabeth. Vou me afastar e deixar que façam com a companhia o que quiserem. Eu não sou do ramo. Depois de chegar a essa decisão, o seu alívio foi enorme.
Adormeceu quase imediatamente.
O dia seguinte, era o início de um fim de semana prolongado por um feriado.
Quando Elizabeth chegou ao escritório, mandou chamar Rhys para comunicar-lhe a sua decisão.
- O Sr. Williams teve de tomar o avião para Nairóbi, ontem à noite - informou-lhe Kete Erling. - Pediu-me que lhe dissesse que estará de volta na terça-feira. Não serve outra pessoa?
- Faça então uma ligação para Sir Alec.
- Está bem, Senhorita Roffe - disse Kate Erling, com uma nota de hesitação na voz. - A polícia lhe mandou hoje um pacote com os objetos de uso pessoal deixados por seu pai em Chamonix. A noção de Sam reavivou no mesmo instante a sua dor. - A polícia pediu desculpas por não haver entregue o pacote ao seu mensageiro. Já lhe havia sido remetido.
- Meu mensageiro?
- Sim,o homem que mandou a Chamonix para pegar tudo.
- Mas eu não mandei ninguém a Chamonix. Onde está o pacote? - perguntou Elizabeth, julgando tratar-se de alguma confusão burocrática.
- Guardei no seu armário.
Encontrou uma mala Vuitton com as roupas de Sam. Havia também uma mala trancada, tendo ao lado a chave. Devia ser papéis da companhia. Entregaria tudo a Rhys para ver de que se tratava. Lembrou-se, então, de que ele estava ausente. Bom, decidiu ela, também vou passar o fim de semana fora. Olhou então para a pasta e pensou que talvez contivesse alguma coisa pessoal e íntima de Sam. Primeiro tinha que olhar. Kate Erling falou pelo interfone.
- Sinto muito, Senhorita Roffe, mas Sir Alec não está no escritório.
- Deixe então um recado para que me telefone logo que puder. Estarei na Villa da Sardenha. Dê o mesmo recado ao Sr. Palazzi, ao Sr. Gassner e ao Sr. Martel.
Diria a todos que ia desistir e que eles podiam vender as ações e fazer o que quisessem. Pensou com prazer no fim de semana que a esperava. A Villa da Sardenha era um retiro, um casulo protetor, onde ela poderia ficar sozinha e pensar em si mesma e no seu futuro. Os acontecimentos haviam se passado com tal rapidez que ela não tivera tempo de ver as coisas sob outro prisma. O acidente de Sam… Elizabeth ainda não aceitava a palavra "morte". Depois, a sua herança do controle da companhia, a pressão da família para que ela vendesse as ações ao público, a própria companhia, a pulsação vibrante de um poder colossal que abarcava o mundo. Era difícil enfrentar tudo isso de uma vez. Naquela noite, quando tomou o avião para a Sardenha, Elizabeth levava a pasta do pai.