A Herdeira [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1985
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:
- E os freios? Estão em perfeitas condições.
Elizabeth sentiu que estava de novo entrando numa zona de irrealidade.
- Que está dizendo?
- Os freios estão funcionando muito bem. A batida não teve a menor ação sobre eles. Foi por isso que eu disse que não faziam mais…
- É impossível! - exclamou Elizabeth. - Os freios desse jipe não estavam funcionando.
- A Sra. Roffe acredita que alguém mexeu nos freios, inutilizando-os - disse o delegado Ferrraro O mecânico sacudiu negativamente a cabeça.
- De jeito nenhum! Aproximou-se do carro no alto do macaco.
- Só há duas maneiras de danificar os freios de um jipe. Ou se cortam as bielas dos freios ou se desatarraxa esta porca e se deixa o óleo dos freios escorrer. Como pode ver, esta biela está firme e eu verifiquei o tambor dos freios. Está cheio. Ferraro olhou para Elizabeth e disse: - Posso muito bem compreender que no seu estado…
- Um momento! - exclamou Alec, e voltou-se para o mecânico. - Não é possível que alguém tenha cortado esses bielas, substituindo-as depois, e que essa mesma pessoa tenha tornado a encher o tambor dos freios e depois de esvaziá-los?
- Não, não é possível. Ninguém tocou nestas bielas. Está vendo esta porca? Se alguém a tivesse afrouxado, haveria marcas recentes de chave inglesa nela, e não há nenhuma. Pelo menos, há seis meses ninguém toca nesta porca. Não há nada com estes freios e eu vou mostrar-lhes. Foi até a parede e ligou um comutador. O macaco hidráulico principiou a descer o jipe para o chão. O mecânico entrou no jipe, ligou o motor e deu marcha à ré no carro. Quando estava quase encostando na parede dos fundos na direção do detetive Campagna. Elizabeth deu um grito, e neste instante o carro parou de súbito a alguns centímetros do homem. O mecânico não tomou conhecimento do olhar irado do detetive e disse:
- Viram, Os freios estão perfeitos.
Todos se voltaram para Elizabeth, que sabia muito bem o que estavam pensando.
Mas isso não diminuíra o terror daquela descida pela montanha. Sentira perfeitamente o seu pé comprimir o freio sem que nada acontecesse. O mecânico da polícia tinha provado que os freios estavam em ordem. A não ser que também estivesse metido na trama. E o delegado também… Estou é ficando paranóica, Pensou Elizabeth. Alec murmurou desalentadamente:
- Elizabeth…
- Quando eu estava dirigindo o jipe, os freios não funcionavam. Alec perguntou então ao mecânico:
- Vamos supor que alguém tivesse tomado providências para que os freios desse jipe não funcionassem. Que mais poderia fazer?
- Poderia ter molhado as lonas do freio - disse o detetive Campagna.
Elizabeth sentiu o nervosismo crescer dentro dela.
- Que aconteceria se alguém fizesse isso?
- Quando as lonas do freio comprimissem o tambor, não haveria tração.
- Tem razão - disse o mecânico, e perguntou a Elizabeth. - Os freios estavam funcionando logo que saiu com o jipe?
Elizabeth se lembrara de que manobrara o jipe para sair da garagem e chegara às primeiras curvas usando os freios.
- Estavam funcionando, sim - disse ela.
- Está aí a explicação - disse o mecânico vitoriosamente. - A chuva molhou a lona dos freios.
- Espere um pouco - disse Alec. - Alguém não poderia ter molhado tudo antes que ela saísse?
- Nesse caso - disse o mecânico pacientemente -, os freios não teriam funcionado desde o início. O delegado falou com Elizabeth.
- A chuva pode ser muito perigosa, Senhorita Roffe, especialmente nas estradas estreitas de montanha. Casos assim acontecem com muita frequência.
Alec olhava indeciso para Elizabeth. Ela se sentiu mal. Afinal de contas, tudo não passara de um acidente. Queria sair dali o mais depressa possível. Olhou para o delegado.
- Desculpe ter-lhe causado todo esse incômodo.
- Sinto muito pelo acidente, mas tive muito prazer em servi-la. O detetive Campagna irá levá-la de carro para a sua Villa.
Alec disse a ela:
- Não leve a mal, mas você Está terrivelmente abatida. Quero que vá para a cama e passe alguns dias sem se levantar. Vou pedir alguns mantimentos pelo telefone?
- Se eu ficar na cama, quem vai cozinhar?
- Ora essa, eu! - exclamou Alec.
Naquela noite, preparou o jantar e levou-o para Elizabeth na cama.
- Creio que não sou muito bom cozinheiro - disse Alec, colocando a bandeja diante de Elizabeth.
Falando assim, Alec estava sendo muito pretensioso. Não havia um só prato que não estivesse queimado ou salgado demais. Mas Elizabeth conseguiu comer, não só porque estava com fome, mas também para não melindrar Alec. Conversaram sobre um milhão de assuntos durante o jantar. Alec não se referiu à situação que ela criara na garagem da polícia. Elizabeth ficou-lhe muito grata por isso.
Os dois passaram mais alguns dias na Villa. Elizabeth continuou na cama e Alec, a fazer confusão na cozinha, lendo de vez em quando para ela.
Ivo e Simonetta telefonavam diariamente para saber como ela estava e o mesmo faziam Hélsne e Charles e Walther. Até Vivian telefonou para saber dela. Todos se ofereciam para ir fazer-lhe companhia na ilha.
- Estou passando bem - dizia ela. - Não há motivo para que venham aqui. Voltarei para Zurique dentro de poucos dias.
Rhys Williams telefonou. Elizabeth só compreendeu a falta que ele lhe fazia quando ouviu a voz dele.
- Ouvi dizer que você quis fazer concorrência a Hélsne como piloto - disse ele, brincando, mas ela notou preocupação na voz dele.
- Em descida de montanha, duvido que ela seja páreo para mim. -Parecia-lhe incrível que estivesse pilheriando com o que acontecera.
- Fico muito contente de que você esteja bem, Liz. - O tom e as palavras dele encheram-na de alegria.
Estaria ele naquele momento em companhia de outra mulher? Se estivesse, devia ser uma mulher muito bela. Dane-se!
- Sabe que você saiu nos jornais do mundo inteiro?
- Não.
Falaram pelo telefone durante meia hora, e ao desligar Elizabeth estava se sentindo muito melhor. Rhys parecia sinceramente interessado nela. Gostaria de saber se ele fazia todas as outras mulheres sentirem-se assim. Aquilo fazia parte do encanto dele.
Lembrou-se do jantar de aniversário. Sra. Rhys Williams.
Alec entrou no quarto e perguntou:
- O que houve? Está rindo à toa?
- Estou.
Rhys sempre lhe dera aquela sensação de felicidade. Talvez fosse melhor falar a Rhys sobre o relatório confidencial. Alec tinha providenciado para que um avião da companhia os levasse para Zurique.
- Não gostaria que você saísse daqui ainda - disse ele -, mas há alguns assuntos urgentes que devem ser resolvidos o quanto antes.
O vôo para Zurique foi calmo. Repórteres esperavam-na no aeroporto. Elizabeth fez uma breve declaração sobre o acidente. Em seguida, Alec levou-a para o carro, e os dois partiram para a sede da companhia.
Ela estava na sala de reuniões com todos os membros da diretoria presente, além de Rhys. A reunião já durava três horas, e o ar estava impregnado da fumaça dos charutos e cigarros. Elizabeth ainda estava abalada pelo acidente e sentia uma tremenda dor de cabeça. Os médicos haviam-na tranquilizado, dizendo que as dores de cabeça eram uma consequência do abalo nervoso e dentro em pouco passariam. Olhou para os rostos cheios de tensão e de raiva que a cercavam.
- Resolvi não vender - tinha dito Elizabeth.
Pensaram que ela estava sendo arbitrária e obstinada. Se soubessem a tentação que ela teve de ceder! Mas agora era impossível. Alguém dentro daquela sala era um inimigo, e se ela batesse em retirada, esse inimigo seria vitorioso. Tinham tentado convencê-la, cada qual à sua maneira. Alec apresentara argumentos lógicos.
- Acompanhia precisa de um presidente experiente. Particularmente agora, Elizabeth. Para o seu bem e para o bem de todos, gostaria de vê-la afastada disso.