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Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:

A Herdeira [em Português]
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O fato havia prejudicado consideravelmente a reputação da empresa. Em seguida, o relatório tratava de importantes projetos de pesquisa em que os cientistas da Roffe and Sons vinham trabalhando havia vários anos. Entre eles, quatro projetos de inestimável valor. O seu desenvolvimento ao todo tinha custado mais de cinquenta milhões de dólares. Em todos os casos, a firma rival havia requerido patentes para os produtos antes da companhia, apresentando fórmulas idênticas. O relatório continuava:

"Um caso isolado poderia ser atribuído a simples coincidência. Num campo em que dezenas de companhias trabalham em setores correlatos, é inviável que várias firmas desenvolvam o mesmo tipo de produto. Mas o fato de que isso tenha acontecido quatro vezes no curto espaço de alguns meses força a concluir que alguém, a serviço da Roffe and Sons, deu ou vendeu o material de pesquisa à firma concorrente. Em vista da natureza secreta das experiências e do fato de que elas se realizaram em laboratórios bem distantes uns dos outros, dentro de condições da m xima segurança, é lógico supor que as pessoas respons veis tenham acesso aos arquivos mais secretos da companhia.

Assim, podemos chegar à conclusão de que se trata de alguém situado no mais alto escalão da Roffe and Sons". Havia mais.

Uma grande quantia de substâncias tóxicas fora erradamente rotulada e despachada. Antes que ela pudesse ser recolhida, tinha havido várias mortes, com péssima publicidade para a companhia. Ninguém sabia quem tinha colocado os rótulos errados. Uma toxina mortífera desaparecera de um laboratório sob pesada guarda. Uma hora depois, uma pessoa não foi identificada havia comunicado o fato aos jornais e desencadeara um alarma.

As sombras da tarde se alongavam lá fora e a noite chegou. Elizabeth continuava totalmente absorvida pelo documento que tinha nas mãos. Quando a sala ficou escura, ela acendeu uma luz e continuou a ler aquela série de horrores. Nem mesmo o tom seco e sucinto do relatório podia dissimular o drama que havia em tudo aquilo. Uma coisa era clara. Alguém estava metodicamente tentando prejudicar ou destruir a Roffe and Sons.

Alguém no mais alto escalão executivo da companhia. Na última página, havia uma nota à margem escrita com a letra precisa e inconfundível de seu pai: "Pressão sobre mim para vender as ações da companhia ao público? é preciso desmascarar o patife!"

Lembrou-se então de como Sam lhe parecera preocupado nos últimos tempos.

Vivia angustiado por aquele terrível segredo e não tinha em quem confiar. A nota na primeira página dizia que não havia cópias. Elizabeth julgava que o relatório provinha de uma agência de investigação particular. Por conseguinte, só Sam tinha conhecimento daquele relatório. Depois de Sam, ela. A pessoa culpada não tinha idéia de que estava sob suspeita. Teria Sam interpelado de algum modo a pessoa antes do acidente? Ela não tinha como descobrir. Elizabeth sabia, que havia um traidor. Alguém no mais alto escalão executivo da companhia.

Ninguém mais teria oportunidade ou capacidade de levar a cabo tanta destruição em níveis tão diferentes. Era por isso que Sam se recusara a vender ações ao público?

Estaria procurando primeiro descobrir quem era o culpado? Depois da companhia vendida, seria impossível realizar uma investigação secreta, pois todas as providências tomadas seriam logo do conhecimento de um grupo de estranhos. Elizabeth pensou na reunião da diretoria que participara, durante a qual todos lhe haviam recomendado que vendesse. Sentiu-se de repente muito sozinha naquela casa. Deu um salto ao ouvir o telefone tocar. Foi atender.

- Alo?

- Liz? É Rhys. Acabo de receber o seu recado.

Era bom ouvir a voz dele, mas lembrou-se de repente do motivo pelo qual quisera falar com ele. Era para dizer que resolvera assinar e deixar que vendessem a companhia.

Mas em poucas horas tudo havia mudado. Olhou para o retrato do velho Samuel, que fundara a companhia e tinha lutado por ela, dedicando-lhe toda a sua vida.

- Rhys, quero uma reunião da diretoria na terça-feira, às duas horas. Quer tomar as providências necessárias?

- Terça-feira,às duas horas? Está bem. Mais alguma coisa?

- Não. Só isso. Muito obrigada.

Elizabeth desligou o telefone. Ia lutar contra todos eles.

Estava no alto de uma montanha, escalando-a em companhia do pai. "Não olhe para baixo", dizia constantemente o pai, e Elizabeth desobedecia. Olhava para baixo e não via senão milhares de metros de espaço vazio. De repente, houve o surdo ronco de um trovão e um raio veio ziguezagueando na direção deles. Atingiu a corda de Sam, incendiou-a e Sam começou a cair no espaço vazio. Elizabeth viu o corpo do pai rolar e começou a gritar, mas seus gritos eram abafados pelo ribombar dos trovões. Acordou em sobressalto, com a camisola ensopada de suor e o coração batendo descompassadamente. Houve um trovão mais forte, e Elizabeth viu a chuva entrar pelas janelas abertas. Levantou-se e fechou-as. Pelas vidraças viu as nuvens de tempestade que enchia o céu e os relâmpagos que iluminavam o horizonte, mas não prestou atenção a nada disso. Estava pensando no sonho que tivera. Pela manhã, a tempestade passara sobre a ilha, deixando apenas uma chuva fina. Elizabeth esperava que o mau tempo não retardasse a chegada de Alec.

Depois da leitura do relatório, tinha ardente necessidade de falar com alguém.

Enquanto isso, seria bom guardar o relatório num lugar seguro. Havia um cofre na sala da torre, e ela o colocaria lá. Tomou um banho, vestiu um suéter e calças velhas e foi então à biblioteca pegar o relatório. Não estava mais lá.

Capítulo 19 Parecia que um furacão havia passado pela sala. A tempestade abrira as janelas, e o vento e a chuva haviam espalhado e desarrumado tudo. Algumas páginas do relatório estavam em cima do tapete molhado, mas o resto fora evidentemente levado pelo vento.

Foi até à janela. Não via papéis no gramado, mas o vento poderia ter levado pela borda do penhasco. Fora certamente isso o que acontecera. Não havia cópias. Tinha, portanto, de descobrir o nome do investigador que Sam contratara.

Talvez Kete Erling soubesse. Mas já não podia ter certeza de que Sam confiava em Kete Erling. Tudo se tornara um jogo terrível, em que ninguém podia confiar em ninguém. Daí por diante, devia ter cuidado em tudo o que fizesse.

Lembrou-se, de repente, de que estava sem comida em casa. Podia ir fazer contas em Cala di Volpe e estar de volta antes que Alec chegasse. Foi até o armário embutido do hall e apanhou uma capa e uma charpe para a cabeça. Mais tarde, quando a chuva parasse, procuraria as outras folhas do relatório nos arredores da casa.

Pegou a chave do jipe e dirigiu-se à garagem. Ligou o motor e manobrou cuidadosamente para sair da garagem, dirigindo com todo o cuidado, em vista do chão molhado pela chuva.

Virou depois à direita para seguir a estreita estrada da montanha que ia para a aldeia de Cali di Volpe, mais abaixo. Não havia movimento na estrada àquela hora. Na verdade, era difícil havê-lo a qualquer hora, pois raras eram as casas construídas naquela altura. À esquerda, o mar estava escuro e parecia revolto, ainda agitado pela tempestade da véspera.

Dirigia com muito cuidado, pois aquele trecho da estrada era traiçoeiro. Muito estreito, com duas pistas, abria-se no flanco da montanha, ao lado de um enorme precipício. De um lado, o paredão de pedras da montanha; do outro, uma descida de centenas de metros até o mar. Elizabeth seguia beirando a outra pista, freando um pouco para contrabalançar o impulso da descida. O carro aproximou-se de uma curva fechada.

Ela pisou automaticamente nos freios para controlar a descida do jipe. Os freios não funcionaram! O fato levou algum tempo para ser consciencializado. Elizabeth tornou a frear, pisando no pedal com toda sua força, mas sentiu o coração bater mais forte ao ver que o jipe continuava a ganhar velocidade na descida.

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