A Herdeira [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1985
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:
- Qual dos diretores? - perguntou Elizabeth, sentindo um arrepio.
- Walther Gassner.
- De hoje em diante, quero que faça as suas comunicações exclusivamente a mim.
Joeppli olhou-a com surpresa e disse:
- Está bem, Senhorita Roffe.
- Quando poderemos lançar esse produto no mercado?
- Se tudo correr bem, dentro de um ano e meio a dois anos.
- Muito bem. Se precisar de alguma coisa, dinheiro, pessoal, equipamento, fale comigo. Quero que trabalhe o mais depressa possível.
- Muito obrigado.
Elizabeth levantou,-se e Emil Joeppli acompanhou-a, dizendo, com um sorriso:
- Tive muito prazer em conhecê-la. Gostava muito de seu pai.
- Muito obrigada - disse Elizabeth.
Sam tinha tido conhecimento daquele projeto. Seria essa uma das razões pelas quais se negara a vender as ações da companhia? Quando ela já ia saindo, Emil Joeppli lhe disse:
- Isso tem que dar certo em gente.
- Claro - disse Elizabeth. Era preciso.
- Como um projeto de Pasta Vermelha é executado?
- Desde o início? - perguntou Kate Erling.
- Desde o início.
- Bem, como sabe, temos várias centenas de produtos novos em fase experimental.
- Quem os autoriza?
- Até determinar a verba, os chefes dos departamentos interessados.
- Qual o limite da verba?
- Cinquenta mil dólares.
- E acima disso?
- O projeto tem de ser aprovado pela diretoria. É claro que um projeto não passa à categoria de Pasta Vermelha senão depois de bem sucedido nas experiências iniciais.
- Isso é, só depois que tenha probabilidades de dar resultados.
- Exatamente.
- Como funciona a proteção ao projeto?
- Se o projeto é considerado importante, todo o trabalho é transferido para um laboratório de máxima segurança. Todos os papéis são retirados dos arquivos gerais e levados para um arquivo de Pasta Vermelha. Só três pessoas têm acesso a esses arquivos, o cientista encarregado do projeto, o presidente da companhia e um dos diretores.
- Quem escolhe o diretor?
- Seu pai escolheu Walther Gassner.
No momento em que acabou de falar, Kate Erling percebeu o seu erro. As duas mulheres se olharam, e Elizabeth disse:
- Muito obrigada, Kate. É só isso.
Elizabeth não havia mencionado o projeto de Joeppli. Entretanto, Kate compreendera do que Elizabeth estava falando.
Havia duas possibilidades. Ou Sam havia confiado em Kate e lhe falara sobre o projeto de Joeppli ou ela soubera dele por si mesma, a serviço de alguém. Era muito importante não dar margem a que alguma coisa desse errado.
Ela verificaria pessoalmente a segurança. Tinha também de falar com Walther Gassner. Estendeu a mão para o telefone e parou. Havia um meio melhor.
Naquela mesma tarde, Elizabeth embarcou em um vôo regular para Berlim.
Walther Gassner parecia nervoso. Estavam sentados a uma mesa de um canto do salão do andar superior do Restaurante Papillon, no Kurfürstendamm. Sempre que Elizabeth ia a Berlim, Walther insistia em recebê-la para jantar em casa, em companhia de Anna.
Dessa vez, nem falaram nisso e sugerira o restaurante, ao qual havia chegado só.
Walther Gassner ainda tinha as feições bem-marcadas de um jovem artista de cinema, mas já se notava alguma deterioração na fachada. O rosto mostrava rugas de tensão e as mãos nunca ficavam paradas. Parecia estar sob o domínio de extraordinária tensão. Quando Elizabeth perguntou por Anna, respondeu vagamente:
- Anna não está passando bem. Não pôde vir.
- Algum problema grave?
- Não. Isso passa. Ficou em casa descansando.
- Vou telefonar para saber dela.
- É melhor não perturbá-la.
Era uma conversa surpreendente, pois Walther, a quem Elizabeth sempre conhecera animado e extrovertido, estava reservado e reticente. Ela falou então no projeto de Emil Joeppli.
- Precisamos muito do que ele está fazendo.
- Vai ser uma grande coisa - murmurou Walther.
- Pedi-lhe que não lhe comunicasse mais nada - disse Elizabeth. As mãos de Walther ficaram de repente imóveis.
- Por que fez isso, Elizabeth?
- Não é nada pessoal contra você, Walther. Eu faria a mesma coisa com qualquer outro diretor que estivesse trabalhando com ele. O que acontece é que quero cuidar do projeto à minha maneira.
- Compreendo - disse ele, ainda sem mover as mãos. - É um direito seu. - Fez uma pausa e continuou com um sorriso forçado, que mostrava quanto aquilo estava lhe custando. - Escute, Elizabeth, Anna possui muitas ações da companhia. Mas não pode vendê-las sem a sua aprovação. Isso é muito importante para nós…
- Sinto muito, Walther, mas não posso concordar por enquanto com a venda das ações. Neste momento, as mãos de Walther voltaram a agitar-se nervosamente.
Capítulo 24 Julius Badrutt era um homem magro e frágil, que parecia um louva-a-deus metido num terno preto. Era como um boneco desenhado por uma criança, com pernas e braços angulosos e um rosto magro e inacabado desenhado no alto do corpo. Estava sentado à mesa da diretoria da Roffe and Sons, diante de Elizabeth. Havia mais cinco banqueiros em companhia dele. Todos usavam ternos pretos com colete, camisas brancas e gravatas escuras.
Elizabeth pensava que estavam não apropriadamente vestidos, mas fardados.
Vendo os rostos impassíveis e frios em volta da mesa, Elizabeth não conseguia dominar seus receios. Antes da reunião, Kate Erling tinha levado para a sala uma bandeja com doces. Os banqueiros recusaram o café e os doces, do mesmo modo que antes não tinham aceito o convite dela para almoçar.
Era mau sinal. Queriam dizer com isso que estavam ali apenas para receber o dinheiro que lhes era devido.
- Antes de tudo - disse Elizabeth -, quero agradecer a presença de todos. - Houve polidos resmungos ininteligíveis em resposta. Ela respirou fundo e continuou: - Pedi que viessem até aqui para discutirmos uma prorrogação dos empréstimos contraídos com os senhores pela Roffe and Sons.
Julius Badrutt sacudiu a cabeça em breves movimentos quase convulsivos.
- Sinto muito, Senhorita Roffe. Já informamos…
- Ainda não acabei - disse Elizabeth. - Se eu estivesse no lugar dos senhores também recusaria. Os banqueiros se entreolhavam, confusos. - Se estavam preocupados com os empréstimos quando meu pai, que era um homem brilhante, estava dirigindo a companhia, por que iriam conceder uma prorrogação a uma mulher inexperiente como eu?
- Creio que deu resposta cabal à pergunta que fez - disse Julius Badrutt secamente. - Não temos a intenção de…
- Espere um pouco. Ainda não acabei.
Observaram-na agora com mais cautela. Ela olhou para cada um dos homens, a fim de ter certeza de que estava merecendo toda a atenção deles. Tratava-se de banqueiros suíços, respeitados e invejados no mundo inteiro. Escutavam todos atentamente, e a sua atitude anterior de impaciência e enfado cedera lugar à curiosidade.
- Todos os senhores conhecem a Roffe and Sons há muito tempo. E tenho certeza de que conheceram e respeitaram meu pai. Alguns homens fizeram sinais de assentimento. - Imagino que devem ter-se engasgado com o café da manhã quando leram a notícia de que eu havia ficado no lugar dele.
Um dos banqueiros sorriu, depois riu francamente e disse:
- Tem toda a razão, Senhorita Roffe. Se todos nós estamos de acordo, como disse, todos nós nos engasgamos com o café da manhã.
- Não o censuro - disse Elizabeth, rindo. - Eu teria reagido da mesma maneira. Outro banqueiro tomou a palavra.
- Desculpe a curiosidade, Senhorita Roffe. Se todos nós estamos de acordo quanto ao resultado desta reunião, o que estamos fazendo aqui?
- Estão aqui porque desejei reunir nesta sala os maiores banqueiros do mundo. E agi assim porque não posso acreditar que tenham tido êxito encarando tudo exclusivamente do ponto de vista do dinheiro. Se fosse assim, qualquer guarda-livros poderia ter sucesso como banqueiro. Não pode ser só isso!