A Herdeira [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1985
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:
- Já sabe quem é o novo presidente?
- Não.
- Sou eu. Que acha que vai acontecer quando Her Badrutt souber disso?
- Sem dúvida, aumentar a pressão sobre nós - disse Wilton Kraus.
- Vou falar com ele - disse Elizabeth, sorrindo e recostando-se na cadeira. - Quer tomar café?
- Não, obrigado.
Elizabeth viu Kraus tranquilizar-se. Sabia que fora testado e passara no teste.
- Gostaria de saber sua opinião, Sr. Kraus. Se estivesse no meu lugar, que faria?
O leve ar de superioridade voltou, e ele disse confidencialmente:
- Na minha opinião, tudo é muito simples. O ativo da Roffe and Sons é enorme. Se vendermos um bloco substancial de ações ao público teremos dinheiro em quantidade mais do que suficiente para cobrir todos os nossos empréstimos bancários.
Elizabeth já sabia de que lado ele estava.
Capítulo 22 Hamburgo. Sexta-feira, 1 de outubro. 2 horas.
O vento soprava do mar e o ar da madrugada era frio e úmido. No bairro Reeperbahn, em Hamburgo, as ruas estavam cheias de visitantes ansiosos por experimentarem os prazeres proibidos da cidade. Bebidas, drogas, garotas e rapazes estavam à disposição… mediante um preço.
Os bares com fachadas profusamente iluminadas ficavam na rua principal, enquanto a Grosse Freiheit apresentava os mais lascivos shows de striptease.
A Herbertstrasse, a um quarteirão de distância, estava cheia de prostitutas que se exibiam às janelas de seus quartos com as roupas de dormir tão transparentes, que não ocultavam nada. O Reeperbahn era um vasto mercado onde se podia comprar tudo o que se quisesse em matéria de sexo, desde que se pagasse. O camaraman andou lentamente pela rua sem dar maior atenção às pessoas até que se aproximou de uma loura que não devia ter mais de dezoito anos. Estava conversando com uma amiga. Sorriu quando o homem se aproximou.
- Gostaria de se divertir, Liebchen? Minha amiga e eu podemos atendê-lo. O homem olhou para ela e disse:
- Só você.
A outra mulher encolheu os ombros e afastou-se:
- Como se chama?
- Hildy.
- Quer trabalhar no cinema?
- Não me venha com essa história de Hollywood, que isso não engana mais ninguém.
O camaraman sorriu, tranquilizando-a.
- Nada disso. A minha proposta será: Faço filmes pornô para um amigo meu.
- Vai custar quinhentos marcos. Adiantados.
- Gut.
Ela se arrependeu no mesmo instante de não ter pedido mais. Ora, daria um jeito de ganhar uma gratificação.
- Que é que tenho de fazer? - perguntou Hildy.
Hildy estava nervosa. Estendida na cama, no apartamento mal mobiliado, olhava para os três homens e achava que havia alguma coisa estranha em tudo aquilo. Tinha apurado os seus instintos nas ruas de Berlim, Munique e Hamburgo. Aprendera a se virar por eles, e eles lhe diziam que havia naqueles três alguma coisa que não merecia confiança.
Tinha vontade de sair dali antes que começassem. Só não fazia isso porque já recebera quinhentos marcos, e os sujeitos lhe haviam prometido mais quinhentos marcos se ela trabalhasse bem. Ia trabalhar bem. Era uma profissional e tinha orgulho do seu trabalho. Olhou para o homem nu na cama ao lado dela. Era forte e tinha corpo liso, sem pêlos. O que inquietava Hildy era o rosto do homem. Parecia velho demais para fazer filmes daquela espécie. Mas era o espectador sentado nos fundos do quarto que mais afligia Hildy. Usava um grande capote, chapéu de abas largas e óculos escuros. Hildy não sabia se era homem ou mulher. As vibrações eram ruins. Hildy levou os dedos à fita vermelha que lhe tinham pedido que amarrasse ao pescoço, sem que compreendesse o motivo.
- Muito bem - disse o camaraman. - Estamos prontos. Ação.
Começaram a rodar o filme. Hildy tinha recebido todas as instruções. Quando as manobras preliminares terminaram, o camaraman disse ao homem:
- Entre nela! O ato na cama se desenvolvia rapidamente.
Nos fundos do quarto, o espectador se inclinava para a frente, sem perder um só movimento. Hildy, na cama, fechou os olhos. Ela está estragando tudo!
- Os olhos! - exclamou o espectador.
Assustada, Hildy abriu os olhos. Olhou o homem sobre ela. Era impetuoso e forte.
Assim é que ela gostava. Ele começou a fazer movimentos mais rápidos, e a reação dela foi imediata. Não era comum ela ter orgasmos. Quase sempre fingia, e os homens nem sabiam a diferença. Mas o camaraman a havia avisado que, se ela não sentisse um orgasmo, não recebia o dinheiro da gratificação.
Pensou em todas as coisas boas que ia comprar com o dinheiro e sentiu um orgasmo aproximar-se. Seu corpo começou a estremecer O espectador fez um sinal e o camaraman exclamou:
- Agora! As mãos do homem moveram-se para o pescoço de Hildy.
Ela sentiu a pressão, olhou para os olhos do homem, viu o que havia neles e foi dominada pelo terror. Quis gritar, mas já não podia nem respirar. Lutou desesperadamente, mas não havia meio de livrar-se daquelas mãos de ferro que a estrangulavam. O espectador, do seu canto, não perdia um só detalhe da cena, contemplando os olhos que perdiam o brilho e vendo a mulher ser punida. O corpo de Hildy estremeceu pela última vez e ficou imóvel.
Capítulo 23 Zurique. Segunda-feira, 4 de outubro. 10 horas.
Quando Elizabeth chegou ao seu escritório, encontrou um envelope fechado, com a rubrica "Confidencial", em cima de sua mesa. Era um relatório de química e estava assinado por Emil Joeppli. Estava cheio de termos técnicos, e Elizabeth leu-o do princípio ao fim sem compreender nada. Leu pela segunda e terceira vez, sempre mais vagarosa e atentamente. Quando afinal percebeu o significado, disse a Kate:
- Voltarei dentro de uma hora.
E foi procurar Emil Joeppli. Era um homem alto, de cerca de trinta e cinco anos, com o rosto magro e sardento e que ostentava no alto da cabeça apenas um tufo de cabelos avermelhados. Ficou muito nervoso, pois não estava habituado a receber visitas no seu pequeno laboratório.
- Li o seu relatório -disse Elizabeth. - há muitas coisas nele que não compreendo.
Quer ter a bondade de explicar-me tudo?
O nervosismo de Joeppli desapareceu por encanto. Começou imediatamente a falar, seguro e confiante.
- Tenho feito experiências com um novo método de inibir a diferenciação rápida dos colagênos por meio de técnicas de bloqueio com mucopolissacarídeos e enzimas. Os colagênos são, naturalmente, a base fundamental de proteínas de todo o tecido conjuntivo.
- Está bem - disse Elizabeth. Não se esforçou por compreender a parte técnica das explicações de Joeppli. O que Elizabeth compreendia era que o projeto em que o homem estava trabalhando poderia retardar o processo de envelhecimento. Era uma idéia empolgante. Continuou a ouvir, pensando na revolução que uma descoberta dessa ordem representaria para a humanidade. Segundo Joeppli, não haveria razão alguma para que os homens não chegassem aos cem anos ou a cento e cinquenta e até duzentos.
- Não seria nem preciso tomar injeções - dizia Joeppli. - Com esta fórmula, os ingredientes podem ser tomados via oral, sob a forma de comprimidos.
As possibilidades eram incríveis. Isso representaria nada menos que uma revolução social e se converteria em biliões de dólares para a Roffe and Sons. A companhia fabricaria o produto e concederia licenças a outras empresas. Ninguém com mais de cinquenta anos de idade, deixaria de tomar os comprimidos para manter-se jovem. Elizabeth tinha dificuldade em ocultar o seu interesse.
- Em que pé estão as suas pesquisas neste projeto?
- Como disse no meu relatório, há quatro anos que venho fazendo testes com animais. Os últimos resultados têm sido positivos. Já posso começar a fazer experiências com seres humanos.
Ela gostava do entusiasmo dele.
- Quem mais sabe disso?
- Seu pai sabia. Trata-se de um projeto da Pasta Vermelha, o que quer dizer absolutamente secreto. Só devo fazer as minhas comunicações ao presidente da companhia e a um dos diretores.