A Herdeira [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1985
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:
Ivo fez uso do seu encanto.
- Você é bela e jovem, carissima. O mundo inteiro é seu. Por que escravizar-se a uma coisa tão enfadonha quanto os negócios, quando pode divertir-se, viajar…
- Já viajei muito - disse Elizabeth.
Charles usou a clara razão francesa.
- Você passou a deter o controle acionário em consequência de um trágico acidente, mas não é sensato você querer, por isso, dirigir a companhia. Nós temos problemas muito graves, e sua direção só servir para agravá-los.
Walther falou agressivamente.
- A companhia está em situação muito difícil, a tal ponto que você é incapaz de imaginar. Se não vender agora, depois ser tarde demais.
Elizabeth sentia-se acuada. Ouvia a todos, estudando-os e pesando o que diziam.
Todos eles baseavam os seus argumentos no bem da companhia; no entanto, um deles estava empenhado em destruí-la. Uma coisa era clara. Todos queriam que ela se afastasse, que os deixasse vender as suas ações e levar pessoas estranhas para a Roffe and Sons. Elizabeth sabia que no momento em que fizesse isso as probabilidades de descobrir quem estava por trás de tudo aquilo estariam perdidas. Enquanto permanecesse ali, haveria possibilidade de descobrir o sabotador. Ficaria por tanto tempo quanto fosse necessário. Não passara aqueles três últimos anos com Sam sem aprender alguma coisa a respeito de negócios. Com a ajuda do pessoal qualificado que ele havia preparado, poderia prosseguir nas diretrizes do pai. A insistência de todos para que ela saísse só servia para reforçar a sua determinação de ficar. Resolveu encerrar a reunião.
- Tomei a minha decisão - disse ela -, e não pretendo dirigir a companhia sozinha.
Sei muito bem quanto ainda tenho que aprender. Quero que todos aqui presentes me ajudem. Enfrentaremos os problemas um por um.
Ivo abriu os braços em um gesto desconsolado.
- Será que ninguém pode convencê-la do que é lógico?
- Creio que todos devem concordar com o que ela quiser fazer - disse Rhys, olhando para Elizabeth e sorrindo. -Obrigada, Rhys. Há mais uma coisa, senhores. Como vou ocupar o lugar de meu pai, parece conveniente oficializar o fato, não acham? Charles perguntou, arregalando os olhos:
- Está querendo ser presidente?
- Presidente ela já é - disse Alec. - Está apenas fazendo a gentileza de nos homologar uma situação de fato. Charles hesitou e, por fim, disse:
- Está bem. Proponho que Elizabeth Roffe seja eleita presidente da Roffe and Sons.
A proposta foi aprovada. O ano não é bom para presidentes, pensou ele tristemente. Muitos têm sido assassinados.
Capítulo 21 Ninguém tinha mais consciência do que Elizabeth da enorme responsabilidade que havia assumido. Agora que estava dirigindo a companhia, o emprego de milhares de pessoas dependia dela. Precisava de ajuda, mas não sabia ao certo em quem confiar. Alec, Rhys e Ivo eram os que lhe pareciam mais dignos de confiança, mas não estava ainda preparada para isso. Era muito cedo. Mandou chamar Kate Erling.
- Pronto, Senhorita Roffe.
Elizabeth não sabia por onde começar. Kate Eerling tinha trabalhado durante muitos anos para seu pai. Não podia deixar de ter algum conhecimento das correntezas subterrâneas que fervilhavam sob a aparente calma. Devia estar a par dos segredos da companhia e dos sentimentos e planos de Sam Roffe. Podia ser uma valiosa aliada.
- Meu pai tinha mandado fazer uma espécie de relatório confidencial, Kate. Sabe alguma coisa a respeito disso?
Kate Erling franziu a testa num esforço para concentrar-se, mas acabou sacudindo a cabeça.
- Ele nunca falou nisso comigo, Senhorita Roffe.
Elizabeth tentou descobrir alguma coisa por outro caminho.
- Se meu pai tivesse querido uma informação confidencial, a quem procuraria?
- Naturalmente a nossa divisão de segurança - disse ela, sem hesitação. O último lugar que ele teria procurado.
- Está bem. Muito obrigada - disse Elizabeth.
Não havia ninguém com quem ela pudesse falar.
Havia em sua mesa um relatório financeiro. Elizabeth leu-o com crescente assombro.
Depois, mandou chamar o tesoureiro. Chamava-se Wilton Kraus e era mais moço do que ela esperava. Parecia inteligente e ativo, ao mesmo tempo que ostentava um leve ar de superioridade. Devia ter sido diplomata pela Escola Wharton e talvez pela Universidade de Harvard. Elizabeth entrou diretamente no assunto.
- Como pode uma empresa como a Roffe and Sons estar em dificuldades financeiras?
Kraus olhou para ela e encolheu os ombros. Era claro que não estava habituado a entender-se com uma mulher. Disse então com condescendência:
- Não posso resumir tudo…
- Não resuma nada. Vamos começar pelos fatos. Até há dois anos atrás, a Roffe and Sons sempre dispunha de todo capital de que precisava. - Ela viu a expressão dele mudar.
- Isso é verdade.
- Por que então estamos agora devendo tanto aos bancos?
- Bem, há alguns anos, tivemos um período de expansão excepcionalmente pesado. Seu pai e os outros membros da diretoria julgaram melhor levantar o dinheiro necessário para a expansão tomando empréstimos a curto prazo nos bancos. Em conseqüência, temos agora compromissos com vários bancos no montante de seiscentos e cinqüenta milhões de dólares. Alguns desses empréstimos estão para vencer.
- Já venceram - disse Elizabeth.
- Isso mesmo. Já venceram.
- Estamos pagando os juros combinados e mais um por cento de mora. Por que não pagamos os empréstimos vencidos e não diminuímos o montante dos outros?
O homem já havia passado da fase da surpresa.
- Isso aconteceu… em face de algumas ocorrências imprevistas e infortunadas. Por isso, o movimento de casa da companhia é consideravelmente menor do que fora previsto. Em condições normais, pediríamos prorrogação aos bancos. Entretanto, diante dos problemas, dos vários acordos de indenização, dos prejuízos em nossos laboratórios experimentais e… - Elizabeth estudava o homem, tentando adivinhar de que lado ele estava.
Olhou de novo para os balanços, procurando ver precisamente onde as coisas tinham começado a desandar. Os balanços mostravam acentuado declínio nos últimos três trimestres, principalmente em razão dos pagamentos das indenizações relacionadas sob a rubrica: "Despesas extraordinárias sem recorrência". Elizabeth pensou na explosão no Chile, na nuvem de substâncias tóxicas que se erguera no ar. Pensou nos gritos das vítimas. Uma dúzia de pessoas mortas. Centenas de pessoas levadas para os hospitais.
No fim, todo o sofrimento humano era reduzido a dinheiro e consignado como "Despesas extraordinárias".
- De acordo com o seu relatório, Sr. Kraus os nossos problemas são de caráter temporário. Somos a Roffe and Sons. Representamos ainda um risco da primeira classe para qualquer banco do mundo.
Agora era o homem quem estudava Elizabeth. Sua auto-suficiência havia desaparecido, mas ele se tornara cauteloso.
- Deve compreender,Senhorita Roffe, que a reputação de uma firma de produtos químicos e farmacêuticos é tão importante quanto seus produtos. Quem tinha dito isso a ela? Seu pai? Alec? Lembrou-se: Tinha sido Rhys.
- Continue.
- Nossos problemas se tornaram muito conhecidos. O mundo dos negócios é uma selva sem lei. Quando os concorrentes suspeitarem que você Está ferido, preparam-se para dar o golpe final.
- Em outras palavras - disse Elizabeth -, os nossos concorrentes fazem negócios com os nossos banqueiros e sabem de tudo.
- Exatamente. Os bancos têm um limite de fundo para empréstimos, e quando se convencem de que A é melhor risco do que B…
- E estão convencidos disso?
O homem passou nervosamente a mão pelos cabelos.
- Desde a morte de seu pai, recebi vários telefonemas de Herr Julius Badrutt, presidente do consórcio bancário com o qual negociamos.
- O que ele queria saber?
- Quem ia ser o novo presidente da Roffe and Sons.