Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
Holmes levantou-se de um pulo do lugar onde estava agachado, perto da janela.
– Isto é grave, Watson – ele exclamou. – Há alguma crueldade acontecendo por lá. Por que essa mensagem pararia assim? Tenho que pôr a Scotland Yard neste caso... e mesmo assim, é muito urgente para que o abandonemos...
– Devo chamar a polícia?
– Precisamos definir um pouco melhor a situação. Pode ter uma interpretação mais inocente. Vamos, Watson, vamos agir e ver o que podemos fazer.
Enquanto seguíamos rapidamente pela Howe Street, olhei para a casa de onde acabáramos de sair. E lá, destacada na janela superior, pude ver a sombra de uma cabeça, cabeça de mulher, perscrutando, tensa e rígida, a noite lá fora, esperando com ansiedade o reinício da mensagem interrompida.
Um homem, agasalhado com um cachecol e um sobretudo, estava encostado à porta do prédio de apartamentos.
– Holmes! – ele exclamou assim que aparecemos.
– Ora, Gregson! – respondeu meu amigo, apertando a mão do detetive da Scotland Yard. – Os amantes sempre se encontram no fim da viagem. O que faz aqui?
– Espero que sejam os mesmos motivos que o trazem – disse Gregson. – Não imagino como você entrou neste caso.
– Fios diferentes, mas que levam à mesma meada. Estive observando os sinais.
– Sinais?
– Sim, daquela janela. Foram interrompidos. Viemos ver o motivo. Mas já que o caso está em suas mãos, eu não vejo motivo para continuar.
– Espere um pouco! – exclamou Gregson, ansioso. – Vou ser honesto com o senhor, pois nunca estive num caso em que não me sentisse mais seguro tendo-o ao meu lado. Existe apenas uma saída destes apartamentos, portanto nós o pegamos.
– Quem é ele?
– Bem, bem, passamos na sua frente pelo menos uma vez, sr. Holmes. Deve considerar-nos melhor, desta feita.
Dizendo isso, bateu firme com a bengala no chão, e no mesmo instante um cocheiro saltou da carruagem estacionada do outro lado da rua, com um chicote na mão, e aproximou-se de nós.
– Deixe-me apresentá-lo ao sr. Sherlock Holmes – disse Gregson ao cocheiro. – Este é o sr. Leverton, da Agência Americana Pinkerton.
– O herói do mistério da caverna de Long Island? – perguntou Holmes – Prazer em conhecê-lo, senhor.
O americano, um jovem tranqüilo, com ar eficiente, rosto comprido e bem barbeado, ficou vermelho com o elogio.
– Estou no maior caso de minha vida agora, sr. Holmes. Se eu puder pegar Gorgiano...
– O quê? Gorgiano do Círculo Vermelho?
– Oh, então ele já tem fama na Europa, não? Bem, sabemos tudo a respeito dele na América. Sabemos que está metido em cinqüenta assassinatos, e mesmo assim ainda não temos nada concreto para pegá-lo. Estou na pista dele desde Nova York e faz uma semana que estou de olho nele aqui em Londres, esperando uma desculpa para pôr as mãos nele. O sr. Gregson e eu o seguimos até aqui e, como só há uma porta, ele não conseguirá escapar. Três pessoas já saíram dali desde que ele entrou, mas tenho certeza de que ele não era nenhuma delas.
– O sr. Holmes falou a respeito de sinais – disse Gregson. – Espero que ele saiba, como sempre, muitas coisas que ignoramos.
Holmes explicou, em poucas palavras, como nós víamos a situação. O americano bateu as mãos, desapontado.
– Ele está sabendo de nós! – exclamou.
– Por que diz isso?
– Bem, dá essa impressão, não? Ele está lá, enviando mensagens a um cúmplice – e há vários de sua quadrilha em Londres. Então, de repente, como diz, quando ele estava avisando que havia perigo, a mensagem foi interrompida. O que significa isso a não ser que ele nos viu na rua, da janela onde estava, ou então percebeu de algum modo que o perigo estava perto e que devia agir rapidamente para evitá-lo? O que o senhor sugere, sr. Holmes?
– Vamos subir imediatamente e ver o que aconteceu.
– Mas não temos um mandado de prisão contra ele.
– Ele está num apartamento vazio, em circunstâncias suspeitas – disse Gregson. – Por ora, isso nos basta. Depois que o pegarmos, vamos ver se Nova York não pode nos ajudar a mantê-lo preso. Eu assumo a responsabilidade por sua prisão agora.
Nossos policiais podem não primar pela inteligência, mas sempre são corajosos. Gregson subiu as escadas para prender o assassino temível com a mesma calma fria e profissional com que teria subido as escadas da Scotland Yard. O detetive da Pinkerton tentou ir na frente, mas Gregson o manteve firmemente atrás, usando o cotovelo. Os perigos de Londres eram privilégio da polícia londrina.
A porta do apartamento da esquerda, no terceiro andar, estava meio aberta. Gregson a escancarou. Dentro, tudo era silêncio e escuridão. Risquei um fósforo e acendi o lampião do detetive. Quando a chama firmou-se, todos nós soltamos uma exclamação de surpresa. No chão havia uma marca recente de sangue. As pegadas vermelhas apontavam na nossa direção e conduziam a um outro quarto, cuja porta estava fechada. Gregson a arrombou e ergueu o lampião para iluminar bem o ambiente, enquanto nós espiávamos ansiosos por cima dos seus ombros.
No chão, no meio do quarto vazio, estava a forma encolhida de um homem enorme, rosto barbeado e moreno, horrivelmente grotesco em sua contorção, a cabeça cercada por um halo sinistro de sangue, em meio a uma poça no chão branco.
Estava com os joelhos encolhidos, as mãos abertas em agonia e, no meio de sua garganta, larga e morena, projetava-se o cabo de um punhal enterrado na carne. Grande como era, o homem deve ter caído como um touro abatido com um golpe terrível. Ao lado de sua mão direita estava uma adaga de dois gumes, cabo de chifre, e perto dela uma luva de pelica preta.
– Meu Deus, é Gorgiano, o Negro! – exclamou o detetive americano. – Alguém o pegou antes de nós.
– Aqui está a vela na janela, sr. Holmes – disse Gregson. – Mas o que está fazendo?
Holmes tinha se adiantado, acendera a vela e a estava passando de um lado a outro da janela. Depois espiou para fora, soprou a vela e a jogou no chão.
– Creio que vai nos ajudar – ele disse.
Aproximou-se e ficou pensativo, enquanto os dois profissionais examinavam o corpo.
– O senhor disse que três pessoas saíram do prédio enquanto estava lá embaixo – disse, finalmente. – O senhor as observou de perto?
– Sim, sim.
– Havia um sujeito de uns 30 anos, barba preta, estatura mediana?
– Sim, foi o último a passar por mim.
– Esse é o seu homem, eu acho. Posso dar-lhe sua descrição e, além do mais, temos uma excelente impressão de suas pegadas. Isso deve ser o suficiente para o senhor.
– Nem tanto, sr. Holmes, entre as milhões de pessoas em Londres.
– Talvez não. Por isso achei melhor chamar esta senhora para ajudá-lo.
Ouvindo estas palavras, nós nos viramos. Uma mulher, bonita e alta, estava à porta – a misteriosa inquilina de Bloomsbury. Ela avançou devagar, o rosto pálido e apreensivo, os olhos fixos na figura negra no chão.
– Vocês o mataram! – murmurou. – Oh, Dio mio, vocês o mataram!...
Então, ela deu um suspiro profundo e saiu pulando com um grito de alegria. Dançou em volta do quarto, batendo as mãos, os olhos escuros brilhando de contentamento, e uma torrente de exclamações em italiano jorrando dos seus lábios. Era terrível e ao mesmo tempo espantoso ver a mulher tão alegre com uma visão daquelas. Ela parou de repente e olhou para nós com um ar interrogativo.
– Mas, vocês... são policiais, não? Vocês mataram Giuseppe Gorgiano, não foi?
– Somos da polícia, madame.
Ela olhou em volta, para os cantos escuros do quarto.
– Mas, então... onde está Gennaro? – perguntou. – É meu marido, Gennaro Lucca. Eu me chamo Emília Lucca, e viemos de Nova York. Onde está Gennaro? Há pouco ele me chamou desta janela e eu vim o mais depressa que pude.