Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
Naquela noite preparei o pacote para Sarah Cushing e no dia seguinte o enviei de Belfast. Aí está toda a verdade da história. Podem me enforcar, podem fazer o que quiserem comigo, porque não conseguirão me castigar mais do que já fui castigado. Não consigo fechar os olhos porque vejo aqueles dois rostos me encarando como quando viram meu bote surgir da neblina. Matei-os rapidamente, mas eles estão me matando devagar, e se eu passar mais uma noite assim, vou enlouquecer ou morrer antes de amanhecer. O senhor vai me colocar numa cela sozinho? Pelo amor de Deus, não faça isso, e que o senhor possa ser tratado no dia de sua agonia como me tratar agora.”
– O que significa isso, Watson? – perguntou Holmes em tom solene, quando terminou de ler o documento. – Para que serve este círculo de miséria, violência e medo? Tem de ter uma finalidade, ou então nosso mundo é governado pelo acaso, o que é impensável. Mas que finalidade? Eis aí o grande e eterno problema para o qual a razão humana está tão distante da solução como sempre.
o caso do círculo vermelho
– Bem, senhora Warren, não vejo por que deva se preocupar, nem vejo por que eu deva gastar meu tempo valioso e interferir no caso. Eu realmente tenho outras coisas com que me ocupar.
Assim falou Sherlock Holmes, e voltou novamente sua atenção para o grande álbum de recortes, no qual estava colocando em ordem parte do seu material mais recente. Mas a senhoria tinha a persistência e a esperteza do sexo feminino. Manteve firmemente o ponto de vista.
– O senhor deu um jeito num caso para um de meus inquilinos no ano passado, o sr. Fairdale Hobbs...
– Ah, sim, um casinho simples.
– Mas ele não pára de falar nisso – a sua bondade, senhor, e o modo como esclareceu uma situação nebulosa. Eu me lembro das palavras dele quando eu mesma
estava envolvida em dúvidas e trevas. Eu sei que o senhor conseguiria, se quisesse.
Holmes era acessível por meio da lisonja, e também, justiça seja feita, pela amabilidade. As duas forças o fizeram deixar de lado o pincel de goma-arábica com um suspiro de resignação, e recostar-se na cadeira.
– Bem, bem, sra. Warren, vamos ouvir sua história, então. Não se incomoda se eu fumar? Obrigado. Watson, os fósforos. A senhora está preocupada, pelo que sei, porque seu novo inquilino fica trancado no quarto e não o vê. Ora, senhora Warren, se eu fosse seu inquilino, com freqüência deixaria de me ver durante semanas ou mais.
– Não duvido, senhor, mas aqui é diferente. Isto está me assustando, sr. Holmes. Não durmo de medo. Escuto os passos apressados dele, andando de um lado para o outro desde cedo até tarde da noite e não vê-lo um instante sequer... tudo isso é mais do que posso suportar. Meu marido também está nervoso com isso, como eu, mas ele está sempre fora de casa, trabalhando o dia todo, enquanto eu não tenho paz. Do que ele está se escondendo? O que foi que fez? Com exceção da menina, fico completamente sozinha em casa com ele, e isso é mais do que meus nervos podem agüentar.
Holmes inclinou-se para a frente e tocou, com seus dedos longos e finos, o ombro da mulher. Ele tinha um poder quase hipnótico de acalmar quando queria. A expressão de medo desapareceu do rosto dela e os gestos nervosos voltaram ao normal. Ela sentou-se na cadeira que ele indicou.
– Se eu for cuidar do caso, preciso conhecer todos os detalhes – disse. – Pense com calma. O menor detalhe pode ser essencial. A senhora diz que o homem chegou há dez dias e lhe pagou uma quinzena de casa e comida?
– Ele perguntou minhas condições. Eu disse 50 xelins por semana. Há uma salinha e um quarto mobiliados no andar superior da casa.
– E daí?
– Ele disse: “Vou lhe pagar 5 libras por semana se aceitar as minhas condições.” Sou uma mulher pobre, senhor, e meu marido ganha pouco; o dinheiro significa muito para mim. Ele tirou uma nota de 10 libras e ficou a mostrá-la para mim. “Pode receber a mesma quantia durante 15 dias, por muito tempo, se mantiver as condições”, ele disse. “Se não, nada tenho a tratar com a senhora.”
– Quais eram as condições?
– Bem, senhor, ele queria ter uma chave da casa. Até aí, tudo bem. Inquilinos sempre a têm. Ele também deveria ser deixado inteiramente só e nunca, sob nenhum pretexto, ser perturbado.
– Nada de mais nisso, não?
– Parece, senhor, mas isso está fora de qualquer lógica. Faz dez dias que ele está lá e nem meu marido, nem a menina, ninguém pôs os olhos nele desde então. Escutamos os passos dele, andando de um lado para o outro, de noite, de manhã, de tarde. Com exceção da primeira noite, ele nunca mais saiu de casa.
– Oh, então ele saiu na primeira noite, certo?
– Sim, senhor, e voltou bem mais tarde, depois que todos nós já estávamos deitados. Ele me havia dito, depois que alugou o quarto, que iria agir assim e me pediu para não trancar a porta. Eu ouvi quando ele subiu a escada depois da meia-noite.
– E as refeições?
– Foi recomendação especial dele que nós devíamos, sempre que ele tocasse a campainha, deixar o prato sobre uma cadeira, do lado de fora da porta. Ele tocaria de novo quando tivesse terminado, e nós pegaríamos o prato na mesma cadeira. Quando ele quer alguma outra coisa, escreve em letra de fôrma num pedaço de papel e deixa ali.
– Letra de fôrma?
– Sim, com um lápis, em letra de fôrma, apenas a palavra e nada mais. Aqui está uma que trouxe para lhe mostrar. “SABONETE”. Eis outra: “FÓSFORO”. Esta ele deixou na primeira manhã “DAILY GAZETTE”. Deixo-lhe o jornal, junto com o café, toda manhã.
– Ora, Watson – disse Holmes, olhando com grande curiosidade para as tiras de papel que a mulher lhe entregara – isto é realmente estranho. Posso entender a reclusão, mas por que escrever com letra de fôrma? Escrever assim é mais trabalhoso. Por que não escrever normalmente? O que significa isso, Watson?