Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
Eram três irmãs. A mais velha era uma boa mulher, a segunda, um demônio, e a terceira, um anjo. Sarah tinha 33 anos e Mary 29 quando eu me casei. Éramos muito felizes quando fomos morar juntos, e em toda Liverpool não havia ninguém melhor do que minha Mary. Então convidamos Sarah para passar uma semana conosco, a semana se estendeu para um mês e, uma coisa levando a outra, ela finalmente ficou sendo uma de nós. Eu não bebia naquela época, e estávamos guardando dinheiro, e tudo estava indo muito bem. Meu Deus, quem poderia pensar que terminaria assim? Quem poderia sonhar com isso? Normalmente eu ficava em casa nos fins de semana e muitas vezes passava a semana toda, se acontecesse de o navio estar sendo carregado, de modo que via freqüentemente minha cunhada, Sarah. Ela era uma bela mulher, alta, morena, ativa e enérgica, porte solene e um brilho faiscante nos olhos. Mas quando minha pequena Mary estava comigo, eu nunca pensava em Sarah, e isso eu juro como espero a misericórdia de Deus. Às vezes parecia que ela gostava de ficar sozinha comigo, ou que gostava de me convidar para passear com ela, mas nunca dei importância a isso. Mas, uma noite, abri meus olhos. Eu havia chegado do navio e vi que minha mulher tinha saído, mas Sarah estava em casa.
– Onde está Mary? –, perguntei.
– Oh, ela saiu para pagar algumas contas. – Eu estava impaciente e fiquei andando de um lado para o outro na sala.
– Você não consegue ficar feliz durante cinco minutos sem Mary, Jim? –, ela perguntou.
– É pouco lisonjeiro para mim que você não se contente com a minha companhia por tão pouco tempo.
– Tudo bem, minha cara –, eu disse, estendendo gentilmente minhas mãos para ela, mas ela as segurou por uns segundos e suas mãos estavam queimando como se ela estivesse com febre.
Olhei-a nos olhos e vi tudo. Ela não precisava falar, nem eu. Fiquei sério na mesma hora e retirei minhas mãos. Então ela ficou em silêncio ao meu lado por um instante e depois, colocando a mão no meu ombro, disse: "Fique calmo, Jim", e saiu da sala com um riso de escárnio.
Bem, a partir daquela ocasião Sarah me odiou de todo o coração – e ela é uma mulher que sabe odiar também. Fui um tolo por ter deixado que ela continuasse conosco – um completo idiota – mas nunca disse uma palavra sequer a Mary, já que eu sabia que isso iria magoá-la. As coisas continuaram como antes, mas depois de algum tempo percebi uma certa mudança em Mary. Ela sempre fora confiante e inocente, mas tornou-se esquisita e desconfiada, querendo saber onde eu estivera e o que fizera, quem me mandava cartas, o que eu tinha nos bolsos, e centenas de coisinhas bobas. A cada dia ela ficava mais estranha, mais irritável, e brigávamos por qualquer coisa. Fiquei intrigado com tudo isso. Sarah me evitava então, mas ela e Mary eram inseparáveis. Agora entendo que ela estava conspirando malevolamente e envenenando minha mulher contra mim, mas eu era tão cego que não percebi isso naquela época. Então quebrei minha promessa e comecei a beber de novo, mas eu acho que não teria recomeçado se Mary tivesse continuado a ser a mesma. Agora ela tinha motivo para ficar desgostosa comigo e a distância entre nós começou a ficar cada vez maior. E então esse Alec Fairbairn apareceu, e as coisas ficaram ainda piores. Foi para ver Sarah que ele começou a aparecer em minha casa, mas logo depois para nos ver, já que ele era um homem insinuante e fazia amigos com facilidade. Era um sujeito agradável, impetuoso, elegante e esperto, que já estivera em meio mundo e sabia contar coisas que já vira. Era uma companhia agradável, não nego, e maravilhosamente educado para ser um marinheiro, de modo que eu acho que muitas vezes ele viajou mais como passageiro do que como tripulante. Durante um mês ele ia todos os dias à minha casa e eu nunca suspeitei que pudesse surgir alguma maldade de suas maneiras suaves e educadas. Então, finalmente alguma coisa despertou minha suspeita, e daquele dia em diante minha paz acabou para sempre. Foi uma coisinha à-toa. Voltei repentinamente para casa e, quando entrei pela porta, notei um brilho de boas-vindas no rosto de minha mulher. Mas quando ela viu que era eu, o brilho sumiu e ela se afastou, com o desapontamento estampado no rosto. Foi o suficiente para mim. Não podiam ser de ninguém além de Alec Fairbairn os passos que ela confundiu com os meus. Se eu o visse naquele momento, tê-lo-ia matado, porque fico completamente louco quando perco a calma. Mary viu o brilho diabólico em meus olhos e correu na minha direção, colocando as mãos nos meus braços:
– Não, Jim, não! –, suplicou.
– Onde está Sarah? –, perguntei.
– Na cozinha.
– Sarah! –, gritei quando entrei na cozinha – não quero nunca mais que Fairbairn apareça aqui.
– Por que não? –, ela perguntou.
– Porque eu estou dando uma ordem.
– Oh, se meus amigos não servem para esta casa, então eu também não sirvo.
– Pode fazer o que quiser, mas se Fairbairn aparecer de novo por aqui, vou mandar para você uma orelha dele como lembrança.
Ela ficou amedrontada com meu olhar, eu acho, porque não disse uma palavra, e foi-se embora na mesma noite.
Bem, não sei se foi pura maldade dessa mulher ou se ela pensava que podia me colocar contra minha esposa, estimulando o mau comportamento dela. Seja lá como for, ela alugou uma casa a apenas duas ruas de distância e abriu uma pensão para marinheiros. Fairbairn costumava ficar lá, e Mary ia tomar chá com a irmã e Alec. Não sei quantas vezes ela esteve lá, mas um dia eu a segui, e quando entrei pela porta, Fairbairn fugiu pelo muro do jardim, como o gambá medroso que ele era. Jurei a minha mulher que eu a mataria se a encontrasse de novo na companhia dele, e a levei de volta comigo, soluçando e tremendo, branca feito cera. Não havia mais nenhum vestígio de amor entre nós. Eu podia perceber que ela me odiava e me temia, e só de pensar nisso comecei a beber mais ainda; e ela passou a me desprezar também. Bem, Sarah achou que não podia continuar morando em Liverpool, e voltou, eu acho, para morar com a outra irmã em Croydon; mas as coisas em minha casa continuaram aos trancos como sempre. Chegou, então, esta última semana, com toda a desgraça e ruína. Foi assim: tínhamos partido no May Day para uma viagem de ida e volta de sete dias, mas uma chapa do casco afrouxou e inundou a maquinaria; então tivemos de voltar ao porto para um reparo de 12 horas. Saí do navio e fui para casa, pensando na surpresa que seria para minha mulher e achando que talvez ela ficasse contente em me ver mais cedo. Pensava assim quando entrei na minha rua, e naquele momento vi um coche passando por mim, e lá dentro estava ela, sentada ao lado de Fairbairn, os dois conversando e rindo, sem perceberem que eu estava ali, vendo tudo da calçada. Vou lhes dizer, palavra de honra, que daquele momento em diante eu não estava mais senhor de mim mesmo e tudo me parece um sonho quando tento me lembrar. Eu estivera bebendo bastante e as duas coisas juntas viraram minha cabeça. Tem um negócio batendo na minha cabeça, como uma britadeira, mas naquela manhã parecia que as cataratas do Niágara estavam assobiando e zunindo em meus ouvidos. Saí correndo atrás do carro. Tinha um pesado bastão de carvalho nas mãos e lhes digo que estava furioso; mas, enquanto corria, fiquei esperto também, e me mantive um pouco afastado, para poder vê-los sem ser visto. Logo depois eles desceram na estação de trem. Havia muita gente na bilheteria, de modo que cheguei perto deles, sem que me vissem. Compraram passagens para New Brighton. Eu também, mas fiquei uns três vagões mais atrás. Quando chegamos, eles desceram e se dirigiram para a praia, e eu estava sempre a uns 200 metros de distância. Finalmente os vi alugarem um bote e saírem remando, pois era um dia muito quente e certamente eles pensavam que na água seria mais refrescante. Era como se eles tivessem sido entregues nas minhas mãos. Havia uma espécie de neblina e não se conseguia ver mais do que algumas centenas de metros. Também aluguei um bote e parti atrás deles. Eu só conseguia ver uma mancha do bote deles, pois estavam seguindo tão depressa quanto eu e deviam estar mais ou menos a 1,5 quilômetro da praia, quando eu os alcancei. A neblina era uma espécie de cortina ao nosso redor, e lá estávamos nós três, no meio. Meu Deus, será que vou esquecer a expressão de seus rostos quando descobriram quem estava no barco que se aproximava do deles? Ela gritou. Ele praguejou como um louco e tentou me acertar com um remo, pois viu a morte no meu rosto. Eu me esquivei e o acertei com meu bastão; estourei a cabeça dele como um ovo. Eu podia tê-la poupado, talvez, embora estivesse alucinado, mas ela lançou os braços em volta dele, chorando e se lamentando, chamando-o de ‘Alec!’. Bati de novo e ela caiu ao lado dele. Eu era uma fera selvagem que tinha acabado de sentir o gosto de sangue. Se Sarah estivesse ali, ela se juntaria a eles, por Deus. Arranquei meu facão e... bem, já disse o suficiente. Senti uma espécie de alegria selvagem quando imaginei como Sarah se sentiria ao receber aqueles sinais como resultado de suas intrigas. Amarrei, então, os corpos no barco, quebrei uma tábua e fiquei ali até vê-los no fundo. Eu sabia muito bem que o dono do barco iria pensar que eles haviam se perdido na neblina e acabaram indo para o mar. Limpei-me, voltei à terra e embarquei no navio sem que ninguém desconfiasse do que ocorrera.