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Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]

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Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
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– Eu sei! – exclamei, e arranquei um jornal de uma pilha que estava em cima do sofá. – Sim, aqui está, com certeza. Cadogan West foi o jovem encontrado morto no metrô, na terça-feira de manhã.

Holmes ficou subitamente atento, o cachimbo no ar.

– Isso deve ser muito sério, Watson. Uma morte que faz com que meu irmão mude seus hábitos não deve ser algo comum. Que diabo Mycroft tem a ver com isso? O caso não tinha nada de interessante, se me lembro bem. Aparentemente o jovem tinha caído do trem, suicidando-se. Não tinha sido roubado e não havia motivo aparente para se pensar em violência. Não foi assim?

– Houve um inquérito – eu disse – e muitos fatos novos apareceram. Olhando com mais atenção, eu diria que foi um caso curioso.

– A julgar pelo efeito em meu irmão, eu diria que se trata de algo extraordinário – ele comentou, acomodando-se na poltrona. – Agora, Watson, vamos aos fatos.

– O nome dele era Arthur Cadogan West. Tinha 27 anos, solteiro, e trabalhava no Arsenal Woolwich.

– Funcionário do governo. Veja a ligação com o mano Mycroft!

– Saiu de repente de Woolwich na segunda-feira à noite. Foi visto pela última vez pela noiva, srta. Violet Westbury, que ele deixou repentinamente na neblina às 19:30h daquela noite. Não houve briga entre eles e ela não consegue achar um motivo para a atitude dele. Só se ouviu falar nele novamente quando o corpo foi encontrado por um funcionário de nome Mason, do lado de fora da estação Aldgate do metrô de Londres.

– Quando?

– O corpo foi encontrado às seis horas de terça. Estava atirado sobre os trilhos, do lado esquerdo da linha que vai para o leste, num ponto da estação onde a linha surge do túnel por onde passa. A cabeça estava horrivelmente dilacerada, coisa que poderia ter sido causada pela queda do trem. O corpo só podia atingir o trilho dessa maneira. Se ele tivesse sido arrastado de alguma rua da vizinhança, deveria ter passado antes pelas cancelas da estação, onde há sempre bilheteiro. Este detalhe parece certo.

– Muito bem, o caso está suficientemente definido. O homem, morto ou vivo, caiu ou foi jogado do trem. Até aqui, está claro para mim. Continue.

– Os trens que atravessam os trilhos ao lado dos quais foi encontrado o corpo são os que correm do oeste para o leste, alguns apenas metropolitanos e alguns deles de Willesden e alguns entrocamentos distantes. Podemos ter certeza de que o rapaz, quando morreu, viajava nesse sentido bem tarde da noite; mas em que lugar ele entrou no trem é difícil determinar.

– A passagem, é claro, poderia mostrar isso.

– Não havia bilhete nos seus bolsos.

– Sem bilhetes? Ora, Watson, isto é realmente estranho. De acordo com minha experiência, é impossível chegar à plataforma de um trem metropolitano sem mostrar a passagem. Então o jovem provavelmente tinha uma. Será que a tiraram dele para ocultar o nome da estação de onde ele veio? É possível. Ou ele a terá deixado cair no trem? Isso também é possível. Mas a questão é interessante. Não havia sinais de roubo, não é?

– Aparentemente, não. Aqui está uma lista dos pertences dele. A carteira continha duas libras e 15 xelins. Também tinha um talão de cheques da agência do Capital and Counties Bank em Woolwich. A sua identidade foi descoberta assim. Havia também dois ingressos para o Teatro Woolwich para aquela mesma noite. Também havia um pequeno pacote com documentos técnicos.

Holmes deu uma exclamação de satisfação.

– Finalmente aí está, Watson! Governo britânico, Woolwich, Arsenal, documentos técnicos, meu irmão Mycroft – a cadeia está completa. Mas, aí vem ele, se não me engano, para contar pessoalmente.

Pouco depois a figura alta e corpulenta de Mycroft Holmes entrou apressada na sala. Pesado e maciço, havia um indício qualquer de inércia nele, mas acima do corpo um tanto desajeitado estava uma cabeça com uma fronte autoritária, uma expressão atenta nos olhos cinzentos, os lábios firmes e bem desenhados e um conjunto fisionômico sutil; após a primeira olhada a gente se esquecia do corpo volumoso para se lembrar apenas da mente predominante.

Junto com Mycroft vinha nosso velho conhecido da Scotland Yard, Lestrade, magro e austero. A gravidade dos rostos dos dois anunciava um assunto importante. O policial apertou-nos as mãos sem dizer uma palavra. Mycroft livrou-se de seu sobretudo e caiu pesadamente numa poltrona.

– Um negócio desagradabilíssimo, Sherlock – disse ele. – Detesto alterar meus hábitos, mas a necessidade é imperiosa. Na situação atual do Sião, minha ausência do escritório é desastrosa. Mas é uma verdadeira crise. Nunca vi o primeiro-ministro tão contrariado. O Almirantado... bem, está em polvorosa como uma colméia. Você leu sobre o caso?

– Acabamos de ler. No que consistiam os documentos técnicos?

– Ah, aí está! Felizmente não foram revelados. A imprensa ficaria frenética. Os documentos que o infeliz jovem tinha no bolso eram os planos do submarino Bruce-Partington.

Mycroft Holmes falou com uma solenidade que demonstrava o grau de importância do assunto. Sherlock e eu ficamos na expectativa.

– Certamente que você ouviu falar a respeito disso. Eu achei que todo mundo sabia.

– Ouvi apenas o nome.

– Sua importância dificilmente pode ser exagerada. É o segredo de Estado guardado com mais cuidado. Acredite que uma guerra naval será impossível dentro do raio de operação de um Bruce-Partington. Há dois anos, uma quantia muito grande, camuflada no orçamento, foi usada na aquisição do monopólio da invenção. Estão sendo feitos todos os esforços para mantê-lo em segredo. Os planos, extremamente complicados, incluem trinta patentes separadas, cada uma essencial ao funcionamento do todo; são guardados num cofre-forte especial, num escritório anexo ao arsenal, com portas e janelas à prova de arrombamento. Os planos não podiam sair do escritório sob nenhum pretexto. Se o construtor-chefe da Marinha os quisesse consultar, até mesmo ele era obrigado a ir ao escritório de Woolwich para isso. E agora nós os encontramos no bolso de um funcionário subalterno, morto, no coração de Londres. Do ponto de vista oficial, isto é simplesmente terrível.

– Mas você os recuperou?

– Não, Sherlock, não! E aí é que está a tragédia! Não os recuperamos. Foram tirados dez documentos de Woolwich. Havia apenas sete deles no bolso de Cadogan West. Os três mais importantes sumiram, foram roubados, se evaporaram. Você tem de deixar tudo de lado, Sherlock. Esqueça seus casos policiais. É um problema internacional vital que você tem de solucionar. Como Cadogan West roubou os papéis, onde estão os três que faltam, como ele morreu, como o corpo dele foi parar ali, como resolver o problema? Encontre uma resposta para todas estas perguntas e terá prestado um excelente serviço à pátria.

– Por que você mesmo não o resolve, Mycroft? Você vê tanto quanto eu.

– É possível, Sherlock. Mas é uma questão de ver detalhes. Dê-me os detalhes e eu, sentado numa poltrona, lhe darei em troca uma excelente opinião de perito. Mas correr daqui para lá, interrogar guardas ferroviários, pôr a cara no chão com uma lente... não é meu métier. Não, você é o único homem que pode esclarecer o caso. Se deseja ver seu nome na próxima lista de honrarias...

Meu amigo sorriu e sacudiu a cabeça.

– Eu trabalho por amor à arte – disse. – Mas o problema certamente apresenta alguns pontos interessantes, e terei prazer em investigá-lo. Dê-me mais alguns fatos, por favor.

– Anotei nesta folha de papel os fatos principais, juntamente com alguns endereços que lhe serão úteis. No momento o guardião oficial dos documentos é o famoso perito do governo, sir James Walter, cujas condecorações e subtítulos enchem duas linhas de um livro de consulta. Ele passou a vida no serviço, é um cavalheiro, hóspede bem recebido nas famílias mais distintas e, sobretudo, um homem cujo patriotismo está acima de qualquer suspeita. Ele é um dos dois que possuem a chave do cofre. Devo acrescentar que, sem dúvida nenhuma, os documentos estavam no escritório na segunda-feira, durante o expediente, e que sir James partiu para Londres por volta das três da tarde levando a sua chave. Ele estava na casa do almirante Sinclair, em Barclay Square, durante a maior parte da noite em que ocorreu o incidente.

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