Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– E a senhora relaciona este ataque com seu inquilino?
– Ora, há 15 anos moramos ali e nunca aconteceu uma coisa assim antes. Não quero mais saber dele! Dinheiro não é tudo! Vou fazê-lo sair de minha casa antes de o dia terminar.
– Espere um pouco, sra. Warren. Não faça as coisas de modo precipitado. Começo a achar que este caso é muito mais importante do que pareceu à primeira vista. Está claro agora que algum perigo está ameaçando seu inquilino. Também está claro que os inimigos dele, esperando-o perto de sua casa, pegaram seu marido por engano, na manhã cheia de neblina. Quando perceberam o engano, eles o soltaram. Podemos apenas supor o que fariam se não tivesse sido um engano.
– Bem, o que devo fazer, sr. Holmes?
– Gostaria imensamente de ver seu inquilino, sra. Warren.
– Não sei como se pode conseguir isso, a não ser que o senhor arrombe a porta. Eu sempre o escuto destrancando-a quando desço, depois de deixar a bandeja para ele.
– Ele tem de pegá-la. Com toda a certeza podemos nos esconder e vê-lo.
A mulher pensou por um momento.
– Bem, senhor, há um quarto em frente. Eu posso arrumar um espelho, talvez, e o senhor fica atrás da porta...
– Excelente! Quando ele almoça?
– Ali pelas 13 horas.
– Eu e o dr. Watson estaremos lá, então. Até mais tarde, sra. Warren.
Às 12:30h nós nos achávamos nos degraus da casa da sra. Warren, uma casa alta, de tijolos amarelos, em Great Orme Street, uma ruazinha estreita a noroeste do Museu Britânico. Como fica perto da esquina, tem uma vista da Howe Street, com casas mais elegantes. Com um risinho de satisfação, Holmes apontou para uma das casas, que se destacava das outras.
– Veja, Watson: “Casa vermelha alta com fachada de pedra branca.” É o lugar para os sinais, sem dúvida. Sabemos o lugar e conhecemos o código; de modo que nossa tarefa será simples. Há um cartaz de “Aluga-se” na janela. Evidentemente é um apartamento vazio, ao qual o cúmplice tem acesso. Muito bem, sra. Warren, e agora?
– Está tudo preparado para os senhores. Se subirem agora e deixarem os sapatos aqui, eu os instalarei lá.
Ela arranjara um excelente esconderijo. O espelho fora colocado de tal forma que, sentados no escuro, podíamos ver toda a porta em frente. Mal tínhamos nos instalado, depois que a mulher saiu, quando ouvimos uma campainha tocando, o que significava que o misterioso hóspede tinha chamado. Naquele momento a senhoria apareceu com a bandeja, colocou-a sobre a cadeira, perto da porta fechada e foi-se embora, pisando forte. Espremidos no ângulo da porta, ficamos olhando para o espelho. De repente, depois que os passos da mulher desapareceram, ouvimos uma chave rangendo na porta, a maçaneta se mexeu e duas mãos finas apareceram e pegaram o prato da cadeira. Mas logo em seguida as mesmas mãos largaram o prato na cadeira e eu vi, rapidamente, um rosto bonito, moreno e aterrorizado olhando para a estreita abertura da nossa porta. Ele bateu a porta rapidamente, trancou-a e tudo ficou em silêncio. Holmes puxou-me pela manga e descemos silenciosamente a escada.
– Voltarei à noite – ele disse à mulher ansiosa. – Acho que nós podemos analisar melhor o caso em nossos aposentos, Watson.
– Minha suposição, como você viu, estava correta – disse Holmes, sentado em sua poltrona. Houve uma substituição de inquilinos. O que não previ, Watson, era que encontraríamos uma mulher, e não se trata de uma mulher comum.
– Ela nos viu.
– Bem, ela viu algo que a assustou. Isto é evidente. A seqüência geral dos acontecimentos está bastante clara, não? Um casal procura refúgio em Londres por causa de um perigo terrível e iminente. O tamanho desse perigo pode ser medido pelo rigor das precauções. O homem, que tem um trabalho qualquer a fazer, precisa deixar a mulher em absoluta segurança enquanto ele age. Não é um problema fácil, mas ele resolveu de forma original e de maneira tão eficaz que nem a dona da pensão, que lhe leva as refeições, sabe de sua presença. Os bilhetes, em letra de fôrma, são uma maneira de evitar que descobrissem o sexo dela pela caligrafia. O homem não pode aproximar-se da mulher; do contrário levará até ela os inimigos. Como não pode comunicar-se diretamente com ela, recorreu à seção de anúncios de um jornal. Até aqui, está tudo muito claro.
– Mas qual o motivo disso tudo?
– Ah, sim, Watson, extremamente prático, como sempre! Qual o motivo disso tudo? O extravagante problema da senhora Warren aumenta um pouco e assume um aspecto ainda mais sinistro quando continuamos. Até aqui podemos dizer o seguinte: esta não é uma fuga comum de amor. Você viu o rosto da mulher ao sinal de perigo. Ficamos sabendo, também, que o ataque ao marido da sra. Warren sem dúvida nenhuma era dirigido ao inquilino. Estes alarmes e a desesperada necessidade de segredo, tudo indica ser um caso de vida ou morte. O ataque ao sr. Warren mostra ainda que o inimigo, quem quer que seja, também não está a par da substituição do inquilino. Muito interessante e complexo, Watson.
– Por que você continua? O que tem a ganhar com isso?
– Sim, o quê? É pelo amor à arte, Watson. Acho que você, quando se formou em medicina, muitas vezes cuidou de doenças sem pensar em pagamento, não?
– Enriquecimento de meus conhecimentos, Holmes.
– Essa formação não acaba nunca, Watson. É uma seqüência de lições, a seguinte ainda mais interessante. Aqui nós temos um caso instrutivo. Não há nem dinheiro nem mérito nele, mas mesmo assim a gente quer esclarecê-lo. Quando anoitecer, estaremos num estágio mais avançado de nossas investigações.
Ao voltarmos à casa da sra. Warren, a tristeza da noite de inverno de Londres se transformara numa espessa neblina cinza, envolvendo tudo na monotonia de sua cor, quebrada somente pelos retângulos amarelos e vivos das janelas iluminadas. Olhando pela janela, já dentro da casa, vimos uma luz mais tênue brilhando no alto, na escuridão da noite.
– Alguém está andando no quarto – sussurrou Holmes, com o rosto atento e magro encostado na vidraça. Sim, estou vendo a sombra dele. Lá está ele de novo! Tem uma vela na mão. Está olhando para fora, agora. Quer ter a certeza de que ela está atenta. Começou a sinalizar agora. Pegue a mensagem você também, Watson, e poderemos conferir um com o outro. Apenas um sinal... isso é a letra A, com toda a certeza. Olha lá, de novo. Quantos você contou? 20. Eu também. Isso deve ser um T. Significa AT. Bastante compreensível. Outro T. Certamente é o começo da segunda palavra. Agora... TENTA. Ponto. Será que é tudo, Watson? ATTENTA não significa nada, nem se dividíssimos em três palavras – AT TEN TA, a menos que TA sejam iniciais de um nome. Lá está ele de novo! O que é isso? ATTE... ora, é a mesma palavra de novo. Curioso, Watson, muito curioso! Recomeçou! AT... ora, repetindo pela terceira vez! ATTENTA três vezes. Quantas vezes vai repetir? Não, parece que terminou. Ele saiu da janela. O que você acha, Watson?
– Uma mensagem em código, Holmes.
De repente meu companheiro soltou uma risada de compreensão.
– E não é um código difícil, Watson. Claro, é em italiano. O A significa que é dirigido a uma mulher. “Cuidado”, “Cuidado”, “Cuidado”. E então, Watson?
– Acho que você acertou.
– Sem dúvida. Uma mensagem muito urgente, repetida três vezes para enfatizar isso. Mas, cuidado com o quê? Espere um pouco, ele está voltando à janela.
Vimos de novo a silhueta do homem agachado e o movimento da pequena luz pela janela, quando recomeçou com os sinais. Foram mais rápidos do que antes, tão rápidos que era difícil acompanhá-los.
– PERICOLO... pericolo... hein? o que é, Watson? Perigo, não? Sim, por Deus, é um sinal de perigo. Lá vai de novo. Peri... ora, que diabo...
A luz sumiu de repente, a figura desapareceu da janela e o terceiro andar formava um quadro escuro, no alto do prédio, em comparação com as vidraças iluminadas. O último sinal de aviso fora cortado de repente. Como e por quem? O mesmo pensamento ocorreu a nós dois.