Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– Isso foi verificado?
– Sim, o irmão dele, coronel Valentine Walter, viu sua partida de Woolwich, e o almirante Sinclair, sua chegada a Londres; de modo que sir James não é mais um fator do problema.
– E o outro homem que tem a chave, quem é ele?
– Funcionário graduado e desenhista, sr. Sidney Johnson. Tem 40 anos, é casado, cinco filhos. É um sujeito calado, taciturno, mas no conjunto tem uma excelente ficha no serviço público. Não é muito popular entre seus companheiros, mas é um bom funcionário. De acordo com seu relato, confirmado apenas pela esposa, ele ficou em casa durante toda a noite de segunda-feira, depois que chegou do trabalho, e sua chave nunca saiu da corrente do relógio que usa.
– Fale-nos sobre Cadogan West.
– Estava há dez anos no serviço e sempre fez um bom trabalho. Tem fama de ser irascível e impetuoso, mas é um sujeito sério e honesto. Nada temos contra ele. Trabalhava com Sidney Johnson no departamento. Suas funções faziam com que ele tivesse contato diário e direto com os planos. Ninguém mais mexia neles.
– Quem trancou os planos naquela noite?
– O sr. Sidney Johnson, o funcionário graduado.
– Bem, está perfeitamente claro quem os tirou. Eles foram encontrados com Cadogan West. Isto parece definitivo, não?
– Parece, Sherlock, e mesmo assim há muita coisa inexplicada. Em primeiro lugar, por que ele os pegou?
– Eles não são valiosos?
– Ele poderia conseguir facilmente milhares de libras por eles.
– Será que existe algum outro motivo para que ele levasse os documentos para Londres, a não ser para vendê-los?
– Não, não existe.
– Então temos de trabalhar com essa hipótese. O jovem West levou os papéis. E isso ele só conseguiria com uma chave falsa...
– Várias chaves falsas. Ele tinha que abrir a porta do edifício e a do escritório.
– Então ele tinha várias chaves falsas. Levou os documentos para Londres a fim de vender o segredo, pensando, sem dúvida, em colocá-los novamente no cofre na manhã seguinte, antes que dessem pela falta deles. Enquanto estava em Londres, nessa missão desleal, ele morreu.
– Como?
– Vamos supor que estivesse voltando para Woolwich quando foi morto e atirado do trem.
– Aldgate, onde foi encontrado o corpo, fica muito depois da estação da Ponte de Londres que seria o caminho dele para Woolwich.
– Podemos imaginar vários motivos que o teriam levado a passar da Ponte de Londres. Por exemplo, havia alguém no vagão com quem ele estivesse conversando animadamente. A conversa terminou numa cena violenta, na qual ele perdeu a vida. Talvez ele tenha tentado sair do vagão, caiu nos trilhos e morreu. O outro sujeito fechou a porta. Havia uma densa neblina e não se via nada.
– Com o que sabemos, não se poderia dar uma explicação melhor; mas, mesmo assim, Sherlock, veja quanta coisa você deixou de considerar. Vamos supor, só para um exerciciozinho de argumentação, que Cadogan West tenha mesmo decidido levar os documentos para Londres. Naturalmente ele teria marcado um encontro com o agente estrangeiro aqui e deixado a noite livre. Em vez disso, ele comprou dois ingressos para o teatro, acompanhou a noiva até a metade do caminho e de repente desapareceu.
– Um embuste! – exclamou Lestrade, que ouvia a conversa com impaciência.
– E bem original. Essa é a objeção no 1. Objeção no 2: vamos supor que ele tenha chegado a Londres e se encontrado com o agente estrangeiro. Tem de levar os documentos de volta de manhã bem cedo, ou o roubo será descoberto. Ele levou dez documentos. No seu bolso só havia sete. O que aconteceu com os outros três? Certamente que ele não os deixaria por livre e espontânea vontade. E onde está o pagamento por sua traição? Era de se esperar que se encontrasse uma grande quantia de dinheiro no seu bolso.
– Para mim, está perfeitamente claro – disse Lestrade. – Não tenho a menor dúvida a respeito do que aconteceu. Ele levou os documentos para vendê-los. Encontrou-se com o agente. Não entraram em acordo sobre o preço. Ele voltou para casa e o espião foi com ele. No trem, o agente o matou, pegou os documentos mais importantes e jogou seu corpo do vagão. Isso explicaria tudo, não?
– Por que ele não tinha passagem?
– Ela indicaria qual a estação mais próxima da casa do espião. Assim sendo, ele também a tirou do bolso do morto.
– Ótimo, Lestrade, muito bom – disse Holmes. – Sua teoria se sustenta. Mas se isto for verdade, então o caso está no fim. De um lado, o traidor está morto; de outro, os planos do submarino Bruce-Partington provavelmente já estão no Continente. O que podemos fazer?
– Agir, Sherlock, agir! – exclamou Mycroft, levantando-se. – Todos os meus instintos são contrários a esta explicação. Use suas faculdades. Vá até o local do crime. Fale com as pessoas envolvidas. Examine tudo! Em toda a sua carreira você nunca teve uma oportunidade como esta para servir ao seu país!
– Bem, bem – disse Holmes, encolhendo os ombros. – Vamos, Watson! E você, Lestrade, poderia, por gentileza, acompanhar-nos por uma ou duas horas? Vamos começar nossos trabalhos fazendo uma visita à estação Aldgate. Até logo, Mycroft. Mandarei algumas notícias antes da noite, mas eu já lhe adianto que não deve esperar muita coisa.
Uma hora mais tarde, Holmes, Lestrade e eu estávamos na estação de Aldgate, no ponto onde as linhas saem do túnel pouco antes da estação. Um senhor idoso, gentil e corado estava ali representando a companhia ferroviária.
– Este é o lugar onde estava o corpo do rapaz – disse ele, indicando um ponto a 1 metro dos trilhos. – Não poderia ter caído lá de cima porque, como podem ver, os muros são inacessíveis. Portanto, só pode ter vindo do trem, e daquele trem, e, pelo que pudemos verificar, deve ter sido o que passou por volta da meia-noite de segunda-feira.
– Os vagões foram examinados em busca de sinais de violência?
– Não existem esses sinais, e também não foi encontrada nenhuma passagem.
– Encontraram alguma porta aberta?
– Nenhuma.
– Obtivemos algumas pistas novas esta manhã – disse Lestrade. – Um passageiro, que vinha no trem metropolitano, ali pelas 23:40h de segunda-feira, declarou ter ouvido um baque surdo, como se um corpo tivesse sido atirado nos trilhos, um pouco antes de o trem chegar à estação de Aldgate. Mas havia uma neblina densa e não se enxergava nada. Ele não comunicou o fato na ocasião. Ora, mas que diabo está acontecendo com o sr. Holmes?
Meu amigo, de pé, tinha uma expressão de grande interesse no rosto, olhando para os trilhos onde faziam a curva depois do túnel. Aldgate é um entroncamento e havia uma série de desvios. Seus olhos atentos e vigilantes focalizavam os desvios e eu vi, no seu rosto alerta, o aperto dos lábios, o tremor das narinas, a contração das sobrancelhas espessas, que eu conhecia tão bem.
– Os desvios, os desvios – murmurou ele.
– O que têm eles? O que está querendo dizer?
Suponho que não existam muitas estações com entroncamentos iguais a esta.
– Não, existem bem poucas.
– E uma curva, também. Desvios e curvas. Por Deus, se fosse assim...
– Assim como, sr. Holmes? Tem alguma pista?
– Uma idéia... uma suposição... nada mais que isso. O caso, de qualquer maneira, ganha em interesse. Único, perfeitamente único e... mesmo assim, por que não? Não vejo sinais de sangue nos trilhos.
– Quase não havia sinais.