A Herdeira [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1985
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:
- Permita-me falar-lhe com toda a franqueza. Seu pai era um homem relativamente novo. Tenho certeza de que esperava ainda ter muitos anos de vida. Com o tempo, ele faria naturalmente outro testamento, apontando a pessoa que deveria assumir o controle da companhia. Com toda a certeza, ainda não havia resolvido nada. Mas tudo agora não tem importância. A realidade é que o controle está em suas mãos e cabe-lhe decidir o que fazer, bem como escolher a pessoa que dirigirá a empresa. Nunca houve uma mulher na diretoria da Roffe and Sons, mas, no momento pelo menos, terá de tomar o lugar de seu pai. Há uma reunião da diretoria, na sexta-feira, em Zurique. Poderá comparecer?
Sam não esperaria outra coisa dela. E o velho Samuel também.
- Estarei lá - disse Elizabeth.
LIVRO SEGUNDO
Capítulo 15 Portugal. Quarta-feira, 9 de setembro. Meia-noite.
Num quarto de um pequeno apartamento da Rua dos Bombeiros, numa das ruas escusas e tortuosas do Alto Estoril, estavam rodando uma cena para um filme. Havia quatro pessoas no quarto. Um cameraman, os dois atores sentados na cama, um homem de cerca de trinta anos e uma mulher loura e jovem de uma beleza estonteante, que não usava coisa alguma a não ser uma fita vermelha em volta do pescoço. O homem era alto, com ombros largos de atleta e um peito largo, Estranhamente desprovido de pêlos.
Seu pênis, mesmo não ereto, era enorme. A quarta pessoa era um espectador, sentado em segundo plano. Usava óculos escuros e um chapéu preto de abas largas. O cameraman olhou para o espectador e este lhe fez um sinal. O cameraman ligou a máquina e disse aos atores:
- Pronto! Ação!
O homem ajoelhou-se ante a mulher, e ela tomou seu pênis na boca, até que ele começou a endurecer. Numa pausa a mulher disse:
- Nossa, como é grande!
E depois, à ordem do cameraman, o homem penetrou-a.
- Devagar, querido. - Ela tinha uma voz alta e lamuriosa.
- Parece que você está gostando.
- Como posso gostar? Tem o tamanho de uma melancia.
O espectador se inclinava na sua cadeira e acompanhava tudo o que estava acontecendo. Estava com a respiração ofegante. Aquela mulher era a terceira, e ainda mais bela que as outras. A mulher começou a agitar-se e a gemer na cama.
- Sim, sim - gemeu. - Não pare! - Ela segurou o homem pelos quadris e puxou-o em sua direção. O homem reagiu fazendo movimentos mais vigorosos e rápidos. Ela enterrou suas unhas nas costas nuas do homem. - Oh, sim - ela gemeu -, sim, sim, sim!
Vou gozar!
O cameraman voltou-se para o espectador e este fez um sinal, com os olhos brilhando por trás dos óculos escuros.
- Agora! -disse o cameraman ao homem em cima da cama. A mulher, empolgada nas suas sensações, nem o ouviu. Enquanto seu rosto se enchia de êxtase, as grandes mãos do homem se fecharam em torno do seu pescoço e ela começou a debater-se, num esforço desesperado para respirar. Olhou para o homem, espantada, e então os seus olhos encheram-se de uma súbita e aterrorizada compreensão.
O espectador pensou: é esse o momento! Os olhos dela! Os olhos estavam dilatados de terror. Lutou em vão para livrar-se das mãos de ferro que lhe apertavam o pescoço. O seu orgasmo e os estertores da morte se fundiram. O espectador tinha o corpo ensopado de suor. A excitação era insuportável. No meio do mais refinado prazer da vida, a mulher morria. De súbito, tudo acabou. O espectador estava exausto, abalado por espasmos, com os pulmões cheios de longos haustos entrecortados. A mulher fora punida. O espectador se sentia como um deus.
Capítulo 16 Zurique. Sexta-feira, 11 de setembro. Meio-dia.
A sede mundial da Roffe and Sons ocupava vinte e cinco hectares ao lado do Sprettenbach, nos arredores da parte oeste de Zurique. O edifício da administração consistia em uma estrutura moderna de doze andares com paredes de vidro, elevando-se sobre um imenso conjunto de edifícios de pesquisa, fábricas, usinas, laboratórios experimentais, divisões de planejamento e ramais de caminhos de ferro. Era o centro nervoso do vasto império da Roffe and Sons.
O vestíbulo de recepção era arrojadamente moderno, decorado de verde e branco, os móveis dinamarqueses. Uma recepcionista ficava sentada a uma mesa de vidro, e as pessoas admitidas no interior do edifício tinham de ser acompanhadas por um guia. Nos fundos do vestíbulo, do lado direito, havia uma série de elevadores, um deles reservado para o presidente da companhia. Naquela manhã, esse elevador particular tinha sido usado pelos componentes da diretoria.
Haviam chegado nas últimas horas vindos de vários pontos do mundo, de avião, trem, helicópteros e automóvel. Estavam reunidos naquele momento no grande salão da diretoria, de alto pé-direito e paredes revestidas de carvalho. Lá estavam Sir Alec Nichols, Walther Gassner, Ivo Palazzi e Charles Martel. A única pessoa presente que não fazia parte da diretoria era Rhys Williams. Refrescos e drinques estavam servidos numa mesa ao lado, mas ninguém se mostrava interessado. Todos estavam tensos e nervosos.
Kate Erling, uma suíça eficiente de quase cinqüenta anos, entrou na sala e anunciou:
- O carro da Senhorita Roffe acaba de chegar.
Correu os olhos pela sala a fim de ver se tudo estava em ordem: canetas, blocos de papel e garrafas de prata com água diante de cada cadeira, charutos e cigarros, cinzeiros e fósforos. Kate Erling fora secretária particular de Sam Roffe durante quinze anos. O fato de ele estar morto não era motivo para que ela baixasse os seus padrões de eficiência. Ao ver que tudo estava correto, retirou-se da sala.
Embaixo, em frente ao edifício da administração, Elizabeth Roffe estava saltando de um carro. Usava um costume escuro e uma blusa branca. Não tinha qualquer maquiagem. Parecia ter menos do que os seus vinte e quatro anos e estava muito pálida e abatida. Os jornalistas estavam à espera dela. Foi logo cercada pelos repórteres dos jornais e da televisão, munidos de câmaras e microfones.
- Sou do L'Europeu, Senhorita Roffe. Quer fazer alguma declaração. Quem vai dirigir agora a companhia? - Olhe para cá, Senhorita Roffe. Pode dar um sorriso para os nossos leitores?
- Sou da Associated Press, Senhorita Roffe. Quer falar sobre o testamento de seu pai? - Do Daily News, de Nova York.
Seu pai não era um bom alpinista? Já o encontraram?
- Do Wall Street Journal. Quer dizer-nos alguma coisa sobre a situação da companhia?
- Sou do Times, de Londres. Pretendemos escrever um artigo sobre a Roffe e…
Elizabeth seguiu pelo vestíbulo, escoltada por três guardas de segurança que abriam caminho por entre os repórteres.
- Mais uma fotografia, Senhorita Roffe…
Elizabeth se viu por fim no elevador, cujas portas se fecharam. Deu um suspiro e estremeceu. Sam estava morto. Porque não a deixavam em paz? Alguns instantes depois, Elizabeth entrava na sala da diretoria.
Alec Nichols foi a primeira pessoa a cumprimentá-la. Passou os braços pelos ombros dela e disse:
- Meus sentimentos, Elizabeth. Foi um choque para todos nós. Vivian e eu tentamos telefonar-lhe, mas…
- Eusei. Muito obrigada, Alec. Obrigada por sua carta.
Ivo Palazzi aproximou-se e beijou-a nas duas faces.
- O que é que posso dizer, cara? Você está bem?
- Muito bem. Obrigada, Ivo. - Voltou-se. - Alo, Charles.
- Elizabeth, Hélsne e eu ficamos arrasados. Se houver alguma coisa que possamos fazer…
- Obrigada. Walther Gassner se aproximou de Elizabeth e disse sinhestramente. - Anna e eu queremos exprimir o nosso grande pesar pelo que aconteceu a seu pai…
- Obrigada, Walther. Não queria estar ali entre toda aquela gente que lhe lembrava o pai. Queria fugir, ficar sozinha.
Rhys Williams estava de lado, pensando: Se não pararem com isso, ela vai ter alguma coisa. Aproximou-se deliberadamente do grupo, estendeu a mão e disse:
- Alo, Liz.
- Alo Rhys.
Vira-o pela última vez quando ele fora até sua casa para dar-lhe a notícia da morte de Sam. Parecia que haviam se passado anos. Fora apenas uma semana antes. Rhys tinha consciência do esforço que Elizabeth estava fazendo para manter a linha. Disse então: