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Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:

A Herdeira [em Português]
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Tinha visto chefes de Estados pedirem a Sam que abrisse uma fábrica ou deixasse de fechar outra. Depois de uma dessas reuniões, Elizabeth disse ao pai:

- É incrível! É como se você estivesse governando um país.

Sam riu e replicou:

- A Roffe and Sons tem uma receita superior à de três ou quatro dos países do mundo.

Nas suas viagens com o pai, Elizabeth conheceu as outras pessoas da família Roffe, seus primos e primas e as pessoas com quem eram casados. Quando era mocinha, vira-os quando iam visitar seu pai ou quando ela ia visitálos nas breves férias da escola.

Simonetta e Ivo Palazzi, em Roma, tinham sido sempre os mais agradáveis. Eram francos e cordiais, e Ivo sempre fizera Elizabeth sentir-se mulher.

Ivo era encarregado da divisão italiana da Roffe and Sons, e sempre se saíra muito bem. As pessoas gostavam de tratar com ele. Elizabeth se lembrava do que lhe dissera uma das suas colegas depois de conhecê-lo: "Sabe por que eu gosto de seu primo? Tem calor e fervor”. Ivo era assim: calor e fervor. Havia depois Hélsne Roffe- Martel e seu marido Charles, em Paris, Elizabeth nunca havia realmente compreendido Hélsne, nem se sentia à vontade com ela. Era sempre gentil com ela, mas havia uma fria reserva que Elizabeth não conseguia romper. Charles era o chefe da filial francesa da Roffe and Sons. Era competente, embora, segundo dizia Sam, lhe faltava energia. Podia cumprir ordens, mas não tinha espírito de iniciativa. Sam nunca o substituíra porque, apesar de tudo, a filial francesa era muito rentável. Elizabeth suspeitava que Hélsne Roffe-Martel fosse em grande parte a causa desse sucesso. Elizabeth gostava da prima alemã Anna Roffe Gassner e de seu marido Walther.

Lembrava-se de ter ouvido dizer nas conversas de família que Anna se casara com um homem socialmente inferior. Walther Gassner era considerado na família uma ovelha negra, um caça-dotes, que se casara com uma mulher feia e mais velha do que ele, com os olhos no dinheiro dela. Elizabeth não julgava sua prima feia. Achara sempre que se tratara de uma pessoa tímida e sensível, reservada e um pouco apavorada diante da vida.

Elizabeth tinha gostado de Walther desde o primeiro instante. Tinha o perfil clássico de um astro de cinema, mas não se mostrava arrogante nem falso. Parecia amar sinceramente Anna, e Elizabeth não acreditava nas coisas terríveis que contavam dele.

Entre todos os seus parentes, Alec Nichols era o predileto de Elizabeth. A mãe dele tinha sido uma Roffe que se casara com Sir George Nichols, terceiro baronete.

Era a Alec que Elizabeth havia sempre recorrido quando tinha um problema.

Talvez em vista da sensibilidade e da gentileza de Alec, a menina sempre o julgara seu igual e só agora compreendia que grande elogio isso representava para Alec. Ele sempre a tratara em pé de igualdade, disposto a oferecer-lhe ajuda e conselhos. Elizabeth se lembrava de que, num momento de grande desespero, resolvera fugir de casa. Arrumou as roupas numa maleta e então, num súbito impulso, telefonou para Alec em Londres a fim de despedir-se dele. Ele estava participando de uma conferência, mas foi ao telefone e falou com Elizabeth por mais de uma hora.

Ao fim da conversa, Elizabeth resolveu perdoar o pai e dar-lhe mais uma chance.

Assim era Sir Alec Nichols.

Vivian, a mulher dele, era, porém, completamente diferente. Tanto quanto Alec era generoso e gentil, Vivian era egoísta e imprevidente. Era a criatura mais egocêntrica que Elizabeth já havia conhecido. Anos antes, quando Elizabeth estava passando um fim de semana na casa de campo deles, em Gloucestershire, foi fazer um piquenique sozinha.

Mas começou a chover e ela voltou para casa. Entrou pela porta dos fundos e atravessava o corredor quando ouviu vozes alteradas no escritório.

- Estou cansada de servir de babá para essa fedelha - dizia Vivian. - Pode ficar com sua danada priminha e tratar de diverti-la esta noite. Vou a Londres. Tenho um compromisso.

- Você pode cancelar esse compromisso, Vivian. A menina só vai ficar mais um dia conosco e depois…

- Sinto muito, Alec. Estou precisando de homem, e é isso que eu vou fazer esta noite.

- Pelo amor de Deus, Vivian!

- Veja se me esquece! E não tente viver minha vida por mim! Neste momento, antes que Elizabeth pudesse mover-se, Vivian saiu impetuosamente do escritório. Olhou de relance o rosto espantado de Elizabeth e disse alegremente: - Já voltou, queridinha? - E subiu.

Alec chegou à porta do escritório e disse gentilmente:

- Entre, Elizabeth.

Ela acompanhou o primo sem muita disposição. O rosto de Alec estava vermelho de vergonha e confusão. Elizabeth gostaria muito de consolá-lo, mas não sabia o que dizer. Alec dirigiu-se para uma mesa grande de refeitório, pegou um cachimbo, encheu-o de fumo e acendeu-o. Elizabeth teve a impressão de que ele gastara um tempo enorme nisso.

- Você deve compreender Vivian.

- Alec, não tenho nada com isso. Eu…

- De certo modo tem, Elizabeth. Você é da família e eu não quero que pense mal dela. Elizabeth não podia acreditar. Depois da horrível cena que acabara de presenciar, Alec estava querendo defender a mulher. - Às vezes, em um casamento - continuou Alec - marido e mulher têm necessidades diferentes. Não quero que você pense mal de Vivian pelo fato de eu não poder atender a certas necessidades dela. Vivian não tem culpa…

Elizabeth não pôde conter-se.

- Ela costuma… gozar da companhia de outros homens?

- Creio que sim - respondeu Alec.

Elizabeth ficou horrorizada.

- Por que não a deixa então?

Alec deu-lhe um sorriso.

- Não posso, minha filha. Acontece que eu gosto dela. No dia seguinte, Elizabeth voltou para a escola. Mas, a partir desse dia, sentiu-se mais do que nunca ligada a Alec.

Elizabeth vivia ultimamente muito preocupada com o pai. Ele parecia ter algum problema, e ela não fazia a menor idéia do que fosse. Chegara um dia a perguntar-lhe e ele dissera:

- Apenas um pequeno problema que tenho de resolver. Depois lhe conto tudo.

Havia se tornado muito reservado, e Elizabeth não tinha mais acesso a seus papéis particulares.

Quando ele lhe disse que ia partir no dia seguinte para Chamonix para fazer um pouco de alpinismo, Elizabeth ficou satisfeita. Sabia que ele precisava de um pouco de repouso. Tinha emagrecido e andava pálido e abatido.

- Vou fazer as reservas para você.

- Não precisa, Elizabeth. Já estão feitas.

Também isso não estava nos hábitos dele. Partiu para Chamonix na manhã seguinte. Foi a última vez em que o viu. Nunca mais o veria…

Elizabeth ficou deitada no quarto às escuras, recordando. Havia uma impressão de irrealidade persistente em torno da morte de seu pai. Ela era a última descendente direta da família Roffe. Se não fosse ela, o nome desapareceria. Que iria acontecer à empresa?

Seu pai sempre tivera o controle acionário nas mãos. Para quem teria ele deixado as suas ações? Elizabeth ficou sabendo na tarde seguinte. O advogado de Sam apareceu em sua casa.

- Trouxe uma cópia do testamento de seu pai. Sinto muito importuná-la num momento triste como este, mas creio que é bom que fique sabendo o quanto antes. Você é a herdeira universal de seu pai. Isso quer dizer que as ações que representam o controle da maioria da Roffe and Sons estão em suas mãos.

Elizabeth não podia acreditar. Sam não devia ter certamente esperado que ela pudesse dirigir a empresa…

- Porquê? Porquê eu?

O advogado hesitou um pouco e disse:

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