O Zahir
- Автор: Коэльо Пауло
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «O Zahir». Краткое содержание книги:
“Dois anos depois a guerra acaba. Recebe uma medalha, mas não consegue
emprego. Participa de comemorações, mas quase não tem o que comer. É
considerado um dos heróis de Stalingrado, mas só consegue sobreviver de
pequenas tarefas, pelas quais ganha algumas moedas. Finalmente, alguém lhe oferece um emprego de vendedor de tapetes. Como tem problemas de insônia, viaja sempre de noite, conhece contrabandistas, consegue ganhar sua confiança, e o dinheiro começa a entrar.
“E descoberto pelo governo comunista, que o acusa de negociar com
criminosos, e, mesmo sendo herói de guerra, passa dez anos na Sibéria como
‘traidor do povo’. Já velho, é finalmente solto, e a única coisa que conhece bem são tapetes. Consegue restabelecer seus antigos contactos, alguém lhe dá algumas peças para vender, mas ninguém se interessa em comprar: os tempos estão
difíceis. Resolve partir de novo para longe, pede esmolas no meio do caminho, termina no Casaquistão.
“Está velho, só, mas precisa trabalhar para comer. Passa os dias fazendo
pequenas tarefas, e as noites dormindo muito pouco e acordando com os gritos de
‘abaixe-se!’. Curiosamente, apesar de tudo que passou, da insônia, da
alimentação deficiente, das frustrações, do desgaste físico, dos cigarros que fuma sempre que pode, sua saúde é de ferro.
“Em uma pequena aldeia, encontra uma jovem. Ela mora com os pais, o
leva para sua casa - a tradição da hospitalidade é o que há de mais importante naquela região. Colocam-no para dormir na sala, mas todos são acordados por seus gritos de ‘abaixe-se!’. A moça vai até ele, faz uma prece, passa a mão na sua cabeça, e, pela primeira vez em muitas décadas, ele dorme em paz.
“No dia seguinte, ela diz que teve um sonho ainda menina - um homem
muito velho iria lhe dar um filho. Esperou durante anos, teve alguns
pretendentes, mas sempre se decepcionava. Seus pais estavam preocupadíssimos, não queriam ver a única filha solteira e rejeitada pela comunidade.
“Ela pergunta se deseja casar com ela. Ele fica surpreso, tem idade para ser sua neta, não responde nada. Quando o sol se põe, na pequena sala de visitas da família, ela pede para passar a mão na sua cabeça antes de dormir. Ele consegue novamente uma noite em paz.
‘A conversa sobre o casamento surge de novo na manhã seguinte, desta vez
na frente de seus pais, que parecem concordar com tudo - desde que sua filha arranje um marido, e desta maneira não se transforme em um motivo de vergonha para a família. Espalham a história de um velho que veio de longe, mas que na verdade é um riquíssimo comerciante de tapetes, cansado de viver no luxo e no conforto, que deixou tudo em busca de aventura. As pessoas ficam
impressionadas, pensam em grandes dotes, imensas contas bancárias, e como minha mãe tem sorte de haver encontrado alguém que finalmente poderá levá-la para longe daquele final de mundo. Meu pai escuta aquelas histórias com uma mistura de deslumbramento e surpresa, entende que durante tantos anos viveu sozinho, viajou, sofreu, jamais tornou a encontrar sua família, e pela primeira vez na vida pode ter um lar. Aceita a proposta, participa da mentira sobre seu passado, casam-se segundo os costumes da tradição muçulmana. Dois meses
depois, ela está grávida de mim.
“Convivo com meu pai até os sete anos: ele dormia direito, trabalhava no
campo, caçava, falava com os outros habitantes da aldeia sobre suas posses e suas fazendas, olhava para minha mãe como se ela fosse a única coisa boa que lhe acontecera. Eu acho que sou filho de um homem rico, mas certa noite, diante da lareira, ele me conta seu passado, a razão de seu casamento, e me pede segredo. Diz que irá morrer em breve - o que acontece quatro meses depois. Dá seu último suspiro nos braços de minha mãe, sorrindo, como se todas as tragédias de sua existência jamais tivessem existido. Morre feliz.”
Mikhail está contando sua história em uma noite de primavera, muito fria, mas com toda certeza não tão gelada como Stalingrado, onde a temperatura podia ir até -35° C. Estamos sentados junto com mendigos que se aquecem em torno de uma fogueira improvisada. Tinha ido parar ali depois de um segundo telefonema seu - cobrando a minha parte da promessa. Durante nossa conversa, não me
perguntou nada sobre o envelope que deixou em minha casa, como se soubesse -
talvez pela “voz -que eu finalmente resolvera seguir os sinais, deixar que as coisas acontecessem em seu devido tempo, e com isso me libertasse do poder do Zahir.
Quando pediu que o encontrasse em um dos mais violentos subúrbios de
Paris, fiquei assustado. Normalmente, diria que tinha muita coisa para fazer, ou tentaria convencê-lo de que era muito melhor ir a um bar, onde teríamos o conforto necessário para discutir coisas importantes. Claro, sempre existia o meu medo de um outro ataque epilético na frente dos outros, mas agora eu já sabia como agir, e preferia isso ao risco de ser assaltado, usando um colarinho ortopédico, sem qualquer possibilidade de me defender.
Mikhail insistiu: era importante que me encontrasse com os mendigos, eles faziam parte de sua vida e da vida de Esther. No hospital, eu terminara por entender que algo estava errado em minha vida, e que precisava mudar com
urgência.
Para mudar, o que devia fazer?
Coisas diferentes. Como ir a lugares perigosos, encontrar pessoas marginais
- por exemplo.
Conta uma história que um herói grego, Teseu, entra em um labirinto para
matar um monstro. Sua amada, Ariadne, lhe dá a ponta de um fio, de modo que ele o vá desenrolando aos poucos, e não se perca no caminho de volta. Sentado entre aquelas pessoas, escutando uma história, me dei conta de que há muito não experimentava nada semelhante a isso - o gosto do desconhecido, da aventura.
Quem sabe, o fio de Ariadne estava me esperando justamente nos lugares que jamais visitaria, se não estivesse absolutamente convencido de que precisava fazer um grande, um gigantesco esforço para mudar a minha história e minha vida.
Mikhail continuou - e vi que o grupo inteiro estava prestando atenção ao
que dizia: nem sempre os melhores encontros acontecem em torno de mesas
elegantes, em restaurantes com aquecimento funcionando.
* * *
- Todos os dias tenho que caminhar quase uma hora até o lugar onde assisto às aulas. Olho as mulheres que vão buscar água estepe sem fim, os soldados russos que passam em longos comboios, as montanhas nevadas que, segundo
alguém me conta escondem um país gigantesco; a China. A aldeia tem um museu dedicado ao seu poeta, uma mesquita, a escola, e três ou quatro ruas.
Aprendemos que existe um sonho, um ideaclass="underline" devemos lutar pela vitória do
comunismo e pela igualdade entre todos os seres humanos. Não acredito neste sonho, porque mesmo neste lugar miserável existem grandes diferenças - os representantes do partido comunista estão acima dos outros, e vez por outra vão até a cidade grande, Almaty, e voltam carregados de pacotes com comidas
exóticas, presentes para os filhos, roupas caras.
“Certa tarde, voltando para casa, sinto um vento forte, vejo luzes ao meu redor, e perco a consciência por alguns momentos. Quando acordo, estou sentado no chão, e uma menina branca, com roupas brancas, cinto azul, flutua no ar. Ela sorri, não diz nada e desaparece.
“Saio correndo, interrompo o que minha mãe fazia naquele instante e conto a história. Ela fica assustadíssima, pede para que eu jamais repita o que acabo de dizer. Me explica - da melhor maneira que se pode explicar algo complicado a um garoto de oito anos - que tudo não passa de alucinação. Insisto que vi a menina, sou capaz de descrevê-la em detalhes. Acrescento que não tive medo, e voltei rápido porque queria que ela soubesse logo o que tinha acontecido.
“No dia seguinte, voltando da escola, procuro a menina, mas ela não está lá.