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Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:

A Herdeira [em Português]
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Num sábado, o pai de Elizabeth deu um jantar de gala na villa.

- Escolha o seu melhor vestido - disse ele à filha. - quero mostrá-la a todos.

Emocionada, Elizabeth pensou que seria par de Rhys. Quando Rhys chegou, estava acompanhado de uma princesa italiana loura. Elizabeth se sentiu insultada e traída, tanto que à meia-noite saiu da festa e foi para a cama com um pintor russo barbudo, chamado Vassílov. O breve caso foi um desastre. Elizabeth estava tão nervosa e o pintor, tão bêbado, que para ela não houve começo, meio, nem fim. As manobras preliminares se limitaram a Vassílov tirar as calças e se jogar na cama. A essa altura, Elizabeth só tinha vontade de fugir, mas resolveu ir até o fim para castigar Rhys por sua perfídia. Despiu-se e deitouse na cama.

Um instante depois, sem qualquer aviso, Vassílov estava a penetrá-la. Era uma sensação estranha. Não podia ser considerada desagradável, mas também não era nada de fazer a terra tremer. Sentiu o corpo de Vassílov estremecer e, um instante depois, o pintor estava estendido na cama, roncando. Elizabeth ficou ali, com nojo de si mesma.

Era difícil acreditar que tantas canções, tantos livros, tantos poemas se referissem àquilo.

Pensou em Rhys e teve vontade de chorar.

Silenciosamente, vestiu-se e voltou para casa. Quando o pintor telefonou para ela na manhã seguinte, mandou dizer que não estava. No outro dia, Elizabeth voltou para a escola.

Voou no jato da companhia, juntamente com o pai e Rhys. O avião, construído para comportar cem passageiros, fora transformado numa aeronave de luxo. Havia na calda dois camarotes bem decorados, ambos com banheiros completos, um escritório, uma sala confortável e uma cozinha totalmente equipada. Elizabeth dizia que o avião era o tapete mágico de seu pai. Os dois homens falaram de negócios a maior parte do tempo.

Quando Rhys ficou livre, jogou uma partida de xadrez com Elizabeth. A partida terminou empatada, e Rhys a elogiou, dizendo que nunca havia pensado que ela jogasse tão bem. Elizabeth corou de prazer.

Os últimos meses na escola passaram rapidamente. Era tempo de começar a pensar no futuro. A pergunta de Rhys: "Já sabe o que fazer quando sair de lá?", não lhe saía do pensamento, mas ainda não sabia. Entretanto, graças ao velho Samuel, Elizabeth ficara encantada com a empresa da família. Gostaria de trabalhar nela. Não sabia ainda o que poderia fazer. Talvez começasse ajudando o pai.

Contavam-se ainda histórias da maravilhosa anfitriã que fora sua mãe, do inestimável auxílio para Sam.

Começaria procurando ficar no lugar da mãe. Seria um bom início.

Capítulo 14 A mão do embaixador da Suécia estava apertando as nádegas de Elizabeth, e ela procurou não tomar conhecimento disso enquanto dançavam através do salão. Sorria e com os seus olhos bem-treinados inspecionava tudo, os convidados elegantemente vestidos, a orquestra, os empregados de libré, o bufe, em que se amontoavam pratos exóticos e excelentes vinhos, concluindo, satisfeita, que a festa estava muito boa.

Estavam no salão de baile da casa de Long Island. Havia duzentos convidados, todos importantes para a Roffe and Sons. Elizabeth percebeu que o embaixador apertava o corpo contra o dela, tentando excitá-la. Ele tocou com a língua a orelha dela e murmurou:

- Sabe que dança muito bem?

- E o senhor também - disse Elizabeth com um sorriso. Mas errou o passo deliberadamente e pisou no pé do embaixador, com toda força, com seu salto fino. Ele deu um grito de dor, e Elizabeth exclamou constritamente:

- Perdão, embaixador. Espere aqui que vou buscar-lhe um drinque.

Deixou-o e dirigiu-se para o bar, abrindo caminho por entre os convidados, correndo os olhos cuidadosamente pelo salão, para ver se tudo estava perfeito.

Perfeição - era tudo que o pai exigia. Elizabeth havia sido a anfitriã já numa centena de recepções de Sam, mas ainda não aprendera a descontrairse. Cada festa era um acontecimento, uma noite de estréia, com uma porção de coisas que podiam sair erradas.

Entretanto, nunca se sentira mais feliz. O seu sonho de menina de viver perto do pai, que a queria e precisava dela, havia se tornado realidade. Aprendera a ajustar-se ao fato de que as necessidades de seu pai eram impessoais e de que sua importância se limitava, para ele, à contribuição que pudesse dar à companhia. Era esse o único critério de Sam Roffe para julgar as pessoas. Elizabeth conseguira preencher a lacuna existente desde a morte de sua mãe. Passara a ser uma anfitriã.

Mas, como Elizabeth era uma moça muito inteligente, passara a ser mais que isso.

Comparecia a conferências comerciais com o pai e o acompanhava em aviões, em suítes de hotéis no estrangeiro, em fábricas, embaixadas e palácios. Via o pai exercer o seu poder, empregando os bilhões de dólares à sua disposição para comprar e vender, para derrubar e construir. A Roffe and Sons era uma vasta cornucópia, e Elizabeth via o pai dispensar as suas dádivas aos amigos e recusar qualquer concessão aos inimigos. Era um mundo fascinante, cheio de pessoas interessantes, e Sam Roffe dominava tudo.

Quando Elizabeth correu os olhos pelo salão de baile, viu Sam perto do bar, conversando com Rhys, um primeiro-ministro e um senador da Califórnia. O pai a chamou e ela se encaminhou para ele, pensando no tempo em que, três anos antes, tudo começara.

Elizabeth tinha voado para casa no dia da formatura. Sua casa, então, era o apartamento em Beekman Place, Nova York. Rhys estava lá com o pai. Ela esperava certamente encontrá-lo. Levava a imagem dele nos recantos secretos dos seus pensamentos e, sempre que estava sozinha, reconfortava-se com as recordações. A princípio, tudo tinha parecido sem esperança. Ela era uma colegial de quinze anos e ele, um homem de vinte e cinco. Esses dez anos de diferença podiam muito bem ser cem.

Mas, graças a alguma admirável alquimia matemática, aos dezoito anos a diferença de idade já parecia ter menos importância. Era como se ela estivesse amadurecendo mais depressa do que Rhys, na ânsia de alcançá-lo.

Os dois homens se levantaram quando ela entrou na biblioteca, onde estavam falando de negócios. Sam disse calmamente:

- Ah, Elizabeth… Já chegou?

- Já.

- Disse então adeus à escola?

- Disse, sim.

- Muito bem.

E não passou daí a cordialidade com que o pai a recebeu de volta para casa.

Rhys, porém aproximou-se dela com um sorriso. Parecia sinceramente satisfeito de vê-la.

- Você está ótima, Liz! Como foi a formatura? Sam queria muito ir, mas não pôde fazer a viagem.

Ele estava dizendo todas as coisas que cabia ao pai dela dizer. Elizabeth se aborreceu de ter ficado magoada. Sabia que, na verdade, o pai não deixara de amá-la, mas estava entregue a um mundo de que ela não fazia parte. Teria levado um filho para esse mundo; uma filha, era impossível. Ela não se ajustava de modo algum à mecânica da companhia.

- Vim interromper - murmurou ela, encaminhando-se para a porta.

- Espere um pouco - disse Rhys. - Ela chegou bem na hora, Sam. Pode ajudar-nos na festa de sábado à noite.

Sam olhou para Elizabeth, examinou-a objetivamente, como se quisesse aquilatar o seu valor. Parecia-se com a mãe. Tinha a mesma beleza, a mesma elegância natural.

Um lampejo de interesse brilhou nos olhos de Sam. Nunca lhe havia ocorrido a idéia de que ela pudesse dar uma contribuição positiva aos interesses da Roffe and Sons.

- Você tem um vestido adequado?

Elizabeth olhou-o, surpresa, e murmurou:

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