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Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:

A Herdeira [em Português]
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- Chegue para lá, mon petit ang -murmurou ela.

Elizabeth obedeceu, e a professora se deitou ao lado dela. O corpo dela tinha um forte cheiro de animal. Ela virou-se arara. Elizabeth, abraçou-a e disse:

- Oh, chérie, tenho sonhado tanto com este momento!

Beijou-a então, forçando a língua na boca de Elizabeth e dando pequenos gemidos. Foi sem dúvida a sensação mais desagradável que Elizabeth já havia experimentado. Deixou-se ficar em estado de choque, enquanto os dedos de Chantal - de Mlle Harriot -lhe percorriam o corpo, apertando seus seios, deslizando lentamente abaixo de seu estômago, em direção às suas coxas. E durante todo o tempo ela beijava Elizabeth, babando-se como um animal. Era isso então. Era esse o momento mágico. "Se fôssemos uma só pessoa, você e eu, faríamos juntamente um universo que abalaria as estrelas e moveria os céus". As mãos de Mlle Harriot estavam acariciando as coxas de Elizabeth, tentando penetrar entre suas pernas.

Rapidamente, Elizabeth procurou lembrar-se de todos os seus sonhos, dos jantares à luz de vela, dos suflês, das noites diante da lareira, dos anos de felicidade que as duas passariam juntas. Não adiantou. Havia repulsa na carne e no espírito de Elizabeth. Sentiu como se seu corpo estivesse sendo violentado. Mlle Harriot gemeu.

- Oh, chérie, quero comê-la.

E tudo o que Elizabeth conseguiu dizer foi:

- Há um problema. Uma de nós não tem os acessórios necessários.

Começou então a chorar e a rir histericamente, lamentando ver morrer a visão dos jantares à luz de velas. Ria porque compreendia que era uma mulher normal, livre afinal daquela obsessão. No dia seguinte, Elizabeth experimentou o esguicho do chuveiro.

Capítulo 13 Nas férias da Páscoa, no seu último ano na escola, aos dezoito anos de idade, Elizabeth foi passar dez dias na villa da Sardenha. Aprendera a dirigir e, pela primeira vez, tinha liberdade de explorar a ilha sozinha. Fazia longas excursões pela costa e visitava as aldeias de pescadores. Tomava banho de mar na villa, sob o sol quente do Mediterrâneo, muitas vezes ficava acordada à noite na cama, ouvindo o vento gemendo nos rochedos ocos. Foi a uma festa em Tempos e encontrou toda a aldeia vestida com trajes tradicionais.

Ocultas sob o anonimato das máscaras, as moças convidavam os rapazes para danças, e todos se sentiam estimulados a fazer coisas que não faziam em ocasiões normais.

Um rapaz podia pensar que conhecia a moça com quem fizera amor à noite, mas na manhã seguinte já não tinha tanta certeza. Era, pensou Elizabeth, como se a aldeia inteira representasse The guatdsman.

Foi até Punta Murra e viu os sardos assarem carneiros ao ar livre. Os homens da ilha lhe deram seada, um queijo de cabra, coberto de farinha de trigo e mel quente.

Elizabeth bebeu também o delicioso selememont, o vinho local, que não se podia provar em nenhum lugar do mundo, pois era muito delicado para suportar a viagem.

Um dos lugares que Elizabeth gostava de freqüentar era a Hospedaria do Leão Vermelho, em Porto Cervo. Era um pequeno restaurante localizado no porão, com dez mesas e um bar antigo.

Elizabeth deu àquelas férias o nome de Tempo dos Rapazes. Eram filhos de ricos e chegavam em grupos, convidando Elizabeth para uma ronda constante de banhos de Mar e passeios. Era isso o prelúdio do ato sexual.

- São todos muito bons partidos - assegurou-lhe o pai.

Para Elizabeth, eram todos uns grosseirões. Bebiam demais, falavam demais e apalpavam-lhe o corpo. Tinha certeza de que a procuravam não por ela mesma, nem porque ela fosse inteligente ou tivesse valor como ser humano, mas apenas porque ela era uma Roffe, herdeira da fortuna da família.

Elizabeth não tinha idéia de que havia se transformado numa bela mulher, porque era muito fácil acreditar nas suas lembranças do passado do que no que lhe dizia nessa época o espelho. Os rapazes tomavam vinho e jantavam com ela, tentando depois levá-la para a cama. Percebiam que Elizabeth era virgem e cada qual sentia, na sua vaidade masculina, que aquela virgindade lhe estava destinada e que bastaria conquistá-la para Elizabeth apaixonar-se e ser uma escrava pelo resto da vida. Não desistiam.

Fosse para onde fosse que levassem Elizabeth, sempre terminavam a noite convidando-a a ir para a cama. Ela recusava com polidez, mas com firmeza. Os rapazes não podiam compreendê-la. Achavam-na bonita e, portanto, devia ser um pouco inteligente. Nunca lhes ocorrera que ela fosse mais inteligente do que eles. Quem já ouvira falar de uma moça ao mesmo tempo bonita e inteligente? Assim Elizabeth saía com os rapazes para fazer a vontade do pai, mas aborrecia-se com todos eles.

Rhys Williams apareceu na villa, e Elizabeth ficou surpresa com o prazer que sentiu ao vê-lo. Estava ainda mais simpático do que da outra vez. Rhys Williams sentiu prazer também em vê-la.

- Que foi que houve com você? - perguntou ele.

- Como assim?

- Tem-se olhado no espelho ultimamente?

Elizabeth se voltou e respondeu:

- Não.

Ele se voltou para Sam e disse:

- A menos que todos os rapazes sejam cegos, surdos e mudos, acho que não vamos ter Elizabeth conosco por muito tempo.

Conosco! Elizabeth gostou de ouvi-lo dizer isso. Ficava com os dois homens tanto quanto podia, servindo-lhes bebidas, prestando-lhes pequenos favores, contente apenas de olhar para Rhys. Ás vezes, Elizabeth ficava em um canto da sala, enquanto eles falavam de negócios, e sentia-se fascinada. Falavam de fusões, de novas fábricas, de produtos que tinham feito sucesso e de outros que haviam falhado, debatendo as causas.

Falaram dos concorrentes e planejavam campanhas e estratégias.

Tudo isso parecia empolgante a Elizabeth. Um dia, quando Sam estava trabalhando na sala da torre, Rhys convidou Elizabeth para almoçar. Levou-a para o Leão Vermelho, jogou dados com os homens do bar, e Elizabeth se admirou de como Rhys parecia à vontade ali. Era um homem que se adaptava a qualquer ambiente. Ouvira um dia uma expressão espanhola, que não compreendera na ocasião. Mas, vendo Rhys, entendia o que os espanhóis queriam exprimir quando diziam que um homem "cabia bem dentro da sua pele". Sentaram-se a uma mesinha de canto com uma toalha vermelha e branca e comeram empadão de carneiro acompanhado de cerveja.

Rhys lhe perguntou como ia a escola.

- Não é tão ruim quanto eu pensava - disse Elizabeth. -Ao menos, tive consciência da minha ignorância.

Rhys sorriu.

- São raras as pessoas que adquirem essa consciência. Você concluirá o curso em junho, não é? Elizabeth estranhou que ele soubesse disse e respondeu:

- É verdade.

- Já sabe oque quer fazer quando sair de lá?

Pensara muito nisso e ainda não encontrara uma resposta.

- Não. Ainda não sei.

- Tem algum interesse em se casar?

Por um instante, o coração dela falhou uma batida. Compreendeu então que a pergunta tinha apenas um interesse geral.

- Não. Ainda não Encontrei ninguém.

Pensou então em Mlle Harriot e nos jantares íntimos diante da lareira com a neve caindo lá fora, e deu uma risada.

- Há algum segredo? - perguntou Rhys.

- Segredos?

Gostaria de contar tudo a ele, mas ainda não o conhecia bem. Na verdade, quase não o conhecia. Era um desconhecido elegante e simpático que um dia tivera pena dela e a levara para comemorar o seu aniversário com um jantar em Paris. Sabia que ele era brilhante no mundo dos negócios e que seu pai na verdade confiava nele. Mas nada sabia da vida particular dele ou do que ele na realidade era.

Observando-o, Elizabeth tinha a impressão de que se tratava de um homem de várias camadas, que só mostrava algumas emoções para esconder aquelas que realmente sentia. Era de duvidar que alguém o conhecesse de fato.

Rhys Williams foi responsável pela perda da virgindade de Elizabeth. A idéia de ir para a cama com um homem era a cada dia mais imperiosa para Elizabeth. Em parte, era um impulso físico que de vez em quando se apoderava dela em ondas de frustração e uma urgência necessária, difícil de desaparecer. Mas havia também a curiosidade, a vontade de saber como era. É claro que não poderia ir para a cama com qualquer homem. Tinha de ser alguém com quem ela simpatizasse e que simpatizasse com ela.

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