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Электронная книга - «O Zahir». Краткое содержание книги:

O Zahir
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Sobretudo, jamais deixá-lo ir embora sem que deixasse a encomenda!

Peguei um táxi, e pedi que parasse na esquina do boulevard Saint-Germain

com a rue Saint-Pères. Caía uma chuva fina, mas eram apenas 30 metros de

caminhada até o restaurante - com seu letreiro discreto, e o sorriso generoso de Roberto, que de vez em quando saía para fumar um cigarro. Uma mulher com um carrinho de bebê caminhava em minha direção pela calçada estreita e, como não havia espaço para os dois, desci o meio-fio Para permitir que ela passasse.

Foi então que, em câmera lenta, o mundo deu uma volta imensa: o chão

virou céu, o céu virou chão, pude reparar em alguns detalhes da parte superior do edifício na esquina - já tinha passado muitas vezes por ali e jamais olhara para o alto. Lembro me da sensação de surpresa, do vento soprando forte em meu

ouvido e de um latido de cão à distância; logo tudo ficou escuro

Fui empurrado em grande velocidade em um buraco negro onde podia

distinguir uma luz no final. Antes que chegasse lá mãos invisíveis me puxaram para trás com grande violência, e acordei com vozes e gritos que escutava ao meu redor: tudo não deve ter durado mais que alguns segundos. Senti o gosto de sangue na boca, o cheiro do asfalto molhado, e logo me dei conta que havia sofrido um acidente. Estava consciente e inconsciente ao mesmo tempo, tentei mas não consegui me mover, pude enxergar outra pessoa estendida no chão, ao meu lado - podia sentir seu cheiro, seu perfume, imaginei que era a mulher que vinha com o bebê pela calçada: meu Deus!

Alguém se aproximou para tentar me levantar, eu gritei para que não me

tocassem, era um perigo mexer no meu corpo agora; tinha aprendido em uma

conversa sem importância, em uma noite sem importância, que, se eu tivesse uma fratura no pescoço, qualquer movimento em falso podia me paralisar para

sempre.

Lutei para manter a consciência, esperei uma dor que não chegava nunca,

tentei mover-me e achei melhor não fazê-lo - sentia uma sensação de câimbra, de torpor. Pedi de novo que não me tocassem, escutei ao longe a sirene, e entendi que podia dormir, não precisava mais lutar para salvar minha vida, ela estava perdida ou estava ganha, isso já não era mais uma decisão minha, mas dos

médicos, dos enfermeiros, da sorte, da “coisa”, de Deus.

Comecei a escutar a voz de uma menina - que me dizia seu nome, que eu

não conseguia gravar - pedindo que eu ficasse tranqüilo, garantindo que eu não iria morrer. Queria acreditar em suas palavras, implorei para que ficasse mais tempo ao meu lado, mas ela logo desapareceu; vi que colocavam algo plástico em meu pescoço, uma máscara em meu rosto, e então dormi de novo, desta vez sem qualquer tipo de sonho.

uando recobrei a consciência, não havia nada além de um zumbido

horrível nos ouvidos: o resto era silêncio e escuridão completa. De

Q repente, senti que tudo se mexia, e tive certeza de que estavam carregando meu caixão, eu iria ser enterrado vivo!

Tentei bater nas paredes à minha volta, mas não conseguia mover um só

músculo do corpo. Por um tempo que me pareceu infinito, eu sentia que estava sendo empurrado para a frente, já não conseguia controlar mais nada, e neste momento, juntando toda a força que ainda me restava, eu dei um grito, que ecoou naquele ambiente fechado, voltou para os meus ouvidos, quase me ensurdece -

mas eu sabia que com aquele grito eu estava salvo, pois logo começou a aparecer uma luz em meus pés: descobriram que eu não morrera!

A luz - a bendita luz, que me salvava do pior dos suplícios, a asfixia - foi aos poucos iluminando meu corpo, retiravam a tampa do caixão finalmente, eu suava frio, sentia uma imensa dor, mas estava contente, aliviado, eles haviam se dado conta do erro, e que alegria poder voltar para este mundo!

A luz finalmente chegou aos meus olhos: uma mão suave tocou a minha,

um rosto angelical enxugou o suor da minha testa:

- Não se preocupe - disse o rosto angelical, cabelos louros, a roupa toda branca. - Não sou um anjo, você não morreu, isso não é um caixão, mas um

aparelho de ressonância magnética para ver possíveis lesões que possam ter acontecido. Pelo visto não há nada grave, mas terá que ficar aqui em observação.

- Nem um osso quebrado?

- Escoriações generalizadas. Se eu trouxer um espelho, ficará horrorizado com sua aparência: mas isso passará em alguns dias.

Tentei levantar-me, ela me impediu com doçura. E então senti uma dor de

cabeça muito forte, e gemi.

- Você sofreu um acidente, isso é natural, não acha?

- Acho que vocês estão me enganando - disse com esforço. - Sou adulto,

vivi intensamente minha vida, posso aceitar certas notícias sem entrar em pânico.

Algum vaso em minha cabeça está prestes a estourar.

Dois enfermeiros apareceram e me colocaram em uma maça. Percebi que

usava um aparelho ortopédico em volta do pescoço.

- Alguém comentou que você pediu para que não lhe movessem - disse o

anjo. - Ótima decisão. Terá que ficar com este colarinho por algum tempo, mas se não houver qualquer surpresa desagradável - já que nunca sabemos as

conseqüências

- em breve tudo não terá passado de um grande susto, e de uma grande

sorte.

- Quanto tempo? Eu não posso ficar aqui.

Ninguém respondeu nada. Marie me esperava sorrindo fora da sala de

radiologia - pelo visto os médicos haviam comentado que a princípio não havia nada de grave. Passou a mão nos meus cabelos, disfarçou o horror que devia estar sentindo ao ver minha aparência.

O pequeno cortejo seguiu pelo corredor do hospital - dois enfermeiros que empurravam a maca e o anjo de branco -A cabeça doía cada vez mais.

- Enfermeira, a cabeça...

- Não sou enfermeira, sou sua médica no momento, estamos aguardando

seu clínico pessoal chegar. Quanto à cabeça, não se preocupe: por causa de um mecanismo de defesa, o organismo fecha todos os vasos sangüíneos no momento de um acidente, de modo a evitar sangramento. Quando percebe que não há mais perigo, eles voltam a se abrir, o sangue volta a correr, e isso dói. Nada mais. De qualquer maneira, se quiser posso lhe dar algo para dormir.

Recusei. E como surgindo de algum canto escuro de minha alma, me

lembrei de uma frase que escutara no dia anterior: “A voz diz que só permitirá que isso aconteça na hora certa.” Ele não podia saber. Não era possível que tudo o que ocorrera na esquina de Saint-Germain com Saint-Pères fosse resultado de uma conspiração universal, de algo predeterminado pelos deuses, que deviam estar ocupadíssimos cuidando deste planeta em condições precárias, em vias de destruição, mas tinham parado todo o trabalho apenas para impedir que eu fosse ao encontro do Zahir. O rapaz não tinha a menor chance de prever o futuro, a não ser que... realmente escutasse uma voz, houvesse esse plano, e as coisas fossem muito mais importantes do que eu imaginava.

Aquilo começava a ser demasiado para mim: o sorriso de Marie, a

possibilidade de alguém escutar uma voz, a dor cada vez más insuportável.

- Doutora, mudei de idéia: quero dormir, não consigo agüentar a dor.

Ela disse algo para um dos enfermeiros que empurrava a maça, que saiu e

voltou antes mesmo de termos chegado ao quarto. Senti uma picada em meu

braço, e logo estava dormindo.

Quando despertei, quis saber exatamente o que havia acontecido, se a

mulher que vira ao meu lado também havia escapado, o que acontecera com seu bebê. Marie disse que eu precisava descansar, mas Dr. Louit, meu médico e amigo, já havia chegado, e achou que não havia nenhum problema em contar. Eu fora atropelado por uma motocicleta: o corpo que vira no chão era do rapaz que a dirigia, que fora levado ao mesmo hospital, mas que tivera a mesma sorte que eu

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