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Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:

A Herdeira [em Português]
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- Você está bem, Roffe?

Elizabeth sorriu, feliz, e murmurou:

- Estou muito bem. - E confessou na sua infinita euforia. - é a primeira vez que fumo maconha.

- Maconha? - exclamou Renée. - Mas eu lhe dei apenas um Gauloise.

Do outro lado da aldeia, havia uma escola de rapazes, e as colegas de Elizabeth aproveitavam todas as oportunidades de encontrar-se com eles. As moças falavam constantemente sobre os rapazes. Sobre os corpos deles, o tamanho de seus órgãos, o que deixavam os rapazes fazer com elas e o que faziam com os rapazes.

As vezes, Elizabeth tinha a impressão de que estava perdida dentro de uma escola cheia de ninfomaníacas delirantes. Tinham a obsessão do sexo. Uma das moças ficara completamente nua e se deitava de costas na cama, enquanto outra a acariciava dos seios às coxas. O pagamento era um doce comprado na aldeia. Dez minutos de frôlage valia um doce. Em dez minutos, a moça em geral chegava ao orgasmo, mas, quando não acontecia, a garota incumbida das frôlage podia continuar e ganhava mais um doce.

Outro divertimento sexual favorito era usufruído no banheiro.

A escola tinha grandes banheiras antigas, equipadas com chuveiros manuais flexíveis que podiam ser retirados de um gancho na parede. As moças se sentavam na banheira, ligavam o chuveiro e, quando a água quente começava a correr, colocava o chuveiro entre as pernas e o movia lentamente para cima e para baixo. Elizabeth não praticava nem as frôlage nem os jogos com o chuveiro, mas os impulsos sexuais eram cada vez mais fortes dentro dela.

Foi mais ou menos nessa época que ela fez uma descoberta que a deixou atordoada. Uma das professoras de Elizabeth era uma mulher pequena chamada Harriot Chantal. Tinha cerca de trinta anos, e era um pouco mais que uma estudante. Tinha feições atraentes e quando sorria chegava a ser bela. Era a professora mais simpática de Elizabeth, que sentia profunda atração por ela.

Sempre que se sentia infeliz, Elizabeth ia procurar Mlle Harriot e lhe contava seus problemas. A professora era uma ouvinte atenta. Quando Elizabeth acabava, ela lhe tomava amistosamente a mão, dava-lhe conselhos sensatos e depois lhe oferecia uma xícara de chocolate quente com bolinhos. Imediatamente, Elizabeth se sentia melhor.

Mlle Harriot ensinava francês e dava também aulas sobre moda, em que acentuava a necessidade de estilo e harmonia de cores, bem como do uso de acessórios convenientes.

- Não se esqueçam de que o vestido mais elegante do mundo parecerá horrível se for usado com acessórios errados.

"Acessórios" era a divisa de Mlle Harriot. Sempre que Elizabeth se encontrava na banheira quente, surpreendia-se pensando em Mlle Harriot, na expressão do seu rosto quando estavam juntas e na maneira pela qual a professora lhe acariciava a mão com delicadeza e ternura. Quando Elizabeth estava em outras aulas, o seu pensamento se voltava para Mlle Harriot e recordava as ocasiões em que a professora tinha passado os braços pelo corpo dela a fim de consolá-la e tinha tocado em seus seios.

A princípio, Elizabeth pensava que esses contatos fossem casuais, mas haviam se repetido, e, nessas ocasiões, Mlle Harriot havia olhado Elizabeth com carinho e interrogação, como se esperasse uma reação.

Em sua imaginação, Elizabeth podia ver Mlle Harriot com seios fartos e pernas brancas, e pensou em como ela pareceria nua numa cama. Foi então que teve a súbita compreensão que a deixou aturdida. Ela era lésbica. Não estava interessada nos rapazes, porque gostava das mulheres. Não das tolinhas que eram suas colegas, mas de uma mulher sensível e compreensiva como Mlle Harriot.

Elizabeth podia imaginar as duas juntas, abraçando-se e confortando-se. Elizabeth tinha lido e ouvido muitas coisas sobre as lésbicas e sabia como a vida era difícil para elas. A sociedade não aprovava o lesbianismo, considerava-o um crime contra a natureza. Mas que mal havia, pensava Elizabeth, em amar alguém profundamente? Que importância tinha que se tratasse de um homem ou de uma mulher? O importante não era o amor?

Elizabeth pensou como seu pai ficaria horrorizado quando soubesse a verdade.

Ora, era uma coisa que ela teria de enfrentar. Era preciso reajustar as suas idéias sobre o futuro. Nunca poderia ter uma vida normal como as outras moças, que iriam casar e ter filhos. Aonde quer que ela fosse, seria sempre uma mulher excluída e rebelde, que viveria longe da corrente da sociedade. Ela e Mlle Harriot Chantal viveriam num apartamento ou talvez numa casinha.

Elizabeth decoraria tudo com cores suaves, sem faltar um só acessório necessário. Teriam graciosos móveis franceses e belos quadros nas paredes. O pai poderia ajudar… Não, ela não queria nenhuma ajuda do pai. O mais provável era que ele nunca mais falaria com ela.

Elizabeth pensou no seu guarda-roupa. Poderia ser uma lésbica, mas não se vestiria como as mulheres da espécie. Nada de tweeds, calças compridas, ternos ou chapéus vagamente masculinos, que funcionariam como as campainhas advertências dos leprosos para mulheres emocionalmente aleijadas. Procuraria ser sempre tão feminina quanto possível. Resolveu aprender a ser uma grande cozinheira para fazer os pratos favoritos de Mlle Harriot Chantal.

Imaginou as duas no seu apartamento ou na casinha, jantando à luz de velas os pratos que ela havia preparado. Primeiro, haveria uma vichyssoise, seguida de uma excelente salada. Depois, camarões ou talvez lagosta, quem sabe um chateaubriand, com um gostoso sorvete de sobremesa, Depois do jantar, se sentariam no chão diante da lareira acesa, vendo a neve cair através das janelas. Neve! Seria, portanto, no inverno.

Elizabeth modificou às pressas o menu. Em lugar de uma vichyssoise fria, faria uma sopa de cebola ou talvez uma fondwe. A sobremesa seria um suflê. Teria de aprender a tempo para não falhar. Em seguida, as duas ficariam sentadas diante do fogo, lendo poesia uma para a outra. T. S. Eliot talvez. Ou V. J. Rajadhon.

"O tempo é inimigo do amor,

Ladrão que abrevia

Todas as nossas horas douradas.

Nunca pude compreender por que

Os que amam contam a sua felicidade

Em dias, noites e anos,

Quando o amor só pode ser medido pelas alegrias, suspiros e lágrimas"

Ah… Elizabeth podia ver os anos se desenrolarem diante dela até a passagem do tempo dissolver-se num clarão dourado e quente. Adormecia então.

Elizabeth estava esperando alguma coisa desse tipo, mas, quando aconteceu, colheu-a inteiramente de surpresa. Acordou uma noite ao sentir que alguém entrava no seu quarto e fechara a porta sem fazer barulho. Abriu os olhos. Viu um vulto atravessar o quarto e aproximar-se da cama dela. A luz do luar que se infiltrava pelas janelas atingiu o rosto de Mlle Harriot Chantal. O coração de Elizabeth começou a bater desordenadamente.

- Elizabeth - disse Chantal num sussurro e deixou cair o robe. Não estava usando nada por baixo.

Elizabeth sentiu a boca seca. Pensava tanto naquele momento e, quando tudo estava acontecendo, sentia apenas medo. Na verdade, não sabia ao certo o que tinha de fazer ou como proceder. Não queria parecer ridícula aos olhos da mulher que amava.

- Olhe para mim - ordenou Chantal. Elizabeth olhou. Deixou os olhos correrem pelo corpo nu da outra. Harriot Chantal não era exatamente o que Elizabeth havia imaginado.

Os seios lembravam maças enrugadas e eram um tanto caídos. Tinha uma pequena barriga arredondada e o derriére parecia -Elizabeth não encontrou outra palavra no momento - pendurado.

Mas nada disso tinha importância. O que importava era o que havia sob o exterior, a alma da mulher, a coragem que ela tinha de ser diferente, de desafiar o mundo inteiro e de querer passar o resto da vida com Elizabeth.

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