Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
- Não há motivo para…
- Esvazie os bolsos!
Duas horas mais tarde, o gabinete de São Francisco dos Serviços de Combate à Droga recebia uma confissão escrita e osnomes das pessoas a quem Bowman tinha vendido drogas.
Quando Paige ouviu as notícias, foi ter com Mitch Campbell.
Este estava sentado num gabinete, a descansar.
Tinha as mãos sobre a secretária quando Paige entrou, podendo ver como estas tremiam.
Rapidamente, Campbell escondeu as mãos:
- Olá, Paige. Como está?
- Bem, Mitch. Quero falar consigo.
- Sente-se.
Sentou-se na cadeira em frente:
- Há quanto tempo sofre da doença de Parkinson? O rosto dele ficou branco:
- O quê?
- É isso, não é? Tem tentado esconder o fato.
Houve um silêncio pesado:
- Eu… eu… sim. Mas eu… não consigo abandonar a medicina. Não consigo mesmo. Isto é toda a minha vida.
Paige inclinou-se para a frente e disse com sinceridade:
- Não tem de abandonar a medicina, mas não devia fazer operações.
Subitamente, ele parecia ter envelhecido:
- Eu sei. Ia deixar de operar no ano passado. - E sorrindo afavelmente: - Penso que agora terei de deixar de operar, não é assim? Você vai informar o doutor Wallace?
- Não - respondeu Paige, gentilmente. - O senhor é que vai dizer ao doutor Wallace.
Paige estava a almoçar na cafetaria quando Tom Chang se juntou a ela.
- Soube o que aconteceu - disse. - Bowman! Incrível. Bom trabalho.
Ela abanou a cabeça:
- Quase que acusei a pessoa errada.
Chang sentou-se e ficou calado.
- Sente-se bem, Tom?
- Quer ouvir o “Sim, estou bem” ou quer saber a verdade?
- Somos amigos. Quero a verdade.
- O meu casamento foi pelo cano abaixo. - De repente, os olhos encheramse de lágrimas. - Sye foi-se embora. Regressou a casa dela.
- Lamento, sinceramente.
- Não é culpa dela. Há muito tempo que o casamento tinha terminado. Ela disse que eu estou casado com o hospital e tem razão. Passo toda a minha vida aqui a cuidar de estranhos, em vez de estar ao lado das pessoas que me são queridas.
- Ela há-de regressar. Vai ver que tudo se há-de solucionar - disse Paige, procurando confortá-lo.
- Não. Desta vez, não.
- Já pensaram em ouvir os conselhos de um advogado, ou…
- Ela recusa-se.
- Lamento, Tom. Se houver algo que eu… - Ouviu o seu nome a ser chamado.
- Doutora Taylor, quarto quatrocentos e dez…
Paige ficou subitamente alarmada:
- Tenho de ir - disse. Quarto 410. Era o de Sam Bernstein.
Era um dos seus doentes favoritos, um sepuagenário simpático que sofria de um inoperável cancro no estômago. Muitos dos doentes do hospital estavam sempre a queixar-se, mas Sam Bernstein era uma excepção.
Paige admirava a sua coragem e dignidade. A mulher e os dois filhos adultos visitavam-no regularmente e Paige simpatizava também com eles.
Estava ligado a sistemas de suporte de vida, com um aviso, NR - Não Ressuscitar - se o coração parar.
Quando Paige entrou no quarto, estava uma enfermeira ao lado da cama.
Esta levantou a cabeça quando ouviu Paige.
- Morreu, doutora. Não comecei os procedimentos de emergência porque…
- A voz começou a fugir-lhe.
- Agiu muito bem - disse Paige, lentamente. - Obrigada.
- Posso fazer qualquer…
- Não. Eu trato de tudo. - Paige permaneceu ao lado da cama e olhou para o corpo daquilo que havia sido um sorridente ser humano com vida, um homem com família e amigos, alguém que tinha passado a vida a trabalhar arduamente, a cuidar dos que lhe eram queridos.
E agora…
Aproximou-se da gaveta onde ele guardava os seus haveres.
Havia um relógio barato, um molho de chaves, quinze dólares em dinheiro, a dentadura e uma carta para a mulher. Tudo aquilo recordava a vida de um homem.
Paige não conseguia afastar a sensação de depressão que a oprimia.
- Era uma pessoa tão querida. Porquê…?
- Paige - interveio Kat -, não podes envolver-te emocionalmente com os teus doentes. Isso far-te-á mal.
- Eu sei. Tens razão, Kat. É que… tudo acabou tão repentinamente, sabes?
Esta manhã ele conversou comigo.
Amanhã é o seu funeral.
- Não estás a pensar ir, estás?
- Não.
O funeral teve lugar no Cemitério Hills of Eternity.
Na religião judaica, o enterro deve ser efetuado logo a seguir à morte e normalmente o serviço é celebrado no dia seguinte.
O corpo de Sam Berstein foi vestido com um takhrikhim, uma túnica branca, e envolto num talit. A família reuniu-se em volta da campa. O rabino entoava “Hamakom y’nathaim etkhem b’tokh sh’ar availai tziyon veeyerushalayim.” O homem que estava ao lado de Paige reparou na expressão confusa do rosto e traduziu: - “Que Deus te conforte com todos os pranteadores do Reino Unido dos Céus e de Jerusalém.” Para surpresa de Paige, os membros da família começaram a rasgar as roupas que vestiam, enquanto cantavam Kbaruch ata adonai elohainu melech haolam dayan há-met.” - O que…?
- Isso demonstra respeito - sussurrou o homem. - “Do pó vieste e para o pó regressaste, mas o espírito regressa a Deus, que foi quem to ofereceu.” A cerimónia tinha terminado.
Na manhã seguinte, Kat encontrou-se com Honey no corredor.
Esta parecia nervosa.
- O que é que aconteceu? - perguntou Kat.
- O doutor Wallace mandou-me chamar. Pediu-me para estar no gabinete dele às duas horas.
- Sabes porquê?
- Julgo que está relacionado com as rondas do outro dia. O doutor Ritter é um monstro.
- Pode ser - disse Kat. - Mas tenho a certeza que tudo irá correr bem.
- Queira Deus que sim, mas estou com um mau pressentimento.
Chegou ao gabinete de Wallace Benjamin às duas horas em ponto, levando na bolsa um pequeno pote de mel.
A recepcionista estava a almoçar. A porta do Dr. Wallace estava aberta.
- Entre, doutora Taft - convidou.
Honey entrou no gabinete.
- Feche a porta, por favor.
Honey fechou a porta.
- Sente-se.
Honey sentou-se à frente dele. Quase tremia.
Benjamin Wallace tinha suportado a situação o mais possível.
Olhou para ela e pensou: “É como escorraçar um cachorrinho.
Mas o que tem de ser feito, tem de ser feito.
- Lamento informá-la de que tenho uma má notícia para lhe dar - disse.
Uma hora mais tarde, Honey encontrou-se com Kat no solário.
Honey afundou-se numa cadeira próximo dela, a sorrir.
- Já falaste com o doutor Wallace? - perguntou Kat.
- Oh, sim. Tivemos uma longa conversa. Sabias que a mulher o deixou em Setembro? Foram casados durante quinze anos. Tem dois filhos adultos de um casamento anterior, mas pouco os vê.
O pobrezinho está muito solitário.
Era outra vez Ano Novo e Paige, Kat e Honey entraram em 1994 no Embarcadero County Hospital. Para elas, nada na vida tinha sofrido alterações, à excepção da identidade dos doentes.
Quando Paige atravessava o parque de estacionamento, lembrou-se de Harry Bowman e do seu Ferrari vermelho.
“Quantas vidas foram destruídas pelo veneno que Harry Bowman vendia?”, pensou. As drogas eram tão sedutoras. E no final, tão mortais.
Jimmy Ford surgiu com pequeno ramo de flores para Paige.
- Para que é isto, Jimmy?
Ele corou:
- Gostaria que ficasse com elas. Sabia que me vou casar?
- Não! Que maravilha. Quem é a sortuda?
- Chama-se Betsy. Trabalha numa loja de pronto-a-vestir.
Vamos ter meia dúzia de filhos. A primeira menina terá o nome de Paige.
Espero que não se importe.
- Eu, importar-me? Sinto-me lisonjeada.
Ele ficou embaraçado:
- Já sabe daquela sobre o médico que deu duas semanas de vida a um doente? “Não posso pagar-lhe já” disse o homem.