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Nada dura para sempre [em Português]

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Nada dura para sempre [em Português]
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Surpreendentemente, sabia tudo sobre cada um dos doentes e era clara e eficiente nos diagnósticos.

Um dos residentes chefes falava dela com um dos colegas.

- Macacos me mordam se compreendo o caso - disse. - De manhã, as queixas sobre a doutora Taft são cada vez mais.

Comete demasiados erros. Conheces a anedota sobre a enfermeira que faz tudo errado? Um médico queixa-se de que lhe disse para dar três comprimidos ao doente do quarto quatro e ela deu quatro ao doente do quarto três e, quando estava a falar dela, vê-a a correr pelo corredor atrás de um doente nu, segurando nas mãos uma panela de água a ferver. O médico diz: “Olhe m para aquilo!

Mandei-a picar o furúnculo dele!”

O colega desatou a rir:

- Bem, esse é o retrato da doutora Taft. Mas, à tarde, ela é absolutamente brilhante. Os diagnósticos são corretos, os apontamentos são maravilhosos e responde sem a mínima hesitação. Deve tomar algum comprimido milagroso que atua somente à tarde. - Coçou a cabeça. - Estou bastante intrigado.

O Dr. Nathan Ritter era um pedante, um homem que vivia e trabalhava segundo as regras. Embora lhe faltasse o brilho da inteligência, era uma pessoa apa e dedicada que esperava ver as mesmas qualidades naqueles que trabalhavam com ele.

Honey teve o azar de ser designada para a sua equipa.

A primeira paragem foi numa ala que continha uma dúzia de doentes. Um deles estava a terminar o pequeno-almoço. Ritter olhou para o gráfico aos pés da cama.

- Doutora Taft, o gráfico diz que é seu doente.

- Sim - concordou Honey.

- Ele vai fazer uma broncoscopia esta manhã.

Honey afirmou, abanando a cabeça:

- Correto.

- E permite que ele coma? - perguntou o Dr. Ritter.

- Antes de uma broncoscopia?

Honey respondeu:

- O pobrezinho não come desde…

Nathan Ritter voltou-se para o assistente:

- Adie o exame. - Começou a dizer algo a Honey e depois controlou-se. - Vamos continuar.

O doente seguinte era um porto-riquenho que tossia muito. O Dr. Ritter examinou-o.

- De quem é este doente?

- Meu - disse Honey.

Franziu a sobrancelha:

- A infecção dele já devia ter melhorado. - Olhou para o gráfico. - Está a dar-lhe cinquenta miligramas de ampicilina quatro vezes ao dia?

- Exato.

- Não é nada exato. Está errado! É suposto ser quinhentos miligramas quatro vezes ao dia. Você cortou um zero.

- Peço desculpa, eu…

- Não é de admirar que o doente não esteja melhor! Quero que altere isso imediatamente.

- Sim, doutor.

Quando se aproximaram de outro doente de Honey, o Dr. Ritter disse impacientemente:

- Ele tem uma colonoscopia marcada. Onde está o relatório de radiologia?

- O relatório de radiologia? Oh. Esqueci-me de mandar fazer.

Ritter deitou um longo olhar especulativo a Honey.

A partir daí, a manhã correu normalmente.

O doente que viram a seguir lamentava-se de dores:

- Tenho tantas dores. O que se passa comigo?

- Não sabemos - respondeu Honey.

O Dr. Ritter olhou para ela:

- Doutora Taft, pode chegar um momento aqui fora? - No corredor, disse: - Nunca, nunca diga a um doente que você não sabe. A senhora é a pessoa que eles esperam que os ajude! E se não souber a resposta, invente uma.

Compreendeu?

- Não me parece justo…

- Não lhe perguntei se parecia justo. Faça apenas o que lhe foi dito.

Examinaram uma hérnia hiatal, um doente hepático, um doente que sofria da doença de Alzheimer e duas dúzias de outros.

Assim que a ronda terminou, o dr. Ritter dirigiu-se ao gabinete de Benjamin Wallace.

- Temos um problema - disse Ritter.

- O que se passa, Nathan?

- É um dos nossos residentes. Honey Taft.

“ Outra vez!” - O que há com ela?

- É um desastre.

- Mas teve tão boas recomendações! - bem, é melhor livrares-te dela antes que o hospital se envolva num problema grave; antes que ela mate um ou dois doentes.

Wallace pensou nisso durante um momento e depois tomou uma decisão.

- Certo. Vou mandá-la embora.

Paige esteve ocupada a operar durante quase toda a manhã.

Assim que ficou livre, foi ter com o Dr. Wallace a fim de o informar das suas suspeitas sobre Harry Bowman.

- Bowman? Tem a certeza. Quero dizer… Não vi sinais de vício.

- Ele não a usa - explicou Paige. - Vende-a. Vive como um milionário com um salário de residente. bem Wallace concordou:

- Muito bem. Vou verificar. Obrigado, Paige.

Wallace mandou chamar Bruce Anderson, chefe da segurança.

- Talvez já tenhamos identificado o ladrão da droga - disse-lhe Wallace. - Quero que vigie o doutor Harry Bowman.

- Bowman? - Anderson procurou esconder o espanto. O Dr.

Bowman estava sempre a oferecer charutos cubanos e outros pequenos presentes. Todos gostavam dele.

- Se ele entrar no dispensário, reviste-o quando sair.

- Sim, senhor.

Harry Bowman dirigia-se ao dispensário. Tinha ordens a cumprir. Muitas ordens. Tudo começara como um acidente oportuno. Trabalhara num pequeno hospital de Ames, Iowa, lutando para sobreviver com o salário de um residente. Gostava de champanhe e de cerveja e, por fim, o destino tinha-lhe sorrido.

Um dos seus doentes que recebera alta do hospital, telefonara-lhe uma manhã.

- Doutor, estou cheio de dores. Tem de me dar qualquer coisa.

- Quer baixar outra vez?

- Não quero deixar a minha casa. Não me pode trazer qualquer coisa?

Bowman pensou no caso:

- Está bem. Passarei aí quando sair.

Quando visitou o doente, levava um frasco de fentanil.

O doente agarrou nele:

- Que maravilha! - disse, sacando um maço de notas. - Tome.

Bowman olhou para ele, surpreendido:

- Não tem de me pagar nada.

- Está a brincar comigo? Isto aqui é como ouro. Tenho muitos amigos que lhe pagarão uma fortuna se lhe s trouxer disto.

E foi assim que tudo começou. No espaço de dois meses, Harry Bowman fazia dinheiro como jamais tinha sonhado ser possível.

Infelizmente, o diretor do hospital soubera do que se estava a passar.

Temendo um escândalo público, disse a Bowman que se ele saísse sem alarido nada ficaria registrado na sua ficha.

“Ainda bem que saí”, pensou Bowman. “São Francisco tem um mercado muito maior.”, Chegou ao dispensário. Bruce Anderson estava de pé no lado de fora. Bowman cumprimentou-o:

- Olá, Bruce.

- Boa tarde, doutor Bowman.

Cinco minutos mais tarde, quando Bowman saiu do dispensário, Anderson disse:

- Desculpe, mas vou ter de o revistar.

Harry Bowman olhou para ele:

- Revistar-me? De que é que estás a falar, Bruce?

- Peço desculpa, doutor. Temos ordens para revistar todos os que utilizam o dispensário - mentiu Anderson.

Bowman estava indignado:

- Nunca ouvi tal coisa. Recuso-me totalmente!

- Então terei de lhe pedir que me acompanhe ao gabinete do doutor Wallace.

- Tudo bem! Ele vai ficar furioso quando souber disto.

Bowman entrou de rompante no gabinete de Wallace:

- O que se passa, bem? Este homem quis revistar-me, maldito seja!

- E você recusou-se a ser revistado?

- Com certeza.

- Está bem. - Wallace pegou no telefone. - Vou permitir que seja a polícia de São Francisco a fazê-lo, se preferir. - E começou a discar.

Bowman entrou em pânico:

- Espere! Não é necessário. - O rosto ficou subitamente mais sereno. - Oh!

Já sei do que é que se trata! - Meteu a mão no bolso e tirou um frasco de fentanil. - Fui buscar isto para utilizar numa operação e…

Wallace disse calmamente:

- Esvazie os bolsos.

Um olhar de desespero surgiu no rosto de Bowman:

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