Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
“Está bem, dou-lhe mais duas semanas.
E Jimmy desapareceu.
Paige estava preocupada com Tom Chang. Estava a sofrer violentas mudanças de temperamento, desde a euforia à depressão profunda.
Numa manhã, durante uma conversa com Paige, disse:
- Já percebeu que se não fôssemos nós, a maioria das pessoas daqui morreriam? Temos o poder de curar o corpo delas e de as tornar completas de novo. - E na manhã seguinte: - Estamos todos a enganar-nos a nós próprios, Paige. Os nossos doentes melhorariam mais depressa sem nós.
Somos hipócritas ao fingirmos que temos a resposta para todas as perguntas. Bem, não temos.
Paige estudou-o por momentos:
- Como está a Sye?
- Falei com ela ontem. Não quer voltar para cá. Vai pedir o divórcio.
Paige tocou-lhe no braço:
- Lamento, Tom.
Ele encolhe u os ombros:
- Porquê? Não me afeta nada. Agora já não me afeta.
Encontrarei outra mulher. - Sorriu. - E terei outro filho.
Verá.
Havia algo irreal na conversa.
Nessa noite, Paige disse a Kat:
- Estou preocupada com Tom Chang. Tens falado com ele ultimamente?
- Sim.
- Pareceu-te normal?
- Nenhum homem me parece normal - respondeu Kat.
Paige ainda continuava preocupada.
- Vamos convidá-lo para jantar amanhã à noite.
- Está bem.
Na manhã seguinte, quando Paige entrou ao serviço no hospital, recebeu a notícia de que um porteiro tinha encontrado o corpo de Tom Chang numa arrecadação da cave.
Morrera com uma dose excessiva de barbitúricos.
Paige ficou quase histérica:
- Eu podia tê-lo salvo - disse a chorar. - Esteve todo este tempo a pedir ajuda e eu não o ouvi.
Kat disse firmemente:
- De forma alguma o poderias ter ajudado, Paige. Tu não eras o problema e também não eras a solução. Ele não queria viver sem a mulher e a filha. É tão simples como isso.
Paige limpou as lágrimas:
- Maldito seja este lugar! - disse. - Se não fosse a pressão e os horários, a mulher nunca o teria deixado.
- Mas deixou - disse Kat, gentilmente. - Acabou.
Paige nunca assistira a um funeral chinês. Era um espetáculo incrível.
Começou muito cedo na Casa Mortuária da Green Street, em Chinatown, onde uma multidão começou a juntar-se no exterior. Foi organizado um cortejo com uma enorme banda musical e, à cabeça, pessoas enlutadas que transportavam uma fotografia ampliada de Tom Chang.
A marcha teve início com a banda a tocar alto enquanto atravessavam as ruas de São Francisco e o carro fúnebre na cauda do cortejo. A maioria dos enlutados ia a pé, mas os mais velhos iam de carro.
Para Paige, o cortejo parecia mover-se ao acaso pela cidade.
Estava confusa:
- Aonde vamos? - perguntou a um dos enlutados.
Este inclinou-se ligeiramente e disse:
- É nosso costume levar o falecido a alguns dos lugares que tiveram significado na sua vida… restaurantes onde comia, lojas que utilizava, lugares que visitava…
- Compreendo.
O cortejo terminou em frente ao Embarcadero County Hospital.
O enlutado voltou-se para Paige e disse:
- Foi aqui que Tom Chang trabalhou. Foi aqui que ele encontrou a felicidade.
“Errado”, pensou Paige. “Foi aqui que ele perdeu a felicidade.
Numa manhã, quando caminhava pela Market Street, Paige viu Alfred Turner. O coração começou a bater mais depressa. Não tinha conseguido esquecê-lo. Ele começava a atravessar a rua quando o sinal mudou. Assim que Paige chegou à esquina, o sinal mudou para vermelho. Ignorou-o e atravessou a correr, ignorando as buzinas e os insultos dos motoristas.
Paige chegou ao outro lado e aproximou-se rapidamente de Alfred. Pegoulhe na manga:
- Alfred…
O homem voltou-se:
- Como?
Era alguém totalmente estranho.
Agora que Paige e Kat já eram residentes há quatro anos, faziam operações numa base regular.
Kat trabalhava com médicos na neurocirurgia e não deixava de ficar admirada perante o milagre das centenas de milhões de complexos computadores digitais, chamados neurónios, que viviam no cérebro. O trabalho era entusiasmante.
Kat tinha um profundo respeito pela maioria dos médicos com quem trabalhava. Eram cirurgiões brilhantes e peritos. Havia alguns que a tinham feito passar um mau bocado. Tentaram sair com ela e quanto mais ela recusava, mais desafiadores se tornavam.
Ouviu um médico dizer:
- Ali vem a famosa calça-de-ferro.
Estava a ajudar o Dr. Kibler numa operação ao cérebro. Foi feita uma pequena incisão no córtex e o Dr. Kibler introduzia uma cânula de borracha no ventrículo lateral esquerdo, a cavidade central da metade esquerda do cérebro, enquanto Kat mantinha a incisão aberta com o auxílio de um pequeno retrator. Toda a concentração estava focada no que acontecia à sua frente.
O Dr. Kibler olhou para ela e, enquanto trabalhava, disse:
- Já sabe daquela sobre o bêbedo que entrou de rompante num bar e disse “Dê-me uma bebida, depressa!” - “Não posso”,, disse o empregado. “Você já está bêbedo”.
A broca cortava mais fundo. - “Se não me der uma bebida, mato-me.”, Começou a correr líquido cerebral do ventrículo e a sair pela cânula. - “Oiça o que vou fazer”, disse o empregado. “Tenho três desejos. Se me satisfizer os três, dar-lhe -ei uma garrafa.” Enquanto falava, foram injetados mililitros de ar no ventrículo e tiradas radiografias da vista ântero-posterior e da vista lateral. - “Vê aquele jogador de futebol? Não consigo tirá-lo daqui.
Quero que corra com ele. A seguir, tenho um crocodilo de estimação no meu escritório, que está com dores de dentes. É tão mau que não consigo que o veterinário se aproxime dele.
Por último, existe uma médica dos Serviços de Saúde que quer fechar este lugar. Foda-a e dar-lhe -ei a garrafa.
Uma enfermeira-assistente fazia sucção para reduzir a quantidade de sangue naquele local.
- O bêbedo corre com o jogador de futebol e entra no escritório onde estava o crocodilo. Sai quinze minutos depois, todo sujo de sangue e com a roupa rasgada, e diz: “Onde está a médica com dores de dentes?” Deu uma tremenda gargalhada: - Entendeu? Ele fodeu o crocodilo em vez da médica.
Se calhar foi uma experiência melhor! Kat permaneceu ali, furiosa, com vontade de lhe dar uma bofetada.
Quando a operação chegou ao fim, Kat dirigiu-se ao quarto dos médicos de serviço, para tentar acalmar-se.
“Não vou deixar que estes filhos da mãe me derrotem. Isso é que não.”
De tempos em tempos Paige saía com médicos do hospital, mas recusava envolver-se emocionalmente com qualquer deles. Alfred Turner tinha-a magoado profundamente e ela estava decidida a nunca mais passar pelo mesmo.
A maior parte dos dias e das noites eram passados no hospital. O horário era estafante, mas Paige fazia e gostava da cirurgia geral.
Uma manhã, George Englund, chefe da cirurgia, mandou-a chamar.
- Este ano vai começar a sua especialidade. Cirurgia cardiovascular.
Ela anuiu:
- Sim.
- Bem, tenho um pato para si. Já ouviu falar do doutor Barker?
Paige olhou para ele, surpreendida:
- O doutor Lawrence Barker?
- Sim.
- Claro que sim.
Todos tinham ouvido falar de Lawrence Barker. Era um dos mais famosos cirurgiões cardiovasculares do mundo.
- Bem, na semana passada regressou da Arábia Saudita, onde operou o rei.
O doutor Barker é um velho amigo meu e concordou em ceder-nos três dias por semana. Pro bono.
- Fantástico! - exclamou Paige.
- Vou colocá-la na equipa dele.
Por um momento Paige ficou muda:
- Eu… não sei o que dizer. Fico-lhe muito agradecida.
- É uma bela oportunidade para si. Pode aprender muito com ele.
- Tenho a certeza que sim. Obrigada, George. Fico-lhe bastante grata por isto.
- Irá começar as suas rondas com ele amanhã de manhã, às seis horas.