Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
vento frio em nossos rostos e os espaços vazios, escuros, dos dois lados da estrada estreita me indicaram que estávamos, mais uma vez, de volta ao pântano. Cada passo dos cavalos e cada volta das rodas estavam nos levando para mais perto da nossa aventura suprema.
Nossa conversa foi dificultada pela presença do cocheiro da charrete alugada, de modo que fomos obrigados a falar de assuntos banais quando os nossos nervos estavam tensos de emoção e expectativa. Foi um alívio para mim, após essa limitação pouco natural, quando passamos finalmente pela casa de Frankland e vimos que estávamos chegando perto da Mansão e do local da ação. Nós não fomos de charrete até a porta, mas descemos perto do portão da avenida. A charrete foi paga e mandada imediatamente de volta para Coombe Tracey, enquanto começamos a caminhar para a Casa de Merripit.
– Você está armado, Lestrade?
O pequeno detetive sorriu.
– Enquanto estiver com as minhas calças, tenho um bolso traseiro, e enquanto tiver meu bolso traseiro, tenho algo dentro dele.
– Ótimo! Meu amigo e eu também estamos prontos para emergências.
– O senhor está muito reticente a respeito deste caso, sr. Holmes. Qual é o jogo agora?
– Um jogo de espera.
– Palavra, esse não parece um lugar muito animado – disse o detetive com um calafrio, olhando em volta para as encostas sombrias da colina e para a cerração que pairava sobre o charco de Grimpen. – Vejo as luzes de uma casa na nossa frente.
– Essa é a Casa de Merripit e o fim da nossa jornada. Devo pedir-lhes que caminhem na ponta dos pés e que só falem por sussurros.
Seguimos cautelosamente pelo caminho como se estivéssemos nos dirigindo para a casa, mas Holmes nos deteve quando estávamos a cerca de 180 metros dela.
– Aqui está bom – disse ele. – Estas pedras à direita constituem uma proteção admirável.
– Vamos esperar aqui?
– Sim, faremos a nossa pequena emboscada aqui. Entre neste recuo, Lestrade. Você já esteve dentro da casa, não esteve, Watson? Pode dizer a posição das peças? De onde são aquelas janelas com treliças nesta extremidade?
– Acho que são as janelas da cozinha.
– E aquela ali, tão iluminada?
– Aquela certamente é da sala de jantar.
– As cortinas estão levantadas. Você conhece melhor a disposição do terreno. Avance em silêncio e veja o que eles estão fazendo, mas, pelo amor de Deus, não deixe que eles percebam que estão sendo vigiados!
Desci pelo caminho na ponta dos pés e agachei-me atrás de um muro baixo que cercava o pomar raquítico. Entrando com cuidado em sua sombra, atingi um ponto de onde podia olhar diretamente pela janela sem cortina.
Havia apenas dois homens na sala, sir Henry e Stapleton. Estavam sentados de perfil para mim, em lados opostos de uma mesa. Os dois estavam fumando charutos, e havia café e vinho diante deles. Stapleton estava falando com animação, mas o baronete parecia pálido e distraído. Talvez a lembrança daquela caminhada solitária pelo pântano de mau agouro estivesse pesando muito em sua mente.
Enquanto eu os observava, Stapleton levantou-se e saiu da sala, enquanto sir Henry enchia o seu copo outra vez e recostava-se na cadeira, fumando o charuto. Ouvi uma porta rangendo e o ruído nítido de botas sobre o saibro. Os passos atravessaram o caminho do outro lado do muro atrás do qual eu estava agachado. Olhando por cima, vi o naturalista parar diante da porta de uma dependência no canto do pomar. Uma chave girou numa fechadura, e quando ele entrou ali, ouvi um ruído curioso de luta vindo de dentro. Ele ficou apenas um minuto ali dentro; depois ouvi a chave girar outra vez e ele passou por mim e entrou novamente em casa. Vi quando ele entrou na sala onde estava seu convidado, e voltei cautelosamente para o lugar onde meus companheiros estavam esperando para contar-lhes o que vira.
– Você diz, Watson, que a mulher não está lá? – perguntou Holmes quando eu terminei meu relato.
– Não.
– Onde ela pode estar, então, já que não há luz em nenhum outro cômodo, exceto na cozinha?
– Não posso imaginar onde ela esteja.
Eu havia dito que sobre o grande charco de Grimpen pairava uma cerração branca e densa. Ela estava vindo lentamente em nossa direção e se acumulava como um muro daquele lado, baixa mas espessa e bem definida. A lua brilhava sobre ela, e parecia um grande campo de gelo bruxuleante, com os cumes dos picos rochosos distantes como rochas colocadas sobre a sua superfície. O rosto de Holmes virou-se para ela e ele resmungou impaciente enquanto observava o seu avanço lento.
– Ela está vindo em nossa direção, Watson.
– Isso é grave?
– Muito grave, realmente, a única coisa na terra que poderia transtornar os meus planos. Ele não pode demorar muito agora. Já são 22 horas. O nosso êxito e até a vida dele podem depender da saída dele antes que a cerração cubra o caminho.
A noite estava clara e linda acima de nós. As estrelas brilhavam frias e nítidas, enquanto uma meia-lua banhava toda a cena com uma luz suave e hesitante. Diante de nós estava o contorno escuro da casa, com o seu telhado serrilhado e chaminés eriçadas delineados contra o céu prateado reluzente. Faixas largas de luz dourada das janelas de baixo estendiam-se pelo pomar e o pântano. Uma delas apagou-se de repente. Os criados haviam saído da cozinha. Restava apenas o lampião da sala de jantar onde os dois homens, o anfitrião assassino e o convidado inocente, ainda conversavam, fumando seus charutos. A cada minuto aquela névoa branca feito lã que cobria metade do pântano arrastava-se cada vez mais para perto da casa. As primeiras espirais finas dela já estavam atravessando o quadrado dourado da janela iluminada. O muro oposto do pomar já estava invisível, e as árvores apareciam em meio a um redemoinho de vapor branco. Enquanto observávamos, as espirais da cerração envolveram os dois cantos da casa e rolaram lentamente formando uma barreira densa, sobre a qual o andar superior e o telhado flutuavam como uma embarcação estranha num mar sombrio. Holmes deu um soco colérico na pedra diante de nós e bateu com os pés em sua impaciência.
– Se ele não sair em 15 minutos, o caminho ficará coberto. Dentro de meia hora não conseguiremos ver nossas mãos diante de nós.
– Vamos recuar para mais longe, para um terreno mais elevado?
– Sim, acho que isso seria melhor.
Assim, à medida que a barreira de cerração deslocava-se para a frente, nós recuávamos, até ficarmos a 800 metros da casa, e aquele denso mar branco com a lua prateando sua orla superior, ainda avançava lenta e inexoravelmente.
– Estamos nos afastando muito – disse Holmes. – Não podemos correr o risco de ele ser alcançado antes de poder chegar até nós. Devemos ficar onde estamos a todo o custo. – Ele se ajoelhou e colou o ouvido no chão. – Graças a Deus, acho que o estou ouvindo chegar.
Um ruído de passos rápidos quebrou o silêncio do pântano. Agachados entre as pedras, olhávamos atentamente para a barreira com o topo prateado diante de nós. Os passos ficaram mais altos, e através da cerração, como através de uma cortina, surgiu o homem que estávamos esperando. Ele olhou em volta surpreso ao sair na noite clara e estrelada. Depois veio rapidamente pelo caminho, passou perto de onde estávamos e continuou subindo a longa encosta atrás de nós. Enquanto andava, ele olhava constantemente por cima dos ombros, como um homem que estivesse pouco à vontade.