Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
E assim fizemos. Resistindo ao oferecimento de hospitalidade de Stapleton, Holmes e eu partimos para a Mansão Baskerville, deixando que o naturalista voltasse sozinho. Olhando para trás, vimos o vulto afastando-se lentamente pelo vasto pântano, e atrás dele aquela mancha preta sobre a encosta prateada que mostrava onde estava caído o homem que chegara ao seu fim de uma maneira tão horrível.
prendendo as redes
Estamos quase pegando o homem, finalmente – disse Holmes enquanto caminhávamos pelo pântano. – Que descaramento o sujeito tem! Como ele se recompôs diante do que deve ter sido um choque quando descobriu que o homem errado fora a vítima da sua trama. Eu disse a você em Londres, Watson, e digo-lhe agora outra vez, que nunca tivemos um inimigo mais merecedor da nossa determinação.
– Lamento que ele o tenha visto.
– Eu também, a princípio. Mas não havia meio de evitar isso.
– Que conseqüência você acha que terá para os seus planos o fato de ele saber que você está aqui?
– Isso pode fazer com que ele fique mais cuidadoso, ou pode levá-lo imediatamente a adotar medidas desesperadas. Como muitos criminosos espertos, ele pode
confiar demais na sua própria esperteza e imaginar que nos enganou completamente.
– Por que não o prendemos imediatamente?
– Meu caro Watson, você nasceu para ser um homem de ação. O seu instinto é sempre fazer alguma coisa enérgica. Mas supondo, só para argumentar, que mandemos prendê-lo esta noite, como diabos isso nos ajudaria? Não podemos provar nada contra ele. Essa é a astúcia diabólica da coisa! Se ele estivesse agindo por intermédio de um agente humano, poderíamos obter alguma prova, mas se tivermos que arrastar este cachorrão para a luz do dia, isso não nos ajudará a pôr uma corda em volta do pescoço do seu dono.
– Certamente temos base para um processo.
– Nem para a sombra de um, apenas suspeitas e conjecturas. Vão rir de nós no tribunal se chegarmos lá com essa história e essas provas.
– Há a morte de sir Charles.
– Encontrado morto sem uma marca no corpo. Você e eu sabemos que ele morreu de puro pavor, e sabemos também o que o assustou; mas como vamos fazer com que 12 jurados impassíveis acreditem nisso? Que sinais existem de um cão? Onde estão as marcas dos seus dentes? É claro que sabemos que um cão não morde um cadáver e que sir Charles estava morto antes mesmo de o animal alcançá-lo. Mas temos que provar tudo isto, e não estamos em condições de fazer isso.
– Bem, então esta noite?
– Não estamos em situação melhor esta noite. Novamente, não há nenhuma relação direta entre o cão e a morte do homem. Nós nem vimos o cão. Nós o ouvimos, mas não podemos provar que ele estava correndo na pista deste homem. Há uma ausência absoluta de motivo. Não, meu caro amigo; precisamos nos conformar com o fato de que não temos nenhum caso policial no momento, e que vale a pena corrermos qualquer risco a fim de estabelecer um.
– E como você se propõe a fazer isso?
– Eu deposito grandes esperanças no que a sra. Laura Lyons possa fazer por nós quando a situação ficar clara para ela. E tenho o meu próprio plano também. Basta a cada dia o seu mal; mas espero finalmente estar em posição vantajosa antes de o dia terminar.
Não consegui arrancar mais nada dele, e ele caminhou, perdido nos seus pensamentos, até os portões de Baskerville.
– Você vai entrar?
– Sim; não vejo motivo para me esconder mais. Mas uma última palavra, Watson. Não diga nada sobre o cão a sir Henry. Deixe-o pensar que a morte de Selden foi como Stapleton queria que acreditássemos. Ele terá maior coragem para a provação pela qual terá de passar amanhã, quando está convidado, se me lembro bem do seu relatório, para jantar com estas pessoas.
– E eu também.
– Então você deve se desculpar e ele precisa ir sozinho. Isso será conseguido facilmente. E agora, se estamos atrasados demais para jantar, acho que estamos prontos para as nossas ceias.
Sir Henry ficou mais satisfeito do que surpreso ao ver Sherlock Holmes, porque, durante alguns dias, ele esperara que os acontecimentos recentes o trouxessem de Londres. Mas ele ergueu as sobrancelhas quando descobriu que o meu amigo não tinha nenhuma bagagem nem qualquer explicação para a falta dela. Nós dois atendemos logo às suas necessidades, e depois, durante uma ceia tardia, explicamos ao baronete a parte da nossa experiência que achamos que ele devia saber. Mas primeiro tive o desagradável dever de dar a notícia a Barrymore e sua mulher. Para ele isso pode ter sido um alívio completo, mas ela chorou amargamente em seu avental. Para todo mundo ele era o homem violento, meio animal e meio demônio, mas, para ela, Selden continuou sendo sempre o menininho teimoso da sua própria infância, a criança que segurara em sua mão. Mau, realmente, é o homem que não tem uma mulher para pranteá-lo.
– Fiquei me aborrecendo em casa o dia inteiro, desde que Watson saiu de manhã – disse o baronete. – Acho que mereço algum crédito, porque mantive minha promessa. Se eu não tivesse jurado que não ia sair sozinho, podia ter tido uma noite mais animada, porque recebi um recado de Stapleton convidando-me para ir até lá.
– Não tenho nenhuma dúvida de que o senhor teria tido uma noite mais animada – disse Holmes secamente. – A propósito, suponho que o senhor não gostaria que estivéssemos pranteando o seu corpo com o pescoço partido.
Sir Henry abriu os olhos. – Como foi isso?
– Este pobre desgraçado estava vestido com as suas roupas. Receio que o seu empregado, que as deu a ele, possa ter problemas com a polícia.
– Isto é pouco provável. Não havia marca em nenhuma delas, pelo que sei.
– Isso é sorte dele – na verdade, é sorte para vocês todos, já que vocês estão do lado errado da lei nesta questão. Não tenho certeza de que, como um detetive consciencioso, meu primeiro dever não seja prender todos os que moram nesta casa. Os relatórios de Watson são documentos muito incriminadores.
– Mas, e quanto ao caso? – perguntou o baronete. – O senhor conseguiu deslindar alguma coisa? Acho que Watson e eu não sabemos muito mais desde que viemos para cá.
– Acho que estarei em condições de esclarecer muita coisa para o senhor dentro de pouco tempo. É um caso extremamente difícil e complicado. Há vários pontos sobre os quais ainda precisamos de esclarecimentos, mas estes virão da mesma forma.
– Tivemos uma experiência, como Watson deve ter contado ao senhor. Ouvimos o cão no pântano, de modo que posso jurar que nem tudo é uma superstição vazia. Lidei um pouco com cães quando estava no Oeste, e conheço um quando ouço. Se o senhor puder amordaçar esse e prendê-lo numa corrente, estarei pronto a jurar que o senhor é o maior detetive de todos os tempos.
– Acho que o amordaçarei e o porei numa corrente se o senhor me der a sua ajuda.
– Farei tudo que o senhor mandar.
– Muito bem; e vou pedir-lhe também para fazer isso cegamente, sem perguntar o motivo.
– Como quiser.
– Se o senhor fizer isto, acho que o nosso pequeno problema será resolvido em breve. Não tenho nenhuma dúvida...
Ele parou de repente e ficou olhando fixamente por cima da minha cabeça para o ar. A luz batia em seu rosto e ele estava tão atento e tão imóvel que podia ser o de uma estátua clássica nítida, uma personificação da vigilância e da expectativa.
– O que é? – exclamamos.
Pude perceber, quando baixou os olhos, que ele estava reprimindo alguma emoção interior. Suas feições ainda estavam compostas, mas seus olhos brilhavam com um júbilo divertido.
– Desculpe a admiração de um connoisseur – ele disse ao apontar para a fila de retratos que cobria a parede oposta. – Watson não admite que eu conheça alguma coisa sobre arte, mas isso é simples ciúme, porque as nossas opiniões sobre o assunto diferem. Mas esta é realmente uma série ótima de retratos.