Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– Vai responder. Cuidarei disso. Tio e sobrinho foram assassinados, o primeiro morreu de pavor pela própria visão de uma fera que ele pensava ser sobrenatural, o outro levado ao seu fim na sua fuga louca para escapar dela. Mas agora temos de provar a relação entre o homem e a fera. A não ser pelo que ouvimos, não podemos nem mesmo jurar que ela existe, já que sir Henry, evidentemente, morreu da queda. Mas, por Deus, por mais astuto que ele seja, o sujeito estará em meu poder antes que termine mais um dia!
Ficamos ali com os corações amargurados ao lado do corpo desfigurado, esmagados por este desastre repentino e irrevogável que havia levado todos os nossos esforços prolongados e cansativos a um fim tão lamentável. Depois, quando a lua se ergueu, subimos até o alto das rochas de cima das quais o nosso pobre amigo havia caído, e do cume contemplamos o pântano escuro, meio prateado e meio sombrio. Ao longe, a quilômetros de distância, na direção de Grimpen, uma luz amarela firme estava brilhando. Ela só podia vir da casa isolada dos Stapletons. Com uma praga amarga sacudi meu punho para ela enquanto olhava.
– Por que não podemos pegá-lo logo?
– O nosso caso não está completo. O sujeito é desconfiado e astuto até o último grau. Não se trata do que nós sabemos, mas do que podemos provar. Se fizermos um movimento em falso, o vilão ainda pode nos escapar.
– O que podemos fazer?
– Teremos muita coisa para fazer amanhã. Esta noite só podemos realizar os últimos ritos para o nosso pobre amigo.
Descemos juntos a encosta escarpada e nos aproximamos do corpo, negro e nítido contra as pedras prateadas. A agonia daquelas pernas retorcidas provocara em mim um espasmo de dor e encheram meus olhos de lágrimas.
– Temos de pedir ajuda, Holmes! Nós não podemos carregá-lo até a Mansão. Santo Deus, você está louco?
Ele havia soltado um grito e se inclinado sobre o corpo. Agora estava dançando, rindo e apertando a minha mão. Poderia ser este o meu amigo sério e controlado? Estes eram fogos escondidos, realmente!
– Uma barba! Uma barba! O homem tem uma barba!
– Uma barba?
– Não é o baronete, ora, é o meu vizinho, o condenado!
Com pressa febril viramos o corpo de frente, e aquela barba gotejante estava apontada para a lua fria e clara no alto. Não podia haver nenhuma dúvida quanto à testa saliente e aos olhos afundados de animal. Era, de fato, o mesmo rosto que havia olhado ferozmente para mim, à luz da vela, de cima da pedra, o rosto de Selden, o criminoso.
Depois, num instante, tudo ficou claro para mim. Lembrei-me de que o baronete havia me contado que dera o seu velho guarda-roupa a Barrymore. Este o havia passado adiante a fim de ajudar Selden em sua fuga. Botas, camisa, boné, era tudo de sir Henry. A tragédia ainda era terrível, mas este homem havia pelo menos merecido a morte pelas leis do seu país. Contei a Holmes o que acontecera, com o meu coração borbulhando de gratidão e alegria.
– Então as roupas causaram a morte do pobre-diabo – disse ele. – É evidente que o cão foi lançado na pista de algum objeto de sir Henry, provavelmente a bota que foi surrupiada do hotel, e assim descobriu este homem. Mas há uma coisa muito estranha: como foi que Selden, no escuro, soube que o cão estava na sua pista?
– Ele deve ter ouvido alguma coisa.
– Ouvir um cão no pântano não provocaria num homem duro como este condenado esse paroxismo de terror, a ponto de se arriscar a ser recapturado gritando desesperadamente por socorro. Pelos seus gritos, ele deve ter corrido uma longa distância depois de saber que o animal estava na sua pista. Como ele soube?
– Um mistério maior para mim é o motivo por que este cão, supondo que todas as nossas conjecturas estejam corretas...
– Eu não suponho nada.
– Bem, então, por que este cão estava solto esta noite? Suponho que nem sempre ele corra solto pelo pântano. Stapleton não o deixaria ir a menos que tivesse motivos para pensar que sir Henry estaria lá.
– Minha dificuldade é a maior das duas, porque eu acho que teremos muito em breve uma explicação para a sua, ao passo que a minha pode permanecer eternamente um mistério. A questão agora é: o que devemos fazer com o corpo deste pobre-diabo? Não podemos abandoná-lo aqui para as raposas e os corvos.
– Sugiro que o deixemos dentro de uma das cabanas até conseguirmos nos comunicar com a polícia.
– Exatamente. Não tenho dúvida de que você e eu conseguiremos carregá-lo até lá. Ei, Watson, o que é isto? É o próprio homem! Nem uma palavra que revele as suas suspeitas, nem uma palavra, ou meus planos irão por água abaixo.
Um vulto estava se aproximando de nós pelo pântano, e eu vi o brilho vermelho fraco de um charuto. A lua brilhava sobre ele, e pude distinguir a forma agitada e o andar lépido do naturalista. Ele parou quando nos viu, e depois avançou novamente.
– Ora, dr. Watson, não é o senhor, é? O senhor é o último homem que eu esperaria ver aqui no pântano a esta hora da noite. Mas, meu Deus, o que é isto? Alguém ferido? Não, não me diga que é o nosso amigo sir Henry! – Ele passou rapidamente por mim e curvou-se sobre o homem morto. Ouvi uma respiração áspera e o charuto caiu dos seus dedos.
– Quem, quem é este? – ele gaguejou.
– É Selden, o homem que fugiu de Princetown.
Stapleton virou para nós um rosto horrível, mas com um esforço supremo havia superado o seu espanto e o seu desapontamento. Ele olhou rapidamente de Holmes para mim.
– Meu Deus! Que caso mais chocante! Como foi que ele morreu?
– Parece que partiu o pescoço caindo sobre estas pedras. Meu amigo e eu estávamos passeando pelo pântano quando ouvimos um grito.
– Eu ouvi um grito também. Foi isso que me fez sair. Eu estava preocupado com sir Henry.
– Por que com sir Henry em particular? – não pude deixar de perguntar.
– Porque eu havia sugerido que ele fosse lá em casa. Quando não apareceu, fiquei surpreso e naturalmente preocupado com sua segurança quando ouvi gritos no pântano. A propósito – seus olhos desviaram-se outra vez do meu rosto para o de Holmes –, o senhor ouviu mais alguma coisa além de um grito?
– Não – disse Holmes. – O senhor ouviu?
– Não.
– O que quer dizer, então?
– Oh, o senhor conhece as histórias que os camponeses contam sobre um cão fantasma e assim por diante. Dizem que o ouvem à noite no pântano. Eu estava imaginando se tinham ouvido um som assim esta noite.
– Nós não ouvimos nada desse tipo – eu disse.
– E qual é a sua teoria sobre a morte deste pobre homem?
– Não tenho nenhuma dúvida de que a ansiedade e o abandono o fizeram perder a cabeça. Ele correu pelo pântano como um desvairado e acabou caindo aqui e quebrando o pescoço.
– Essa parece a teoria mais razoável – disse Stapleton, e deu um suspiro que julguei indicar seu alívio. – O que acha disso, sr. Sherlock Holmes?
Meu amigo inclinou-se num cumprimento.
– O senhor é rápido na identificação – disse ele.
– Estivemos à sua espera por aqui desde que o dr. Watson chegou. O senhor chegou a tempo de ver uma tragédia.
– Sim, realmente. Não tenho dúvida de que a explicação do meu amigo abrange os fatos. Vou levar uma lembrança desagradável para Londres amanhã.
– Oh, o senhor volta amanhã?
– Essa é a minha intenção.
– Espero que sua visita tenha lançado alguma luz sobre essas ocorrências que têm nos deixado intrigados.
Holmes encolheu os ombros.
– Não se pode ter sempre o sucesso que se espera. Um investigador precisa de fatos, e não lendas ou rumores. Não foi um caso satisfatório.
Meu amigo falou do seu jeito mais franco e despreocupado. Stapleton ainda olhava fixamente para ele. Depois virou-se para mim.
– Eu ia sugerir que levássemos este pobre sujeito para a minha casa, mas minha irmã ficaria com tanto medo que não me sinto no direito de fazer isso. Acho que se pusermos alguma coisa sobre o seu rosto ele ficará em segurança até de manhã.