Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– Ele não pode escapar de nós, madame.
– Não, não, não me refiro ao meu marido. Sir Henry? Ele está em segurança?
– Está.
– E o cão?
– Está morto.
Ela soltou um longo suspiro de satisfação.
– Graças a Deus! Graças a Deus! Oh, este vilão! Veja como ele me tratava! – Ela estendeu os braços para fora das mangas e vimos com horror que estavam cobertos de contusões. – Mas isto não é nada, nada! Foram a minha mente e a minha alma que ele torturou e maculou. Eu podia suportar isso tudo, maus-tratos, solidão, uma vida de impostura, tudo, desde que pudesse me agarrar ainda à esperança de que tinha o seu amor, mas agora sei que nisto também fui seu joguete e seu instrumento. – Ela explodiu num choro emocionado enquanto falava.
– A senhora não deve a ele nenhuma boa vontade, madame – disse Holmes. – Conte-nos, então, onde podemos encontrá-lo. Se a senhora alguma vez o ajudou no mal, ajude-nos agora, e assim pode se redimir.
– Só há um lugar para onde ele pode ter fugido – ela respondeu. Há uma velha mina de estanho numa ilha no meio do pântano. Era ali que ele guardava o seu cão e foi ali também que ele fez preparativos para que pudesse ter um refúgio. Para lá é que ele fugiria.
A barreira de cerração parecia lã branca do lado de fora da janela. Holmes aproximou dela o lampião.
– Veja – ele disse. – Ninguém conseguiria encontrar o caminho para dentro do charco de Grimpen esta noite.
Ela riu e bateu palmas. Seus olhos e dentes brilharam com alegria feroz.
– Ele pode encontrar o caminho para entrar, mas nunca para sair! – ela exclamou. – Como ele poderá ver as varas de orientação esta noite? Nós as plantamos juntos, ele e eu, para marcar o caminho através do pântano. Oh, se eu pudesse ao menos tê-las arrancado hoje. Então realmente os senhores o teriam à sua mercê!
Era evidente para nós que qualquer perseguição seria inútil até que a cerração tivesse se dissipado. Enquanto isso, deixamos Lestrade de posse da casa enquanto Holmes e eu voltamos com o baronete para a Mansão Baskerville. A história dos Stapletons não podia mais ser escondida dele, mas ele recebeu o golpe corajosamente quando soube a verdade sobre a mulher que havia amado. Mas o choque das aventuras da noite havia abalado seus nervos, e antes de amanhecer ele estava delirando e com febre alta, sob os cuidados do dr. Mortimer. Eles dois estavam destinados a viajar juntos numa volta ao mundo, antes de sir Henry se tornar mais uma vez o homem são e robusto que fora antes de se tornar dono daquela propriedade agourenta.
E agora chego rapidamente à conclusão desta narrativa singular, na qual tentei fazer o leitor compartilhar aqueles receios sombrios e suspeitas vagas que toldaram as nossas vidas por tanto tempo e terminaram de maneira tão trágica. Na manhã após a morte do cão, a cerração havia se dissipado e fomos guiados pela sra. Stapleton até o ponto onde eles haviam encontrado o caminho através do lodaçal. A ansiedade e a alegria com que ela nos pôs na pista do seu marido nos ajudaram a compreender o horror da vida desta mulher. Nós a deixamos parada na estreita península de terra firme e turfosa que se afunilava para dentro do vasto lodaçal. A partir do fim da península, uma pequena vara plantada aqui e ali mostrava onde o caminho ziguezagueava de tufo em tufo de juncos por entre estes buracos escumados de verde e atoleiros imundos que barravam o caminho para um estranho. Caniços aglomerados e plantas aquáticas viscosas exalavam um cheiro de podridão e um vapor mefítico e pesado em nossos rostos, enquanto um passo em falso nos deixou mergulhados mais de uma vez até a coxa no pântano escuro e pouco firme, que se agitava por vários metros em ondulações suaves ao redor dos nossos pés. Sua viscosidade tenaz segurava os nossos calcanhares quando andávamos, e quando afundávamos nela, era como se alguma mão maligna estivesse nos puxando para baixo dentro daquelas profundezas obscenas, tão feroz e intencional era a pressão com que nos agarrava. Só uma vez vimos um vestígio de que alguém havia passado por aquele caminho perigoso antes de nós. Do meio de um tufo de capim que brotava do lodo, projetava-se uma coisa escura. Holmes abaixou-se até a cintura quando saiu do caminho para pegá-la, e se não estivéssemos ali para puxá-lo para fora, talvez ele nunca mais pusesse os pés em terra firme outra vez. Ele segurava uma velha bota preta no ar. “Meyers, Toronto” estava impresso do lado de dentro do couro.
– Isso vale um banho de lama – ele disse. – É a bota desaparecida do nosso amigo, sir Henry.
– Atirada aqui por Stapleton em sua fuga.
– Exatamente. Ele ficou com ela na mão depois de usá-la para pôr o cão no rastro. Ele fugiu quando viu que o jogo havia terminado, ainda segurando-a. E a jogou fora neste ponto da sua fuga. Sabemos pelo menos que ele chegou até aqui em segurança.
Porém, nós não estávamos destinados a saber mais do que isso, embora houvesse muito mais que pudéssemos imaginar. Não havia nenhuma possibilidade de encontrar pegadas no pântano, porque a lama que subia as cobria rapidamente, mas quando chegamos por fim a um terreno mais firme além do brejo, todos nós as procuramos ansiosamente. Mas não vimos nem o mais leve sinal delas. Se a terra contava uma história verdadeira, então Stapleton nunca chegou àquela ilha de refúgio, em direção à qual ele saíra na noite anterior, enfrentando a cerração. Em algum lugar no coração do grande charco de Grimpen, no fundo da viscosidade imunda do enorme atoleiro que o sorvera, este homem frio e de coração cruel está enterrado para sempre.
Encontramos muitos vestígios dele na ilha cercada de lodo onde ele havia escondido o seu aliado selvagem. Um volante enorme e um poço meio cheio de detritos indicavam a posição de uma mina abandonada. Ao lado dela estavam os restos em ruínas das cabanas dos mineiros, expulsos sem dúvida pelo cheiro infecto do pântano em torno. Em uma delas, um grampo de ferro e uma corrente com uma quantidade de ossos roídos mostravam onde o animal havia estado confinado. Um esqueleto com um emaranhado de pêlos marrons presos a ele jazia entre os detritos.
– Um cachorro! – disse Holmes. – Por Deus, um spaniel de pêlos encaracolados. O pobre Mortimer nunca verá o seu animal de estimação outra vez. Bem, pelo que sei, este lugar não contém qualquer outro segredo que já não tenhamos imaginado. Ele conseguiu esconder o seu cão mas não conseguiu calar sua voz, e daí aqueles gritos que, mesmo à luz do dia, não eram agradáveis de se ouvir. Numa emergência ele podia guardar o cão na dependência anexa de Merripit, mas era sempre um risco, e foi só no dia supremo, que ele considerou o fim de todos os seus esforços, que ousou fazer isso. Esta pasta na lata sem dúvida é a mistura luminosa com a qual a criatura era besuntada. Isso foi sugerido, é claro, pela história do cão diabólico da família, e pelo desejo de amedrontar o velho sir Charles até matá-lo. Não admira que o pobre-diabo do condenado corresse e gritasse, da mesma forma como o nosso amigo fez, e como nós mesmos teríamos feito, quando ele viu essa criatura saltando através da escuridão do pântano na sua pista. Foi um artifício esperto, porque, além da possibilidade de levar sua vítima à morte, que camponês se arriscaria a investigar com muito empenho a respeito dessa criatura se a tivesse visto, como muitos viram, no pântano? Eu disse em Londres, Watson, e digo outra vez agora, que nunca tínhamos ajudado a caçar um homem mais perigoso do que esse que jaz lá longe – ele girou seu braço comprido em direção à imensa extensão pantanosa, salpicada de manchas verdes que se estendiam até se fundir com as encostas avermelhadas do pântano.
um retrospecto
Era fim de novembro, e Holmes e eu estávamos sentados, numa noite fria, úmida e nevoenta, ao lado de uma lareira resplandecente em nossa sala da Baker Street. Desde o desfecho trágico da nossa visita ao Devonshire, ele esteve ocupado com dois casos da maior importância, no primeiro dos quais havia denunciado a conduta cruel do coronel Upwood em relação ao famoso escândalo das cartas do Clube Nonpareil, enquanto no segundo havia defendido a infeliz mme. Montpensier da acusação de assassinato que pesava sobre ela em relação à morte da sua enteada, mlle. Carère, a jovem que, como se deve lembrar, foi encontrada seis meses mais tarde viva e casada em Nova York. O meu amigo estava de excelente humor pelo sucesso obtido numa sucessão de casos difíceis e importantes, de modo que pude convencê-lo a discutir os detalhes do mistério de Baskerville. Eu havia esperado pacientemente pela oportunidade, porque sabia que ele nunca permitiria