A Herdeira [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1985
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:
- Nada de estranhos - disse Samuel ao advogado. -As ações nunca devem deixar de ser propriedade da família.
- Está bem - disse o advogado. - Mas, se seus filhos não puderem vender as suas ações, Samuel, como irão se arranjar? É natural que queiram viver com conforto.
- Vou tomar providências para que morem em casas esplêndidas. Ganharão excelentes ordenados e disporão de uma boa verba de representação, mas tudo o mais deverá reverter em favor da companhia. Se algum dia quiserem vender as suas ações, terão de obter a aprovação unânime dos outros sócios. A maioria das ações pertencerá sempre a meu filho mais velho e a seus herdeiros. Vamos ser uma grande empresa.
Vamos ser maiores que os Rothschilds.
Com o correr dos anos, a profecia de Samuel se tornou uma realidade. A empresa cresceu e prosperou. Embora a família estivesse vivendo dispersa, Samuel e Terenia faziam todo o possível para uni-la. Os filhos voltavam à casa paterna por ocasião dos aniversários e festas. Porém, as visitas não eram, apenas, reuniões festivas. Os filhos e os pais discutiam juntos os negócios da companhia.
Tinham a sua rede de espionagem particular. Logo que um dos filhos tinha notícia de um progresso importante na indústria farmacêutica, participava o fato aos outros, e todos começavam a fabricar o produto, de modo que estavam sempre à frente dos seus concorrentes.
Com o advento do novo século, os cinco irmãos se casaram e deram netos ao velho Samuel. Abraham fora para os Estados Unidos aos vinte e um anos, em 1891.
Casou-se com uma moça americana sete anos depois e, em 1905, ela deu à luz o primeiro neto de Samuel, Woodrow, que gerou um filho chamado Sam.
Joseph se casou com uma moça alemã, e teve um casal de filhos. O filho se casou e teve uma filha, Anna, a qual se casou com um alemão chamado Walther Gassner.
Na França, Anton se casou com uma francesa, tornando-se pai de dois filhos. Um deles cometeu suicídio. O outro se casou e teve uma filha, chamada Hélsne, que se casou várias vezes, mas não teria filhos.
Jan, em Londres, se casara com uma inglesa. Sua filha única se casara com um baronete chamado Nichols e tivera um filho, a quem batizara de Alec.
Piotr tinha se casado em Roma com uma italiana. Tiveram um filho e uma filha.
Quando o filho, por sua vez, se casou, a mulher deu-lhe uma filha, Simonetta, que se casara com Ivo Palazzi, um jovem arquiteto. Eram esses os descendentes de Samuel e Terenia Roffe.
Samuel viveu o bastante para ver os ventos da mudança soprarem pelo mundo.
Teve oportunidade de assistir transmissões de telégrafo sem fio e ao vôo dos primeiros aviões. Emocionou-se quando o casa Dreyfus ocupou as manchetes dos jornais e quando o almirante Peary chegou ao pólo norte. O modelo T de Henry Ford era produzido em massa.
Por quase toda a parte havia luz elétrica e telefones. Em medicina, os germes que causaram a tuberculose, o tifo e a malária foram isolados e debelados. A Roffe and Sons em pouco menos de meio século havia se transformado numa colossal empresa multinacional espalhada por todo mundo. Samuel e a sua velha égua Lottie haviam criado uma dinastia.
Quando Elizabeth concluiu talvez a quinta leitura do Livro, tornou a guardá-lo na sala da Torre. Não precisava mais dele. O Livro ficara incorporado à sua existência. Pela primeira vez na vida, Elizabeth sabia quem era e de onde vinha.
Capítulo 12 Foi no seu décimo quinto aniversário, ao fim do primeiro ano na escola suíça, que Elizabeth conheceu Rhys Williams. Ele havia passado pela escola para levar-lhe um presente do pai dela.
- Ele queria vir pessoalmente, mas não pôde - explicou Rhys. Elizabeth tentou dissimular sua decepção, mas Rhys não teve dificuldade em percebê-la. Era evidente nela uma sensação de abandono, uma indefesa vulnerabilidade que o comoveu. Agindo impulsivamente, perguntou: - Acha que poderemos jantar juntos?
Elizabeth não gostou da idéia. Imaginou-se entrando em um restaurante, gorda e com aquele aparelho nos dentes, em companhia daquele rapaz incrivelmente simpático e gentil.
- Muito obrigado, mas não é possível - disse Elizabeth, sem ao menos sorrir. - Tenho de preparar algumas lições.
Rhys Williams não se conformou com a recusa, pensando em todos os aniversários que passara sozinho. Obteve permissão da diretora da escola para levar Elizabeth para jantar. Entraram no carro de Rhys e este tomou imediatamente o caminho do aeroporto.
- Neuchâtel fica do outro lado - disse Elizabeth.
- E quem foi que disse que vamos para Neuchâtel?
- Para onde vamos então?
- Para o Maxim's. É o único lugar onde se pode celebrar a passagem dos quinze anos.
Voaram para Paris em um jato da companhia, e o jantar foi soberbo. Começou com patê de foie gras com trufas, seguido de bisquei de lagosta, pato com laranja e da especial salada do Maxim's. Tudo se encerrou com champanha e um bolo de aniversário.
Depois, Rhys e Elizabeth atravessaram os Campos-Elísios de carro e voltaram para a Suíça a altas horas da noite.
Fora a noite mais emocionante da vida de Elizabeth.
Rhys tinha conseguido fazê-la sentir-se interessante e bela. Quando Rhys a deixou à porta da escola, ela disse:
- Não sei como lhe agradecer. Foi o que de melhor já me aconteceu na vida.
- Agradeça a seu pai - disse Rhys, sorrindo. - Foi tudo idéia dele.
Mas Elizabeth sabia que isso não era verdade. Chegou à conclusão de que Rhys Williams era o homem mais admirável que ela já havia visto. E sem dúvida o mais bonito.
Foi dormir naquela noite pensando nele. Em dado momento, levantou-se e foi até à sua pequena mesa, em frente à janela. Pegou um pedaço de papeclass="underline" "Madame Rhys Williams".
Ficou muito tempo olhando para o que escrevera.
Rhys adiou por vinte e quatro horas um encontro com uma glamourosa atriz, mas não se incomodou muito. Foi também ao Maxim's com ela e não pôde deixar de pensar que o jantar com Elizabeth fora bem mais interessante. Ela seria alguém com quem ele poderia contar um dia.
Elizabeth nunca pôde ter certeza de quem fora o maior responsável pela transformação que se operara nela, se o velho Samuel Roffe ou Rhys Williams. A verdade é que passou a ter uma nova consciência de si mesma.
Perdeu a compulsão de comer constantemente, e seu corpo foi ficando cada vez mais esbelto. Começou a gostar de esportes e a se interessar pela escola. Fazia um esforço para dar-se bem com as colegas, que não podiam acreditar nisso. Tinham sempre convidado Elizabeth para as suas festas de pijama e ela nunca fora. Compareceu inesperadamente uma noite. A festa se realizava num quarto onde dormia quatro moças, e quando Elizabeth chegou, já havia duas dúzias de alunas, todas de pijama ou roube.
Umas das moças olhoua com surpresa e disse:
- Estávamos apostando que você não viria.
- Pois estou aqui.
O ar estava cheio do aroma acre e adocicado da fumaça dos cigarros. Elizabeth percebeu que muitas garotas estavam fumando maconha, mas ela nunca havia passado por essa experiência. Uma das moças do quarto, uma francesa chamada Reneé Tocar, aproximou-se de Elizabeth fumando um toco de cigarro marrom. Deu uma longa tragada e ofereceu a Elizabeth:
- Você fuma? Era mais uma afirmação do que uma pergunta.
- Éclaro - mentiu Elizabeth. Ela pegou o cigarro, hesitou um momento, colocou-o entre os lábios e deu uma tragada. Sentiu um começo de náusea e um baque nos pulmões, mas conseguiu sorrir e murmurou: - Bom.
No momento em que Renée virou as costas, Elizabeth estendeu-se no sofá. Sentiu um começo de vertigem, mas isso passou num instante. Experimentou dar mais uma tragada. Começou a sentir a cabeça estranhamente leve. Elizabeth tinha lido alguma coisa sobre o efeito de maconha. Dizia-se que suprimia inibições e fazia a pessoa sair de si mesma. Aspirou novamente, bem fundo desta vez, e começou a ter uma sensação agradável de flutuação, como se estivesse em outro planeta. Via as moças no quarto e as ouvia falar, mas tudo estava confuso e indistinto, imagens e sons. Fechou os olhos. No mesmo instante, saiu flutuando pelo espaço. Era uma sensação deliciosa. Viu-se voando sobre os telhados da escola e depois sobre os Alpes cobertos de neve, em um mar de nuvens algodoadas. De repente, ouviu alguém chamá-la pelo nome, trazendo-a de volta à terra. Elizabeth abriu os olhos. Renée estava curvada sobre ela, com um ar de preocupação no rosto.