A Herdeira [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1985
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:
- Nada acontecerá se me escutarem - disse Samuel, e expôs o seu plano. Quinze minutos depois, Samuel, o pai e dois vizinhos estavam juntos aos portões do gueto.
- E se o outro guarda voltar? - perguntou num sussurro o pai de Samuel.
- É um risco que temos de correr. Mas, se isso acontecer, eu assumirei toda a culpa.
Samuel abriu os portões e passou para o lado de fora. Colocou a grande chave na fechadura e deu a volta. Os portões do gueto estavam trancados pelo lado de fora.
Samuel amarrou a chave a cintura e deu alguns passos à esquerda dos portões. Um momento depois, uma corda deslizou pelo muro como uma cobra. Samuel agarrou-se a ela, enquanto do outro lado seu pai e os outros começaram a içá-lo. Quando Samuel chegou ao alto, prendeu a corda a uma escápula de ferro e desceu até o chão. Em seguida, sacudiu a corda até desprendê-la e puxou-a.
- Meu Deus! -exclamou o pai de Samuel. -Que irá acontecer amanhã cedo? - Estaremos batendo nos portões e pedindo que nos deixem sair - respondeu Samuel.
Ao amanhecer, o gueto estava cheio de polícias e soldados. Tiveram que descobrir uma chave especial para abrir os portões para os negociantes que queriam ir a Cracóvia.
Paul, o outro guarda, confessou que havia abandonado o posto para ir passar a noite em Cracóvia e foi imediatamente preso. Mas isso não resolvia o mistério do desaparecimento de Aram. Em geral, o desaparecimento de um guarda nas proximidades do gueto seria um excelente pretexto para um progrom. Mas a polícia se achava perplexa diante dos portões fechados. Como os judeus estavam trancados dentro do gueto, era evidente que nada podiam ter feito ao guarda.
Chegaram afinal à conclusão de que Aram devia ter fugido em companhia de uma das suas numerosas amiguinhas. Devia ter jogado em algum canto a pesada chave que de nada lhe servia, mas, por mais que procurassem, não a encontraram. E, nunca a encontrariam, pois estava enterrada bem fundo sob a casa de Samuel. Física e emocionalmente exausto, Samuel jogara-se e dormira quase no mesmo instante. Acordou com alguém ao lado, que gritava e o sacudia.
O primeiro pensamento de Samuel foi de que haviam encontrado o corpo de Aram e tinham ido prendê-lo. Abriu os olhos. Isaac estava diante dele, muito nervoso.
- Parou, Samuel! A tosse parou! Venha comigo até a minha casa.
O pai de Isaac estava sentado na cama. A febre havia desaparecido como por milagre e a tosse havia parado. Quando Samuel se aproximou da cama, o velho lhe perguntou:
- Não acha que posso tomar um pouco de caldo de galinha?
Samuel começou a chorar. Num só dia, tirara a vida de um homem e salvara a vida de outro. A notícia sobre o pai de Isaac se espalhou pelo gueto. As famílias das pessoas doentes cercavam a casa de Samuel, pedindo um pouco de soro mágico. Era impossível atender a todos, e ele foi procurar o Dr. Wal. O médico já sabia do feito de Samuel, mas ainda se mostrava cético.
- Tenho que ver com meus próprios olhos - disse ele. - Prepare uma partida de soro e eu aplicarei em um dos meus clientes.
Havia dezenas de doentes à disposição, e o Dr. Wal preferiu o que lhe parecia mais próximo da morte. No prazo de vinte e quatro horas, o doente estava a caminho da recuperação. O Dr. Wal foi até a estrebaria, onde Samuel trabalhava dia e noite preparando o soro, e disse:
- Dá resultado, Samuel. Você conseguiu. O que deseja como dote? Samuel olhou para ele e respondeu, exausto: - Outro cavalo.
Aquele ano de 1868 marcou o início da Roffe and Sons. Samuel e Terenia se casaram, e Samuel recebeu como dote seis cavalos e um pequeno, mas bem equipado laboratório.
Samuel expandiu as suas experiências. Começou a destilar medicamentos de ervas e, em pouco tempo, os vizinhos passaram a ir até seu pequeno laboratório comprar remédios para os males que os afligiam. Eram bem atendidos, e a reputação de Samuel cresceu. Quando alguém não podia pagar, Samuel dizia:
- Não se preocupe com isso. Pode levar. -E acrescentava, voltando-se para Terenia: - Remédio é para curar e não para dar lucro. As vendas aumentaram, e depois de algum tempo, ele disse a Terenia:
- Já é tempo de abrirmos uma pequena farmácia onde possamos vender ungüentos, pós e outras coisas além de receitas.
A farmácia foi, desde o início, um sucesso. Os homens ricos que anteriormente se haviam negado a ajudar Samuel apareceram, oferecendo-lhe dinheiro. Queriam ser sócios e propunham uma fundação de uma rede de farmácias. Samuel conversava sobre o caso com Terenia, dizendo:
- Tenho muito receio de sócios. O negócio é nosso e não me agrada a idéia de gente estranha possuir parte de nossa vida.
Terenia concordava com ele. Quando os negócios cresceram e se expandiram com a abertura de outras farmácias, as ofertas de dinheiro aumentaram. Samuel continuou a recusá-las. Quando seu sogro lhe perguntou o motivo, Samuel respondeu:
- Nunca se deve deixar uma raposa entrar num galinheiro, por mais amistosa que se mostre. Um dia, ela pode ficar com fome.
Do mesmo modo que os negócios, o casamento de Samuel e Terenia floresceu.
Tiveram cinco filhos: Abaham, Joseph, Anton, Jan e Piotr. Samuel comemorava o nascimento de cada filho abrindo uma nova farmácia, cada uma maior do que a anterior.
No começo, Samuel contratou um homem para auxiliálo. Depois, foram dois e, por fim, tinha mais de duas dúzias de empregados.
Um dia, Samuel recebeu a visita de um funcionário do governo.
- Vamos cancelar algumas restrições que pesam sobre os judeus - disse ele a Samuel. - Veríamos com muito agrado a abertura de uma de suas farmácias em Cracóvia.
E Samuel abriu a farmácia. Três anos depois, tinha prosperado tanto que construiu um prédio próprio no centro comercial de Cracóvia e comprou para Terenia uma bela casa na cidade. Samuel tinha realizado, afinal, o sonho de sair do gueto. Mas os seus sonhos não se limitavam a Cracóvia.
Quando os seus filhos cresceram, contratou professores para eles e fez cada qual aprender uma língua diferente.
- Ficou maluco - dizia a sogra de Samuel. - Todos fazem troça deles, pois Abraham e Jan estão aprendendo inglês; Joseph, alemão; Anton, francês; e Piotr, italiano.
Com quem é que eles vão falar? Ninguém aqui fala essas línguas bárbaras. Os garotos vão acabar sem ter com quem conversarem.
Samuel limitava-se a sorrir e dizia pacientemente:
- Isso faz parte da educação deles.
Quando os rapazes chegaram à adolescência, viajaram para países diferentes com o pai. Em cada uma de suas viagens, Samuel preparava-se para os seus futuros planos. Quando Abraham completou vinte e um anos, Samuel reuniu a família e anunciou que Abraham ia viver nos Estados Unidos.
- Não! - exclamou a mãe de Terenia. - é um país de índios. Não deixarei que faça isso com meu neto. O rapaz tem de ficar aqui, onde estará em segurança. Segurança…
Samuel pensou nos pogroms, em Aram e na morte de sua mãe.
- Ele vai para o estrangeiro - retrucou Samuel. - Abraham, você vai abrir uma fábrica em Nova York e se encarregar de todos os negócios por lá.
Abraham disse orgulhosamente:
- Está muito bem, papai.
Samuel voltou-se para Joseph.
- Aos vinte e um anos, você irá para Berlim.
Joseph fez um gesto de assentimento.
- E eu irei para a França - disse Anton. - Paris, assim espero.
- Exatamente - disse Samuel -, mas cuidado. Há entre os gentios algumas mulheres muito bonitas. - Olhou para Jan. - Você irá para a Inglaterra. Piotr, o mais moço, disse ansiosamente:
- É claro que irei para a Itália. Quando poderei Partir, papai?
Samuel riu e respondeu:
- Esta noite, não, Piotr. Terá de esperar até completar vinte e um anos.
E assim aconteceu. Samuel foi com os filhos ao estrangeiro e ajudou-os a abrir escritórios e fábricas. Sete anos depois, havia filiais da família Roffe em cinco países. Era já uma dinastia, e Samuel encarregou um advogado de elaborar estatutos que tornassem cada uma das companhias independente, embora ao mesmo tempo submetida à matriz.