O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Você me fez uma pergunta indireta, naquele dia na cancha de esqui, sobre o pai de minha filha. Neguei-lhe a resposta, sem compreender que minha negação significava que ainda não o havia perdoado inteiramente. Se me perguntasse hoje, meu príncipe, eu lhe teria respondido com alegria. Sim, Henricus Rex, rei da Inglaterra, você é o pai de Geneviève des Jardins. Procure-a, conheça-a, ame os filhos dela. Eu não posso. Estou a mais de 50 mil bilhões de quilômetros de distância.
13
30 DE JUNHO DE 2213
Todos estavam excitados demais para poder dormir, a não ser Benjy, que Deus o abençoe, que simplesmente não compreendia o que lhe estávamos contando. Simone já explicou a ele muitas vezes que nós moramos dentro de uma gigantesca espaçonave cilíndrica — até mesmo mostrou a ele na tela negra vários aspectos de Rama tomados pelos sensores externos — mas o conceito continua a escapar a ele.
Quando o apito soou ontem, Richard, Michael e eu ficamos nos olhando por vários segundos. Já fazia tanto tempo desde que o ouvíramos. E então começamos todos a falar ao mesmo tempo. As crianças, inclusive a pequena Ellie, faziam mil perguntas e sentiam que nós estávamos excitados. Nós sete subimos imediatamente para a superfície, Richard e Katie correram para o mar sem esperar o resto da família. Simone caminhou com Benjy, Michael com Patrik. Eu carreguei Ellie porque suas perninhas não conseguiam se mexer com suficiente rapidez.
Katie estourava de entusiasmo ao correr de volta para nos saudar. “Venham, venham”, disse ela, agarrando Simone pela mão. “Vocês têm de ver. É espantoso. Às cores são fantásticas.”
E eram mesmo. Arco-íris de luz pipocavam de um chifre para outro, enchendo a noite ramaiana com uma exibição impressionante. Benjy ficou olhando para o sul com a boca aberta. Depois de vários segundos, ele sorriu e se virou para Simone. “É lin-do!”, disse ele lentamente, muito prosa de usar a palavra.
“É sim, Benjy”, respondeu Simone. “Muito lindo.”
“Mui-to lin-do”, repetiu Benjy, virando-se de novo para as luzes. Nenhum de nós disse muita coisa enquanto a exibição durou. Mas depois que voltamos para a toca conversamos horas a fio. É claro que alguém tinha de explicar tudo para as crianças. Simone era a única já nascida ao tempo da última manobra, e ainda era um bebê. Richard foi o explicador-mor. O apito e a exibição de luzes encheram-no de energia — ele ficou mais próximo do Richard antigo naquela noite do que em qualquer outro momento desde a sua volta — e foi tão divertido quanto informativo ao contar tudo o que sabíamos a respeito de apitos, espetáculos de luzes e manobras ramaianas.
“Você acha que as octoaranhas vão voltar para Nova York?”, indagou Katie, cheia de esperanças.
“Não sei”, disse Richard. “Mas é positivamente uma possibilidade.”
Katie passou os quinze minutos seguintes contando a todo mundo, pela enésima vez, nosso encontro com a octoaranha há quatro anos. Como sempre, ela enfeitou e exagerou alguns detalhes, principalmente na parte de seu solo na história, antes que ela me encontrasse no museu.
Patrick adora a história e quer que Katie a conte a toda hora. “Lá estava eu”, dizia Katie ontem à noite, “deitada de barriga, com a cabeça espiando por cima da beira de um enorme cilindro redondo que tinha caído naquela escuridão toda. Uns espetos prateados saíam dos lados do cilindro, e eu os via brilhando naquela luz fraquinha. ‘Oi’, gritei, ‘tem alguém aí?’ “Eu ouvi um som como de umas escovas de metal se arrastando, junto com um guincho. As luzes se acenderam abaixo de mim. Na base do cilindro, começando a subir pelos espetos, havia uma coisa preta com a cabeça redonda e oito tentáculos em preto e dourado. Os tentáculos iam se enrolando nos espetos enquanto ela subia depressa na minha direção…”
“Oc-to-a-ra-nha”, disse Benjy.
Quando Katie acabou sua história, Richard disse às crianças que dentro de quatro dias o chão provavelmente ia começar a tremer. Insistiu em que tudo tinha de ficar preso com todo o cuidado ao chão e que todos nós tínhamos de ficar preparados para outro conjunto de sessões no tanque de desaceleração.
Michael notou que íamos precisar de pelo menos mais uma caixa para brinquedos, para as crianças, e de várias caixas resistentes para o que era nosso, também. Acumulamos tanta coisa inútil ao longo dos anos que será uma tarefa e tanto deixar tudo preso nos próximos dias. Quando Richard e eu ficamos sozinhos, deitados em nossa esteira, demonos as mãos e conversamos por mais de uma hora. A certa altura, disse-lhe que esperava que a manobra por começar assinalasse o início do fim de nossa viagem em Rama.
“No peito a esperança sempre salta. Confiando em ter a bênção que hoje falta”, respondeu ele. Sentando-se por um momento, ele me olhou, e no escuro havia brilho em seus olhos. “Alexandre Pope”, disse ele. Depois riu. “Aposto que ele jamais esperou ser citado a 60 mil bilhões de quilômetros da Terra.”
“Você parece melhor, meu bem”, disse eu, afagando-lhe o braço. Ele franziu o cenho. “Neste momento, tudo parece claro. Mas não sei quando a neblina baixará de novo. Pode ser a qualquer instante. E ainda não consigo lembrar-me senão do mais primário desenho geral do que aconteceu nos três anos em que estive ausente.”
Tornou a deitar-se. “O que acha que irá acontecer?”, perguntei.
“Creio que teremos uma manobra. E espero que seja das grandes. Estamos nos aproximando muito rapidamente de Sirius e precisamos diminuir muito a velocidade se nosso alvo for em algum ponto do sistema Sirius.” Ele estendeu o braço e pegou minha mão. “Por você, e principalmente pelas crianças, espero que este não seja um alarme falso.”
8 DE JULHO DE 2213
A manobra começou há quatro dias, exatamente no horário, logo depois que o terceiro e último espetáculo de luzes acabou. Não vimos e nem ouvimos aves ou octoaranhas, como tem acontecido, aliás, nos últimos quatro anos. Katie ficou muito desapontada. Queria ver as octoaranhas todas voltando para Nova York.
Ontem um par biomas louva-a-deuses entrou em nossa toca e foi direto para o tanque de desaceleração. Traziam um grande pacote, no qual estavam as cinco novas camas flutuantes (Simone, naturalmente, precisava de um tamanho novo) e todos os capacetes. Observamos suas atividades de longe enquanto instalavam as camas e verificavam o sistema do tanque. As crianças ficaram fascinadas. A breve visita dos louva-a-deuses confirmou que em breve passaríamos por uma importante alteração de velocidade.
Richard, ao que parece, estava certo com sua hipótese sobre a ligação entre o sistema principal de propulsão e o controle térmico geral de Rama. A temperatura já começara a cair na superfície. Em antecipação a uma longa manobra, temos estado muito ocupados no teclado para encomendar roupas de frio para as crianças.
O sacudir constante está de novo perturbando nossas vidas. A princípio foi muito divertido para as crianças, mas já começaram a se queixar. Quanto a mim, espero que estejamos agora perto de nosso destino final. Embora Michael fique rezando “seja feita a Tua vontade”, minhas poucas preces têm sido definitivamente mais egoístas e específicas.
1º DE SETEMBRO DE 2213
Algo de novo está positivamente acontecendo. Nos últimos dez dias, desde que acabamos a fase do tanque e a manobra terminou, temos nos aproximado de uma luz solitária situada a cerca de trinta unidades astronômicas da estrela Sirius. Richard manobrou engenhosamente a inclinação do sensor e da tela negra para que essa fonte fique em todos os momentos no exato centro de nosso monitor, seja qual for o telescópio ramaiano particular que a esteja observando.
Há duas noites começamos a perceber alguma definição no objeto. Especulamos sobre a possibilidade de ser um planeta habitado e Richard correu de lá para cá computando o input de calor de Sirius em um planeta cuja distância seria grosso modo igual à de Netuno do nosso sol. Muito embora Sirius seja muito maior, mais brilhante e mais quente do que o sol, Richard concluiu que nosso paraíso, se é que este seria na verdade nosso destino, ainda seria muito frio.