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O jardim de Rama

Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:

Nesta sequência de O Enigma de Rama, é mostrada a vida dos astronautas que foram deixados a bordo da espaçonave extraterrestre Rama. Em sua interação com esse estranho habitat vão descobrir que existem outros tripulantes que os acompanham na viagem para fora do Sistema Solar.
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“Agora têm de sair”, disse o Bloco Maior, pairando ameaçador a apenas um par de metros de Nicole e Katie. “O seu teste acabou. A saída é ali, onde aquelas luzes estão piscando.”

Nicole puxou com firmeza o braço de Katie e a menina, com relutância, acompanhou a mãe na direção da saída. “Mas o que teriam feito eles”, insistia Katie, teimosa, “se nós resolvêssemos ficar aqui até acabar uma outra experiência? Quem sabe? Talvez uma de nossas octoaranhas esteja ali dentro neste momento. Por que será que nunca temos permissão de nos encontrar com ninguém mais?”

“A Águia já explicou várias vezes”, respondeu Nicole com um traço de irritação na voz, “que durante ‘esta fase’ nos são permitidas ‘visões rápidas’ de outras criaturas, porém nenhum contato maior. Seu pai já indagou repetidamente e a Águia sempre diz que no momento devido saberemos a resposta…

E eu queria que não criasse mais dificuldades, mocinha.”

“Não é muito diferente de estar em uma prisão”, resmungou Katie. “Aqui só temos liberdade limitada. E nunca nos dão respostas quando a pergunta é realmente importante.”

Chegaram ao longo corredor que ligava o centro de transporte ao laboratório. Um pequeno veículo, parado bem junto a um tapete rolante, esperava por elas. Quando se sentaram, a capota do carro fechou-se sobre elas e as luzes internas acenderam-se. “Antes que pergunte”, disse Nicole a Katie, tirando o capacete quando começaram a mover-se, “não temos permissão de olhar para fora durante esta parte de nossa transferência, porque passamos por trechos de Módulos de Engenharia que nos são vedados. Seu pai e o tio Michael fizeram esse mesmo tipo de perguntas depois de seu primeiro teste de sono.” “Você concorda com papai?”, indagou Simone depois que já havia viajado em silêncio por alguns minutos, “que estamos passando por todos esses testes de sono como preparação para alguma espécie de viagem espacial?”

“É o que parece”, respondeu Nicole. “Mas é claro que não podemos ter certeza.”

“E para onde vão nos mandar?”, perguntou Katie.

“Não tenho idéia”, retrucou Nicole. “A Águia tem sido muito evasiva quanto a toda e qualquer indagação sobre nosso futuro.”

O carro estava se movendo a cerca de vinte quilômetros por hora, e parou ao final de um passeio de quinze minutos. A “tampa” do veículo foi removida tão logo todos os capacetes haviam sido corretamente recolocados, e as mulheres saltaram no principal centro de transporte do Módulo de Engenharia. Este era construído sobre um plano circular e tinha uns vinte metros de altura. Além de meia dúzia de calçadas móveis que levavam a pontos no interior do módulo, o centro continha duas grandes estruturas em vários planos, das quais partiam metrôs de linhas elegantes. Estes transportavam equipamentos, robôs e criaturas vivas que iam e vinham entre os Módulos de Habitação, Engenharia e Administração, os três imensos complexos esféricos que eram os componentes primários do Nodo.

Tão logo entraram no setor, Nicole e suas filhas ouviram uma voz pelos receptores de seus capacetes. “Seu metrô sai do segundo nível. Tomem a escada rolante da direita. Partirão dentro de quatro minutos.”

Katie esticava a cabeça para um lado e para outro, observando o cento de transporte. Viu estantes de equipamentos, carros esperando para levar passageiros para seus destinos dentro do Módulo de Engenharia, luzes, escadas rolantes e plataformas de estação. Porém, nada se movia. Nem robôs e nem criaturas vivas.

“O que aconteceria”, comentou ela para a irmã e a mãe, “se nos recusássemos a subir para lá?” Ela parou no meio da estação. “Aí todo o seu horário ia virar a maior bagunça”, gritou ela para o teto.

“Vamos, Katie”, disse Nicole, impaciente; “nós acabamos de passar pela mesma coisa no laboratório.”

Katie recomeçou a caminhar. “Mas eu quero ver alguma coisa diferente”, queixou-se. “Sei que este lugar não está sempre vazio; por que somos mantidos em isolamento? É como se fôssemos contaminados, ou coisa parecida.”

“Seu metrô parte em dois minutos, do segundo nível à direita”, disse aquela voz sem corpo.

“É espantosa a capacidade desses robôs e controladores de se comunicar com todas as espécies em suas próprias línguas”, comentou Simone quando chegaram na escada rolante.

“Pois acho muito esquisito”, retrucou Katie. “Eu só queria ver, ao menos uma vez, sei lá quem ou o que controla isto aqui cometer um erro. É tudo tão lubrificado. Só queria ver eles falarem a língua das aves conosco. Queria até ouvir eles falarem em ‘aviês’ com as aves.”

No segundo nível elas seguiram por uma plataforma por uns quarenta metros, até atingirem um veículo transparente, com forma de bala e do tamanho de um automóvel terráqueo muito grande. Estava estacionado, como sempre, do lado esquerdo da trilha central. Havia ao todo quatro conjuntos paralelos de trilhos, dois a cada lado do centro. Todos os outros estavam vazios no momento.

Nicole virou-se e olhou para o centro de transporte ao seu redor. A 60° adiante, no círculo, havia outra estação, idêntica. Os metrôs daquele lado iam para o Módulo da Administração. Simone observa a mãe. “Você já esteve lá alguma vez?”, indagou.

“Não, mas seria interessante. Seu pai diz que de perto tudo parece maravilhosamente estranho.”

Richard não podia ficar sem investigar, pensou Nicole, lembrando-se da noite, quase um ano antes, em que seu marido saiu para “pedir carona” para o Módulo da Administração. Nicole teve um arrepio. Ela saíra para o átrio do apartamento com Richard, tentando dissuadi-lo enquanto ele vestia seu traje espacial. Ele descobrira um jeito de enganar o monitor da porta (no dia seguinte um sistema novo e infalível fora colocado) e mal podia esperar para dar uma olhada “não-supervisionada” por todo o local.

Nicole mal dormira naquela noite. Nas primeiras horas da manhã, seu painel de luz indicara que alguém ou algo estava no átrio. Quando olhou para o monitor, viu um estranho homem-pássaro segurando nos braços seu marido desmaiado. Fora seu primeiro contato com a Águia…

A aceleração do metrô por alguns momentos empurrou-as de encontro ao encosto de seus assentos e chamou Nicole de volta ao presente. Elas dispararam para longe do Módulo de Engenharia. Em menos de um minuto já estavam sendo projetadas a toda velocidade ao longo do cilindro longo e muito estreito que ligava os dois módulos.

O divisor central e os quatro trilhos de metrô ficavam ao centro do longo cilindro. À sua direita, bem longe, as luzes do esférico Módulo da Administração brilhavam, tendo por fundo o azul do espaço. Katie pegou seu pequeno binóculo.

“Quero estar preparada”, disse ela. “Eles sempre passam tão depressa!”

Vários minutos mais tarde, ela anunciou: “Estão vindo aí”, e as três mulheres grudaram-se no lado direito do veículo. A uma grande distância, outro metrô aproximava-se no lado oposto de sua linha. Em instantes já estava junto e elas e as humanas não tiveram mais do que um segundo para olhar para os ocupantes do veículo que se dirigia para o Módulo de Engenharia.

2

A festa do reencontro foi um sucesso. Benjy abraçou sua amada Simone no momento em que ela entrou no apartamento, e em menos de um minuto Katie já estava embolada com Patrick no chão.

“Viu”, disse ela, “ainda consigo ganhar de você.”

“Mas só um pouquinho”, reagiu Patrick. “Eu estou ficando mais forte, e é melhor você se cuidar.”

Nicole abraçou tanto Richard quanto Michael antes que a pequena Ellie corresse e pulasse em seus braços. Já era noite, duas horas após o jantar, segundo o relógio de 24 horas adotado pela família, e Ellie já estava quase pronta para sé deitar quando a mãe e as irmãs chegaram. A menina puxou a mãe com muito orgulho pelo corredor até seu quarto, para mostrar que agora já sabia ler “gato”, “cão” e “menino”.

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