O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Na noite passada pudemos ver nosso alvo com mais clareza. É uma construção alongada (Richard diz que portanto não pode ser um planeta — qualquer coisa “daquele tamanho” e, positivamente, não esférica “tem de ser artificial”), na forma de um charuto, com duas fileiras de luzes ao longo da parte superior e da inferior. Porque não sabemos com precisão a que distância está, não podemos saber ao certo seu tamanho. No entanto, Richard andou fazendo alguns “adivicálculos”, baseados em nossa velocidade de aproximação, e acredita que o charuto tenha mais ou menos 150 quilômetros de comprimento e 50 de altura.
Toda a família fica sentada em nossa sala principal olhando para o monitor. Hoje pela manhã tivemos nova surpresa. Katie mostrou-nos que havia dois outros veículos na vizinhança de nosso alvo. Richard lhe havia ensinado na semana passada como mudar os sensores ramaianos que alimentam nossa tela negra, e enquanto todos estavam conversando ela deu acesso ao distante sensor de radar que fora o primeiro que usamos, há treze anos, para identificar os mísseis nucleares que estavam vindo da Terra. O objeto em forma de charuto apareceu no limite do campo de visão do radar, e postados bem na frente do charuto, quase indistinguíveis dele naquele campo largo, estavam mais dois blips.
Se o charuto gigante é nosso destino, então talvez estejamos a ponto de termos companhia.
8 DE SETEMBRO DE 2213
Não há maneira de descrever satisfatoriamente os estonteantes acontecimentos dos últimos cinco dias. A língua não tem adjetivos suficientemente superlativos para captar o que vimos e experimentamos. Michael chegou a comentar que o céu poderá parecer pálido se comparado às maravilhas que testemunhamos.
Neste instante, nossa família está a bordo de uma pequena nave de transporte sem piloto, nada maior do que um ônibus urbano na Terra, que nos está levando a grande velocidade da estação intermediária para um destino ignorado.
A estação intermediária com forma de charuto ainda está visível, porém mal e mal, através da janela abobadada na parte traseira da nave. À nossa esquerda, nosso lar por treze anos, a espaçonave cilíndrica Rama, tomou direção ligeiramente diferente da nossa. Ela partiu da estação intermediária umas poucas horas depois de nós, iluminada como uma árvore de Natal pelo lado de fora, e no presente momento estamos a uns duzentos quilômetros dela.
Há quatro dias e onze horas nossa espaçonave Rama parou em relação à estação intermediária. Éramos o terceiro veículo de uma fila espantosa. Na nossa frente estava uma espécie de estrela-do-mar giratória, com mais ou menos um décimo do tamanho de Rama, e também uma vastíssima roda, com um módulo central e raios, que entrou na estação algumas horas antes de nós chegarmos.
A estação em si, afinal, era oca. Quando a roda imensa atingiu o centro da estação intermediária, guindastes e outros elementos móveis avançaram para recebê-la e colocá-la em seu lugar. Um conjunto de três veículos especiais de formas inusitadas (um parecia um balão, outro um dirigível e o terceiro um batisfério da Terra) penetrou na roda a partir da estação. Embora não pudéssemos ver o que estava acontecendo dentro da roda, vimos os veículos especiais saírem, um de cada vez, em intervalos irregulares, nos dois dias seguintes. Cada veículo foi recebido por uma nave de transporte, como a em que estávamos viajando agora, porém maior. Essas naves estavam estacionadas no escuro na parte direita da estação, e avançavam para a posição correta meia hora antes do encontro.
Tão logo as naves de transporte ficavam carregadas, sempre decolavam no sentido oposto ao de nossa fila. Cerca de uma hora depois do último veículo sair da roda e da última nave de transporte partir, as várias peças de equipamento mecânico que foram ligadas à roda retraíram-se e a grande espaçonave circular manobrou suavemente para sair da estação intermediária.
A estrela-do-mar à nossa frente já entrara na estação e estava sendo atendida por um outro conjunto de guindastes e outros engates, quando um apito alto convocou-nos para a superfície de Rama. O apito foi seguido por um espetáculo de luzes na Concavidade Sul. Entretanto, essa exibição foi completamente diferente das que víramos antes. O Grande Chifre foi o astro do novo show. Anéis circulares de cor formaram-se perto de sua ponta e depois navegaram lentamente para o norte, concentrando-se no eixo giratório de Rama.
Os anéis eram imensos. Richard calculou que tivessem pelo menos um quilômetro de diâmetro, com quarenta metros de espessura.
A escura noite ramaiana foi iluminada por até oito desses anéis a um só tempo. A ordem permanecia a mesma — vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, marrom, rosa e roxo — por três repetições. Quando um anel se esfacelava e desaparecia perto da estação retransmissora Alfa na Concavidade Norte de Rama, um novo anel da mesma cor era formado lá atrás, na ponta do Grande Chifre.
Ficamos paralisados e embasbacados, enquanto o espetáculo durou. Tão logo o último anel desapareceu do terceiro conjunto, um outro evento impressionante ocorreu. Todas as luzes do interior de Rama acenderam-se! A noite ramaiana começara havia apenas três horas — durante treze anos a seqüência de noite, e dia fora inteiramente regular. Agora, de repente, essa mudança. E não foram só as luzes. Havia música, também; pelo menos creio que eles chamariam aquilo de música. Soava como milhões de campainhazinhas mínimas e parecia não vir de lugar nenhum.
Nenhum de nós se moveu durante vários segundos. Depois, Richard, que tinha os melhores binóculos, viu alguma coisa que voava em nossa direção. “São as aves”, gritou ele, dando pulos e apontando para o céu. “Acabo de me lembrar de uma coisa. Eu as visitei em seu novo lar no norte durante minha odisséia.”
Um a um, todos olhamos pelos binóculos. A princípio, não fiquei certa de que Richard estivesse correto em sua identificação, mas, à medida que se aproximavam, os cinqüenta ou sessenta pontinhos foram se transformando em grandes criaturas semelhantes a pássaros que nós chamávamos apenas de “as aves”. Elas foram diretamente para Nova York. Metade delas permaneceu no céu, a uns trezentos metros acima de sua antiga toca, enquanto a outra metade mergulhava na direção da superfície.
“Venha, papai”, gritou Katie. “Vamos logo.”
Antes que eu pudesse fazer qualquer objeção, pai e filha saíram correndo.
Fiquei observando Katie, que já corre muito depressa. Em pensamento podia ver as passadas graciosas de minha mãe cruzando a grama do parque em ChillyMazarin — Katie positivamente herdou alguma coisa de seu lado materno, muito embora seja acima de tudo filha de seu pai.
Simone e Benjy já tinham tomado o caminho da nossa toca. Patrick estava preocupado com as aves. “Elas vão ferir papai e Katie?”, perguntou.
Sorri para meu belo filho de cinco anos. “Não, querido”, respondi, “não se eles tomarem cuidado.” Michael, Patrick, Ellie e eu voltamos para a toca para observar o atendimento à estrela-do-mar na estação.
Não podíamos ver muito porque todos os acessos à estrela-do-mar ficavam do outro lado, ocultos das câmeras de Rama. Mas supúnhamos que algum processo de descarga estava ocorrendo, porque eventualmente cinco naves de transporte partiram para algum lugar desconhecido. A estrela-do-mar terminou seu processo de atendimento muito depressa, e já tinha deixado a estação intermediária quando Richard e Katie voltaram.
“Comecem a arrumar as malas”, disse Richard arfando, logo que chegaram. “Nós vamos partir. Vamos todos partir.”