O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Era magnífico. Num relance, Nicole voltou seus olhos para a moça que dormia e teve um sobressalto. Era ela, Nicole, deitada na cama num vestido branco! Seu coração bateu furiosamente quando ela ouviu a porta se abrir e passos vindo em direção ao seu quarto. Seus olhos permaneceram fechados enquanto o primeiro aroma de um hálito de menta atingiu seu nariz. É ele, disse ela, excitada, para si mesma. Ele a beijou, gentilmente, nos lábios. Nicole sentiuse como se voasse na mais macia das nuvens. Havia música em todo o seu redor.
Ela abriu os olhos e viu o rosto sorridente de Henry a apenas alguns centímetros.
Ela estendeu seus braços para ele, que novamente a beijou, dessa vez com paixão, como um homem beija uma mulher.
Nicole retribuiu, sem restrições, deixando seu beijo dizer que ela lhe pertencia. Mas ele se esquivou. Seu príncipe particular tinha o cenho franzido.
Ele apontou para o rosto dela, afastou-se vagarosamente e deixou o quarto.
Mal começara a chorar quando um som distante intrometeu-se no seu sonho. Uma porta se abriu, luz entrou pelo quarto. Nicole piscou, depois fechou os olhos novamente para protegê-los da luz. O intrincado conjunto de fios ultrafinos e semelhantes a plásticos preso a seu corpo reenrolou-se automaticamente nos recipientes a cada lado da esteira de lona na qual estivera dormindo.
Nicole despertou bem devagar. O sonho tinha sido extremamente vivido. A sensação de infelicidade não passou tão rápido quanto o sonho. Ela tentou espantar seu desespero conscientizando-se de que nada do que havia sonhado era real.
“Você vai ficar deitada aí para sempre?” Sua filha Katie, que estivera dormindo do seu lado esquerdo, já estava de pé e reclinada sobre ela.
Nicole sorriu. “Não”, disse ela, “mas admito que estou um pouco mais que ligeiramente grogue. Estava no meio de um sonho… Por quanto tempo nós dormimos dessa vez?”
“Um dia a menos do que cinco semanas”, respondeu Simone, que estava do outro lado. Sua filha mais velha estava sentada, penteando distraidamente seu cabelo que se embaraçara durante o teste.
Nicole espiou para o relógio, verificou que Simone estava certa e sentouse. Bocejou. “E então, como se sentem?”, disse ela para as duas meninas.
“Cheia de energia”, respondeu sorrindo Katie, de onze anos. “Quero correr, pular, brigar com Patrick… Espero que este tenha sido nosso último sono longo.”
“A Águia disse que seria”, respondeu Nicole. “Eles esperam ter informação suficiente agora.” Sorriu. “A Águia diz que as mulheres são mais difíceis de entender — por causa das violentas variações mensais em nossos hormônios.”
Nicole levantou, espreguiçou-se e deu um beijo em Katie. Então relaxou e abraçou Simone. Apesar de não ter ainda quatorze anos, Simone era quase tão alta quanto Nicole. Era uma jovem notável, com o rosto de um marrom escuro, olhos meigos e sensíveis. Simone sempre parecia calma e serena em contraste marcante com a inquieta e impaciente Katie.
“Por que Ellie não veio conosco para o teste?”, perguntou Katie ligeiramente queixosa. “Ela também é menina, mas parece que nunca tem de fazer nada.”
Nicole passou o braço pelo ombro de Katie enquanto as três iam para a porta e para a luz. “Ela só tem quatro anos, Katie, e de acordo com a Águia, Ellie é muito pequena para dar-lhes qualquer informação fundamental de que eles ainda necessitem.”
No pequeno hall iluminado, adjacente ao quarto em que haviam dormido por cinco semanas, vestiram seus uniformes moldados no corpo, puseram seus capacetes transparentes e as sapatilhas que prendiam seus pés ao chão. Nicole verificou cuidadosamente as roupas das duas meninas antes de ativar a porta externa do compartimento. Não precisava se ter preocupado, pois esta não abriria se alguma delas não estivesse devidamente preparada para mudanças ambientais.
Se Nicole e suas filhas já não tivessem visto o grande salão do lado de fora de seu compartimento várias vezes, teriam parado perplexas para observá-lo, por vários minutos. Abria-se diante delas um salão longo, com cem metros ou mais de comprimento e cinqüenta de largura. O teto acima delas, coalhado de filas de luzes, tinha uns cinco metros de altura. O cômodo parecia um misto de sala de cirurgia de um hospital com uma fábrica terráquea de semicondutores. Nem paredes e nem cubículos dividiam-no em repartições, porém suas dimensões retangulares eram distribuídas com grande clareza entre tarefas diferentes. O salão era pleno de atividade — os robôs ou analisavam dados de um conjunto de testes ou então já preparavam algum outro. Em torno dos limites do salão havia compartimentos como aquele em que Nicole, Simone e Katie dormiram por cinco semanas, nos quais eram realizadas “experiências”.
Katie caminhou até o compartimento mais próximo à sua esquerda. Era um pouco recuado, no canto, e ficava suspenso por dois eixos, um na parede e outro no teto. Uma tela semelhante a um monitor, construída ao lado da porta metálica, mostrava uma vasta coleção do que se presumia serem dados, numa bizarra escrita de linha cuneiforme.
“Nós não ficamos nesta, da última vez?”, perguntou Katie, apontando para o compartimento. “Não foi nesse lugar que dormimos naquela espuma branca esquisita e sentimos toda a pressão?”
Sua indagação foi transmitida para dentro dos capacetes de sua mãe e irmã. Nicole e Simone acenaram com a cabeça, depois juntaram-se a Katie e ficaram olhando para aquela tela ininteligível.
“Seu pai pensa que eles estão tentando um modo de nos fazer dormir durante todo o regime de aceleração, mesmo que dure vários meses”, retrucou Nicole. “A Águia nem confirma e nem nega sua conjectura.”
Embora as três mulheres tivessem sido submetidas, juntas, a quatro testes separados naquele laboratório, nenhuma delas jamais vira qualquer forma de vida ou inteligência, a não ser pela cerca de meia dúzia de alienígenas mecânicos que, ao que parecia, eram os encarregados de tudo. Os humanos chamavam aqueles seres de “robôs de blocos” porque, a não ser por seus “pés” cilíndricos que os permitia rolar por todo o chão, as criaturas eram todas feitas de pedaços sólidos e retangulares parecidos com aqueles blocos com que as crianças brincam na Terra.
“Por que é que você acha que nunca vimos um dos Outros?”, perguntou Katie. “Quero dizer, aqui. Nós os vemos por um ou dois segundos no Tubo, e é só.
Nós sabemos que eles estão ali — não somos os únicos a sermos testados.” “O salão é programado com o maior cuidado”, respondeu a mãe, “e é óbvio que ninguém quer que nós vejamos os outros, a não ser de passagem.”
“Mas por quê?”, insistiu Katie.
“Desculpe”, interrompeu-a Simone. “Mas acho que o Bloco Maior está vindo nos visitar.”
O maior dos robôs de bloco geralmente ficava na área de controle quadrada no centro do salão, monitorando todas as experiências realizadas. No momento, ele avançava na direção das três por uma das passagens que tornavam o salão todo quadriculado.
Katie caminhou até um outro compartimento, a cerca de vinte metros de distância. Pelo monitor ativo que ficava do lado de fora, podia saber que uma experiência estava sendo realizada. De repente, ela bateu com bastante força no metal com sua mão enluvada. “Katie!”, gritou Nicole.
“Pare com isso.” O som partiu do Bloco Maior quase ao mesmo tempo. Ele agora estava a uns cinqüenta metros e aproximava-se rapidamente.
“Não deve fazer isso”, disse o robô em perfeito inglês.
“E o que é que você vai fazer por causa disso?”, disse Katie em tom desafiador, quando o Bloco Maior, ignorando Nicole e Simone totalmente, tomou a direção da menininha. Nicole cruzou correndo, no intuito de proteger a filha.