O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Desci a rampa até a vasta caverna com os quatro túneis que certa vez Richard e eu chamamos de “Mindinho, Seu Vizinho, Pai de Todos e Fura-Bolos”.
Foi difícil, mas forcei-me a entrar no túnel que Richard e eu havíamos seguido antes. Após alguns passos, no entanto, parei, voltei e depois entrei pelo túnel adjacente. Este segundo corredor também levava ao corredor redondo descendente com espetos protuberantes, mas passava, no caminho, pelo salão que Richard e eu havíamos chamado de museu das octoaranhas. Lembrei-me com clareza do terror que sentira nove anos antes ao encontrar o dr. Takagishi, embalsamado como um troféu de caça, pendurado no museu.
Havia uma razão para eu querer visitar o museu das octoaranhas não necessariamente relacionada à procura de Katie. Se Richard tivesse sido morto pelas octoaranhas (como Takagishi parece que foi — embora eu ainda não esteja convencida de que ele não tenha morrido de um ataque cardíaco), ou se elas houvessem encontrado seu corpo em algum outro ponto de Rama, então talvez ele também estivesse naquela sala. Dizer que eu não estava nada ansiosa por encontrar a versão de meu marido por algum taxidermista alienígena é dizer muito pouco; entretanto, acima de tudo, eu queria saber o que acontecera a Richard. Ainda mais agora, depois de meu sonho.
Respirei fundo quando cheguei à entrada do museu, e virei lentamente para a esquerda quando passei pela porta. As luzes se acenderam tão logo cruzei o portal, mas por sorte o dr. Takagishi não estava ali, olhando diretamente para o meu rosto. Ele tinha sido levado para o outro lado da sala. Na verdade, todo o museu fora rearrumado durante todos esses anos. Todas as réplicas de biomas, que ocupavam a maior parte do espaço da sala quando Richard e eu fizemos nossa breve visita, haviam sido retiradas. Os novos “objetos expostos”, se assim os devemos chamar, eram as aves e os seres humanos.
A exposição de aves ficava mais perto da porta. Três exemplares pendiam do teto, com as asas abertas. Uma das aves era a de veludo cinzento com dois anéis cor de cereja que Richard e eu víramos logo antes de ela morrer. Havia outros objetos fascinantes e até mesmo fotografias na exposição de aves, mas meus olhos eram atraídos para o outro lado da sala, para a exposição que cercava o dr. Takagishi.
Suspirei aliviada ao verificar que Richard não estava na sala. Nosso escaler estava lá, no entanto, o que Richard, Michael e eu usamos para cruzar o Mar Cilíndrico. Estava no chão bem ao lado do dr. Takagishi. Havia também uma variedade de itens colhidos dos restos de nossos piqueniques e outras atividades em Nova York. Mas o núcleo da exposição era um conjunto de quadros emoldurados nas paredes do fundo e dos lados.
Aqui do outro lado da sala não dava para perceber muito bem o que aparecia nos quadros. Fiquei sem fôlego, no entanto, quando me aproximei deles.
As imagens eram fotografias, em molduras retangulares, muitas das quais mostravam a vida dentro de nossa toca. Havia fotos de todos nós, inclusive das crianças. Mostravam-nos comendo, dormindo, até mesmo indo ao banheiro. Fui ficando arrasada enquanto examinava a coleção. Nós estávamos sendo observados, comentei comigo mesma, até mesmo dentro de nosso lar. Senti um arrepio terrível.
Na parede lateral estava uma coleção especial de fotos que me desarvorou e deixou envergonhada. Na Terra, elas seriam candidatas a um museu erótico. As imagens mostravam a mim fazendo amor com Richard em várias posições. Havia uma foto minha com Michael, também, mas não era muito clara porque estivera escuro em nosso quarto naquela noite.
A fila de fotografias abaixo das cenas de sexo era toda de fotos do nascimento das crianças. Todos os partos eram mostrados ali, até mesmo o de Patrick, o que demonstrava que a observação ainda continuava. A justaposição de sexo e parto deixava claro que as octoaranhas (ou os ramaianos?) tinham sem dúvida compreendido nosso processo reprodutivo.
Fiquei absolutamente absorvida com as fotografias por talvez uns quinze minutos. Minha concentração afinal foi quebrada quando ouvi um som muito forte de escovas se arrastando contra metal vindo da direção da porta do museu.
Fiquei absolutamente aterrorizada. Permaneci imóvel, congelada em meu lugar, mas olhei em volta desesperadamente. Não havia qualquer outro meio de fuga da sala.
Dentro de segundos, Katie apareceu aos pulos na porta. “Mamãe!”, gritou ao me ver. Ela atravessou o museu correndo, quase derrubou o dr. Takagishi, e pulou nos meus braços.
“Ah, mamãe”, disse ela me abraçando e beijando com ardor, “eu sabia que você vinha.”
Fechei os olhos e abracei minha filha perdida com todas as minhas forças.
As lágrimas rolavam por minhas faces. Eu balançava Katie de um lado para outro, acalmando-a e dizendo: “Está tudo bem, querida; está tudo bem.” Quando enxuguei meus olhos e os abri, uma octoaranha estava na porta do museu. No momento, não se movia, quase como se estivesse observando a reunião de mãe e filha. Fiquei paralisada, varrida por uma onda de emoções que iam da alegria ao mais puro terror.
Katie sentiu meu medo. “Não se preocupe, mamãe”, disse ela, olhando para a octoaranha por cima do ombro. “Ela não vai machucar você. Só quer olhar. Já chegou perto de mim um porção de vezes.”
Meu nível de adrenalina ainda estava batendo todos os recordes possíveis.
A octoaranha continuava de pé (ou sentada, ou seja lá o que fazem as octos quando não se movem) na porta. Sua vasta cabeça preta era quase esférica e pousava sobre um corpo que se abria, perto do chão, em oito tentáculos listrados de preto e dourado. No centro de sua cabeça havia duas reentrâncias simétricas em torno de um eixo invisível, que corriam do alto para baixo. Precisamente no meio dessas duas reentrâncias, mais ou menos a um metro do chão, havia uma espantosa estrutura quadrada de lente, com dez centímetros de lado, que era uma combinação gelatinosa de linhas de uma grade com um material preto e branco em fluxo. Enquanto a octoaranha nos olhava fixamente, a lente pululava de atividade.
Havia outros órgãos embutidos no corpo, entre as duas reentrâncias, tanto acima quanto abaixo da lente, porém não tive tempo para estudá-los. A octoaranha veio em nossa direção na sala, e, a despeito das garantias de Katie, meu temor retornou com toda força. O som de escova era feito por uma espécie de cílios agregados à parte inferior dos tentáculos quando se moviam pelo chão. O guincho de alta freqüência emanava de um pequeno orifício na parte inferior direita da cabeça. Por vários segundos o medo paralisou meus processos mentais.
A medida que a criatura se aproximava, minha reação natural de fuga assumiu o controle. Infelizmente, nas circunstâncias ela não adiantou nada, pois não havia para onde correr.
A octoaranha não parou enquanto não chegou a uma distância de uns meros cinco metros. Eu encostara Katie contra a parede e fiquei de pé entre ela e a octoaranha. Levantei uma das mãos e novamente houve imensa atividade na misteriosa lente. Repentinamente, tive uma idéia. Enfiei a mão dentro de meu traje de vôo e tirei meu computador. Com dedos trêmulos (a octoaranha levantara dois tentáculos para ficarem na frente da lente — em retrospecto me pergunto se ela pensou que eu ia tirar uma arma) chamei a imagem de Richard no monitor, que então mostrei à octoaranha.
Como não fiz nenhum outro movimento, a criatura retornou devagar ao chão seus dois tentáculos. Ela fixou o monitor durante quase um minuto e depois, para grande espanto meu, uma onda de cor roxo vivo correu em toda a volta de sua cabeça, a partir do limiar da reentrância. Esse roxo foi seguido alguns segundos mais tarde por um desenho como um arco-íris em vermelho, azul e verde, cada faixa de uma largura diferente, que também saiu da mesma reentrância e, depois de dar a volta à cabeça, desapareceu na reentrância paralela depois de quase 360°.