O Zahir
- Автор: Коэльо Пауло
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «O Zahir». Краткое содержание книги:
um pouco irritado.
- Por amor. Hoje você usou o exemplo dos trilhos: pois bem, ela não é um
trilho ao seu lado. Ela não segue as regras, e imagino que você tampouco as segue. Espero que saiba que também sinto sua falta.
-Então...
- Então, se você quiser encontrá-la, eu posso dizer onde ela está. Já senti o mesmo impulso, mas a voz diz que não é o momento, que ninguém deve
perturbá-la em seu encontro com a Energia do amor. Eu respeito a voz, a voz nos protege: a mim, a você, a Esther.
- Quando será o momento?
- Talvez amanhã, em um ano ou nunca mais - e, neste caso, precisamos
respeitar sua decisão. A voz é a Energia: por causa disso, ela só coloca as pessoas juntas quando ambas estão realmente preparadas para aquele momento. Mesmo assim, todos nós tentamos forçar uma situação - apenas para escutar a frase que nunca queríamos ouvir: “vá embora.” Quem não respeita a voz, e chega mais cedo ou mais tarde do que devia, jamais conseguirá o que pretende.
- Prefiro escutá-la dizendo “vá embora” a permanecer com o Zahir em
minhas noites e meus dias. Se ela disser isso, deixará de ser uma idéia fixa, para transformar-se em uma mulher que agora vive e pensa de maneira diferente.
- Não será mais o Zahir, mas será uma grande perda. Se um homem e uma
mulher conseguem manifestar a Energia, eles estão realmente ajudando todos os homens e mulheres do mundo.
- Você está me deixando assustado. Eu a amo. Você sabe que eu a amo, e
você me diz que ela ainda me ama. Não sei o que é estar preparado, não posso viver em função do que os outros esperam de mim - nem mesmo Esther.
- Pelo que entendi de minhas conversas com ela, em algum momento você
se perdeu. O mundo passou a girar em torno de você, exclusivamente de você.
- Não é verdade. Ela teve liberdade para criar seu próprio caminho. Ela
decidiu ser correspondente de guerra, mesmo contra a minha vontade. Ela achou que tinha que buscar a razão da infelicidade humana, mesmo que eu
argumentasse que é impossível saber. Será que ela deseja que eu volte a ser um trilho ao lado de outro trilho, guardando aquela distância estúpida, só porque os romanos decidiram?
- Ao contrário.
Mikhail voltou a caminhar, e eu o segui.
- Você acredita que ouço uma voz?
- Para falar a verdade, não sei. E já que estamos aqui, deixe-me mostrar
uma coisa.
- Todo mundo pensa que é um ataque epilético, e eu deixo pensarem assim:
é mais fácil. Mas esta voz me fala desde que sou criança, quando eu vi a
mulher...
- Que mulher?
- Depois eu conto.
- Sempre que lhe pergunto algo, você responde: “depois eu conto.”
- A voz está me dizendo algo. Sei que você está ansioso ou assustado. Na
pizzaria, quando senti o vento quente e vi as luzes, atua que eram os sintomas da minha conexão com o Poder dela que ela estava ali para ajudar nós dois. Se você achar que tudo que estou dizendo não passa de unidade de um rapaz epilético, que quer se aproveitar dos sentimentos de um escritor famoso, então amanhã lhe dou um mapa com um lugar onde ela se encontra, e você irá buscá-la Mas a voz está nos dizendo algo.”
- Posso saber o que é, ou depois você me conta?
- Conto daqui a pouco: ainda não entendi direito a mensagem.
- Mesmo assim, me prometa que me dará o endereço e o mapa.
- Prometo. Em nome da energia divina do amor, eu prometo isso. O que
você disse que queria me mostrar?
Apontei para uma estátua dourada - uma jovem montada a cavalo.
- Isso. Ela escutava vozes. Enquanto as pessoas respeitaram o que dizia,
tudo correu bem. Quando começaram a duvidar, o vento da vitória mudou de
lado.
Joana D’Arc, a virgem de Orleans, a heroína da Guerra dos Cem Anos, que
aos 17 anos tinha sido nomeada comandante das tropas porque... ouvia vozes, e as vozes lhe diziam a melhor estratégia para derrotar os ingleses. Dois anos depois, era condenada à morte na fogueira, acusada de feitiçaria. Eu tinha usado em um de meus livros uma parte do interrogatório, datada de 24 de fevereiro de 1431:
Ela foi então questionada pelo Dr. Jean Beaupére. Perguntada se
tinha ouvido uma voz, respondeu:
“ouvi três vezes, ontem e hoje. De manhã, na hora das Vésperas,
e quando tocaram a Ave-Maria...”
Perguntada se a voz estava no quarto, ela respondeu que não
sabia, mas que tinha sido acordada por ela. Não estava no quarto, mas estava no castelo.
Ela perguntou à voz o que devia fazer, e a voz pediu que se
levantasse da cama e colocasse as palmas das mãos juntas.
Então (Joana D’Arc) disse ao bispo que a interrogava: “O
senhor afirma que é meu juiz. Portanto, tenha muita atenção com o que irá fazer, porque eu sou enviada de Deus, e o senhor está em perigo. A voz me fez revelações que devo dizer ao rei, mas não ao senhor. Esta
voz que escuto (há muito tempo) vem de Deus, e eu tenho mais medo de
contrariar as vozes do que contrariar o senhor.”
- Você não está insinuando que...
- Que você é uma encarnação de Joana D’Arc? Não acho. Ela morreu com
apenas 19 anos, e você já tem 25. Ela comandou o exército francês e, pelo que me disse, você não consegue comandar nem mesmo sua vida.
Tornamos a sentar no muro que margeia o Sena.
- Acredito em sinais - insisti. - Eu acredito em destino. Acredito que as pessoas tenham, todos os dias, uma possibilidade de saber qual a melhor decisão a tomar em tudo que fazem. Acredito que falhei, que perdi em algum momento minha conexão com a mulher que amava. E agora, tudo que preciso é terminar este ciclo; portanto, quero o mapa, quero ir até ela.
Ele me olhou, e parecia a pessoa em transe que se apresentava no palco do restaurante. Pressenti um novo ataque epilético - no meio da noite, em um lugar praticamente deserto.
- A visão me deu poder. Este poder é quase visível, palpável. Eu posso
manejá-lo, mas não posso dominá-lo.
- Está tarde para este tipo de conversa. Estou cansado, e você também.
Gostaria que me desse o mapa e o lugar.
- A voz... eu lhe darei o mapa amanhã à tarde. Onde posso entregá-lo?
Dei meu endereço, e me surpreendi que ele não soubesse onde eu vivera
com Esther.
- Você acha que eu dormi com sua mulher?
- Eu jamais perguntaria isso. Não é da minha conta.
- Mas perguntou, quando estávamos na pizzaria.
Tinha me esquecido. Claro que era da minha conta, mas agora sua resposta
já não me interessava mais.
Os olhos de Mikhail mudaram. Eu procurei no bolso algo para colocar em
sua boca, no caso de um ataque: mas ele parecia calmo, mantendo a situação sob controle.
- Neste momento estou escutando a voz. Amanhã pegarei o mapa, as
anotações, os vôos, irei até sua casa. Acredito que ela está esperando você.
Acredito que o mundo será mais feliz se duas pessoas, apenas duas pessoas, forem mais felizes. Mas acontece que a voz está me dizendo que não
conseguiremos nos ver amanhã.
- Eu tenho apenas um almoço com um ator que chegou dos Estados Unidos,
e não tenho como cancelar. Estarei esperando o resto do dia.
- Mas a voz diz isso.
- Ela está proibindo você de ajudar-me a reencontrar Esther?
- Não creio. Foi a voz que me estimulou a ir em sua tarde de autógrafos. A partir daí, eu sabia mais ou menos como as coisas iriam se encaminhar da
maneira como se encaminharam - porque tinha lido Tempo de rasgar, tempo de costurar.