Бесплатная библиотека
Читайте книгу на сайте или телефоне

Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:

A Herdeira [em Português]
1 ... 18 19 20 21 22 23 24 25 26 ... 70
Перейти на страницу:

No dia seguinte ao da morte de Fred, Samuel soube que o Dr. Wal e a mulher tinham combinado o casamento de Terinia com um rabino. Samuel não acreditou. Era a ele que Terinia pertencia! Correu para a casa do Dr. Wal. Encontrou o médico e sua mulher na sala de espera. Encaminhou-se para eles, respirando fundo e disse:

- Há um erro em tudo, no que diz respeito a Terinia. Ela vai se casar comigo! - Os dois olharam-no atônitos. - Sei muito bem que não estou à altura dela - disse então. - Mas ela não será feliz, casada com outro homem qualquer. Esse tal rabino é muito velho e…

- Nebbich! Rua! Rua! - gritou a mãe de Terinia, à beira de um ataque de apoplexia.

Sessenta segundos depois, Samuel estava no meio da rua, proibido de tornar a pôr os pés naquela casa. No meio da noite, Samuel teve uma longa conversa com Deus.

- Que está querendo de mim? Se eu não posso ter Terinia, por que me fez amá-la?

Não tem sentimentos? - Ergueu a voz na sua frustração e gritou: -Ser que está me ouvindo?

Na casinha cheia de gente, todos gritaram:

- Estamos ouvindo, sim, Samuel! Pelo amor de Deus, veja se cala a boca e nos deixa dormir!

Na tarde seguinte, o Dr. Wal mandou chamar Samuel. Foi recebido na sala de espera, onde estavam reunidos o Dr. Wal, a mulher e Terinia.

- Parece que temos um problema - disse o Dr. Wal. - Nossa filha está irredutível.

Por alguma razão que desconheço, tomou-se de um capricho por você. Não posso chamar isso de amor, Samuel, até porque não acredito que uma mocinha da idade dela saiba o que é amor. De qualquer maneira, ela não quer casar-se com o rabino Rabinowitz. Acha que deve casar-se com você.

Samuel olhou rapidamente para Terinia, e esta sorriu para ele. Sentiu uma explosão de alegria, que, entretanto, durou pouco. O Dr. Wal continuou:

- Você diz que ama nossa filha.

- É v-v-verdade - gaguejou Samuel e procurou falar com mais firmeza. - é isso mesmo, Dr. Wal.

- Muito bem, Samuel. Acha que Terinia poder passar o resto da vida casada com um vendedor ambulante?

Samuel percebeu no mesmo instante a armadilha, mas não viu jeito de livrar-se dela. Tornou a olhar para Terinia e disse:

- Não, Dr. Wal.

- Compreende então o problema, não é? Nenhum de nós quer que Terinia se case com um vendedor ambulante. E você é um vendedor ambulante, Samuel.

- Mas não serei sempre, Dr. Wal - disse Samuel, com voz forte e segura.

- E que vai ser então? -perguntou a mãe de Terinia. - Você pertence a uma família de vendedores ambulantes, que nunca serão mais que isso. E eu não vou consentir que minha filha se case com um vendedor ambulante.

Samuel olhou para as três pessoas reunidas naquela sala, com apreensão e desespero, vira-se elevado às culminâncias da alegria e, naquele momento, era de novo mergulhado em um torvo abismo. O que queriam dele?

- Vamos fazer um trato - disse o Dr. Wal. - Nós lhe daremos um prazo de seis meses para provar que não é apenas um vendedor ambulante. Se não o provar, ao fim desse tempo, ela se casará com o rabino Rabinowitz.

Samuel olhou-o, atarantado.

- Seis meses? Ninguém poderia ter sucesso em seis meses, principalmente vivendo no gueto de Cracóvia.

- Estamos entendidos? - disse o Dr. Wal.

- Perfeitamente. Sim, Samuel entendia tudo muito bem. Sentia uma contração dolorosa no estômago. Não precisava de uma solução, mas de um milagre. A família de Terinia só se contentaria com um genro que fosse médico, rabino ou rico. Samuel examinou prontamente todas as possibilidades. A lei impedia-o de ser médico. Ser rabino? Começava-se a estudar para ser rabino aos treze anos de idade, e Samuel já estava com quase dezoito. Rico? Era uma coisa fora de cogitação. Se trabalhasse vinte e quatro horas por dia vendendo suas mercadorias como ambulante pelas ruas do gueto, até aos noventa anos, não deixaria de ser um homem pobre. Os Wals lhe haviam proposto uma tarefa impossível. Tinham aparentemente cedido a Terinia, concordando em adiar o casamento dela com o rabino, impondo, porém, condições que sabiam que Samuel não poderia cumprir. Terinia era a única pessoa que acreditava nele. Confiava em que ele conseguisse de algum modo a fama ou a fortuna dentro de seis meses. É mais louca do que eu, pensou desesperadamente Samuel.

O tempo começou a correr. Samuel passava os dias como vendedor ambulante, ajudando o pai. Mas no momento em que as sombras do poente começavam a cair sobre os muros do gueto, ele corria para casa, comia alguma coisa depressa e ia trabalhar no seu laboratório. Preparava centenas de frascos de soro e o injetava em coelhos, gatos, cães e pássaros, mas todos morriam.

São muito pequenos, pensava Samuel. Preciso de um animal maior. Mas não o conseguia, e o tempo ia passando. Duas vezes por semana, Samuel ia a Cracóvia para renovar o estoque de mercadorias que ele e o pai vendiam. Chegava ao amanhecer diante dos portões fechados e ali ficava à espera, cercado pelos outros ambulantes. Mas não os via nem ouvia uma voz áspera que lhe dizia:

- Vamos, judeu! Vá andando!

Samuel levantou os olhos. Os portões tinham sido abertos, e sua carroça estava impedindo a passagem. Um dos guardas, muito zangado, lhe ordenava que prosseguisse.

Havia sempre dois guardas em serviço diante dos portões. Usavam fardas verdes com insígnias especiais e andavam armados de pistolas e pesados cassetetes. Numa corrente pendurada na cintura, um deles levava a chave dos portões. ao lado do gueto, corria um pequeno rio sobre o qual havia uma velha ponte de madeira. Do outro lado da ponte, estava o posto de polícia, onde os guardas ficavam estacionados.

Samuel vira mais de uma vez um judeu infortunado ser arrastado pela ponte. Era sempre uma viagem sem volta. Os judeus tinham de estar no interior do gueto ao escurecer, e qualquer judeu surpreendido fora dos portões depois que a noite caísse era capturado e deportado para um campo de trabalho, Todos os judeus viviam apavorados com a perspectiva de serem encontrados fora do gueto depois do anoitecer. Os dois guardas eram obrigados a passarem as noites diante dos portões, em serviço de patrulha. Mas todos os habitantes do gueto sabiam que, logo que os judeus eram trancados, um dos guardas saía dali e ia passar a noite divertindo-se na cidade. Pouco antes do amanhecer, voltava para ajudar o companheiro a abrir os portões para um novo dia.

Os dois guardas habitualmente postados nos portões chamavam-se Paul e Aram.

Paul era um homem agradável e sempre de bom humor. Aram era inteiramente diferente dele. Homem rude, robusto e forte, com braços vigorosos e um corpo que parecia um barril de cerveja, odiava os judeus. Sempre que estava de serviço, todos os judeus que se achavam fora do gueto faziam questão de voltar a tempo, pois nada encantava mais Aram do que encontrar um judeu do lado de fora, espancá-lo até fazê-lo perder os sentidos e então levá-lo através da ponte para o temido quartel da polícia. Era Aram que estava gritando com Samuel para que tirasse sua carroça do caminho.

Samuel passou pelos portões e dirigiu-se para a cidade, sentindo o olhar de ódio de Aram.

O período de seis meses concedidos a Samuel minguou rapidamente para cinco meses, depois para quatro, e três. Não havia um só dia, não havia sequer uma hora em que Samuel não pensasse em uma solução para o seu problema, mesmo quando estava trabalhando febrilmente no seu diminuto laboratório. Tentou falar com alguns negociantes ricos do gueto, mas poucos tinham tempo para recebê-lo e os que o recebiam só estavam dispostos a darlhe conselhos inúteis.

- Quer ganhar dinheiro? Trate de economizar os níqueis, meu jovem, e um dia você terá o suficiente para montar um bom negócio como o meu. Era muito fácil dizer isso, pois quase todos tinham tido pais ricos. Samuel pensou em raptar Terinia e fugir.

Mas, para onde? Ao fim de qualquer viagem que fizessem, haveria outro gueto, e ele continuaria a ser um nebbich sem dinheiro. Não, ele amava demais Terinia para fazer isso com ela. Via-se em uma armadilha da qual não era possível fugir. O tempo corria inexoravelmente, e os três meses se tornaram dois e, por fim, só restou um mês. O único consolo de Samuel era que, durante esse tempo, ele tinha permissão de ver sua adorada Terinia três vezes por semana, sempre sob a vigilância de alguém, evidentemente, e a cada vez que Samuel a via, mais a amava.

1 ... 18 19 20 21 22 23 24 25 26 ... 70
Перейти на страницу:
0
Сюжет
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8
  • 9
  • 10
0
Атмосфера
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8
  • 9
  • 10
0
Главный герой
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8
  • 9
  • 10
0
Общее впечатление
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8
  • 9
  • 10
Итоговая оценка: 0.0 из 10 (голосов: 0 / История оценок)