Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #2
- Язык: португальский
- Жанр: Романы для взрослых
Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:
Seu olhar se suaviza.
— Eu sei. E essa é uma das coisas que eu amo em você.
Olho para ele, chocada. Que ele ama em mim?
— Anastasia, eu ganho uns cem mil dólares por hora.
Fico boquiaberta. A quantia é obscena.
— Vinte e quatro mil dólares não são nada. O carro, os livros, as roupas, isso não é nada — sua voz é suave.
Olho para ele. Ele realmente não tem ideia. Extraordinário.
— Se você estivesse no meu lugar, como você se sentiria, com toda essa... generosidade vindo de bandeja para você? — pergunto.
Ele me olha fixamente, e lá está, a síntese do seu problema: empatia, ou a falta dela. O silêncio se estende entre nós.
Finalmente, ele dá de ombros.
— Não sei — responde, parecendo genuinamente confuso.
Meu coração amolece. É isso... sem dúvida é esse o cerne de seus Cinquenta Tons. Ele não pode se colocar no meu lugar. Bem, agora eu sei.
— Não é legal. Quer dizer, você é muito generoso, mas isso me deixa desconfortável. Já falei isso várias vezes.
Ele suspira.
— Eu quero lhe dar o mundo, Anastasia.
— Eu só quero você, Christian. Não quero os extras.
— Mas eles estão incluídos no pacote. Fazem parte do que sou.
Ah, essa discussão não vai dar em nada.
— Vamos comer? — pergunto. A tensão entre nós é exaustiva.
Ele franze a testa.
— Claro.
— Eu cozinho.
— Ótimo. Se não quiser, tem comida pronta na geladeira.
— A Sra. Jones tira folga nos fins de semana? E aí você come congelados na maior parte deles?
— Não.
— Hum?
Ele suspira.
— Minhas submissas cozinham, Anastasia.
— Ah, claro. — Fico vermelha. Como pude ser tão burra? Sorrio com ternura para ele: — O que o senhor gostaria de comer?
— Qualquer coisa que a senhorita encontre na cozinha — diz, sombriamente.
* * *
APÓS UMA CONFERIDA no impressionante conteúdo da geladeira, decido por fritada espanhola. Tem até batata congelada: perfeito. É rápido e fácil. Christian ainda está no escritório, na certa invadindo a privacidade de algum pobre coitado inocente e compilando informações. O pensamento é desagradável e me deixa um gosto amargo na boca. Minha cabeça dá voltas. Ele realmente não conhece limites.
Se vou cozinhar, preciso de música, e não vou ser uma submissa na cozinha! Caminho até a caixa de som ao lado da lareira e pego o iPod de Christian. Aposto que tem outras músicas escolhidas por Leila aqui... A simples ideia me apavora.
Onde ela está?, pergunto-me. O que ela quer?
Tremo. Que passado. Minha cabeça nem é capaz de dar conta.
Dou uma olhada na extensa lista. Quero algo animado. Hum, Beyoncé... não parece muito o gosto musical de Christian. “Crazy in Love”. Ah, sim! Que adequado. Aperto o botão de repetir e ligo a música bem alto.
Volto rebolando até a cozinha, pego uma tigela, abro a geladeira e retiro os ovos. Quebro os ovos na tigela e começo a bater, dançando o tempo todo.
Abrindo a geladeira mais uma vez, tiro as batatas, presunto e — isso! — ervilhas do congelador. Isso basta. Encontro uma frigideira, ponho no fogo, coloco um pouco de azeite e volto a bater os ovos.
Falta de empatia, fico pensando. Será que isso é exclusivo do Christian? Talvez todos os homens sejam assim, incapazes de compreender as mulheres. Eu simplesmente não sei. Talvez essa nem seja uma grande descoberta.
Queria que Kate estivesse em casa, ela saberia. Está em Barbados há tempo demais. Deve voltar no final da semana, depois das férias adicionais que tirou com Elliot. Gostaria de saber se o caso deles ainda é desejo à primeira vista.
Uma das coisas que eu amo em você.
Paro de bater. Ele disse isso. Significa que existem outras coisas? Sorrio pela primeira vez desde que vi Mrs. Robinson, um sorriso genuíno, sincero, de orelha a orelha.
Christian passa os braços em volta de mim, e dou um pulo.
— Interessante escolha de música — ronrona ao me beijar abaixo da orelha. — Seu cabelo está com um cheiro bom. — Ele mergulha o rosto no meu cabelo e inspira fundo.
O desejo se espalha por minha barriga. Não. Fujo de seu abraço.
— Ainda estou brava com você.
Ele franze a testa.
— Quanto tempo você vai continuar com isso? — pergunta, passando a mão pelo cabelo.
Dou de ombros.
— Pelo menos até que eu tenha comido.
Ele contorce os lábios, achando graça. Virando-se, pega o controle remoto na bancada e desliga a música.
— Foi você que colocou essa música no seu iPod? — pergunto.
Ele nega com a cabeça, o olhar sombrio, e eu sei que foi ela... a Garota-Fantasma.
— Você não acha que ela estava tentando lhe dizer alguma coisa, na época?
— Bem, pensando agora, acho que sim, provavelmente — responde, baixinho.
Como se queria demonstrar. Zero empatia. Meu inconsciente cruza os braços e aperta os lábios, revoltado.
— Por que você não apagou?
— Gosto da música. Mas se isso ofende você, eu apago.
— Não, tudo bem. Gosto de cozinhar ouvindo música.
— O que você quer ouvir?
— Surpreenda-me.
Ele caminha até o iPod, e volto a bater os ovos. Momentos depois, a voz celestial, doce e comovente de Nina Simone preenche a sala. É uma das preferidas de Ray: “I Put a Spell on You”.
Enrubesço e me viro para Christian. O que ele está tentando me dizer? Já tem muito tempo que ele me enfeitiçou. Meu Deus... seu olhar mudou, o ar brincalhão desapareceu, e seus olhos estão escuros, intensos.
Eu o observo, encantada, enquanto lentamente, como o predador que é, ele caminha na minha direção, acompanhando o ritmo da música. Está descalço, vestindo apenas uma camisa para fora da calça jeans, e tem um olhar ardente.
Nina canta “você é meu” no exato instante em que Christian me alcança, sua intenção bastante clara.
— Christian, por favor — sussurro, o batedor sobrando em minha mão.
— Por favor, o quê?
— Não faça isso.
— Isso o quê?
— Isso.
Ele está de pé na minha frente, olhando para mim.
— Tem certeza? — Ele solta o ar e se aproxima, tirando o batedor da minha mão e colocando-o de volta na tigela. Meu coração sobe até a boca. Eu não quero... eu quero... desesperadamente.
Ele é tão frustrante. Tão sensual e tão desejável. Afasto os olhos de seu olhar hipnotizante.
— Quero você, Anastasia — murmura ele. — Eu amo e odeio, e eu amo discutir com você. É tudo muito novo. Preciso saber que estamos bem. E esse é o único jeito que conheço para descobrir.
— O que eu sinto por você não mudou — sussurro.
Sua proximidade é irresistível, excitante. A atração já tão conhecida está lá, todas as minhas sinapses incitam-me para ele, minha deusa interior no máximo da libido. Encarando os pelos na abertura de sua camisa, mordo o lábio, impotente, impulsionada pelo desejo — eu quero prová-lo.
Ele está muito perto, mas não me toca. Seu calor aquece minha pele.
— Não vou tocar você até que me diga que sim — sussurra ele. — Mas neste instante, depois desta manhã de merda, eu só quero me enterrar em você e esquecer tudo que não seja nós dois.
Ai... Nós dois. A combinação mágica, duas palavrinhas simples, mas tão poderosas, capazes de selar o acordo. Ergo a cabeça para olhar suas belas feições, ainda sérias.
— Vou tocar seu rosto. — Expiro e, por um instante, vejo a surpresa refletida em seus olhos antes de ele concordar.
Levanto a mão e acaricio sua bochecha, correndo os dedos em sua barba por fazer. Ele fecha os olhos e solta o ar, oferecendo o rosto para o meu toque. Inclina-se devagar, e meus lábios automaticamente se erguem para receber os seus. Ele paira sobre mim.