Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #2
- Язык: португальский
- Жанр: Романы для взрослых
Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:
— Depilação?
Ele ri.
— Depilação também. Em todas as partes do corpo — sussurra ele, com um olhar conspiratório de quem está se divertindo à custa do meu desconforto.
Fico vermelha e me viro para Greta, que está me olhando em expectativa.
— Eu gostaria de cortar o cabelo, por favor.
— Claro, Srta. Steele.
Ao checar os horários no computador, Greta é inteiramente batom rosa e eficiência germânica.
— Franco vai estar livre daqui a cinco minutos.
— Franco é ótimo — diz Christian, tranquilizando-me.
Ainda estou tentando digerir a situação. Christian Grey, CEO, é dono de uma cadeia de salões de beleza.
Dou uma olhada para ele, e, de repente, está pálido. Acabou de ver alguma coisa, ou alguém. Viro-me para ver o que é, e, no fundo do salão, à direita, surge uma loura platinada, fechando a porta atrás de si e falando com um dos cabeleireiros.
Loura Platinada é alta, bronzeada, encantadora, tem em torno dos trinta e muitos ou quarenta e poucos anos, é difícil dizer. E usa um uniforme igual ao de Greta, só que preto. Ela é deslumbrante. O cabelo, cortado num chanel curtinho, brilha incrivelmente. Ao se virar, ela nota a presença de Christian e sorri para ele, um sorriso estonteante e cálido de quem o reconheceu.
— Com licença — murmura Christian às pressas.
Ele atravessa o salão, passando pelos cabeleireiros, todos de branco, e pelas auxiliares junto às pias, até que se aproxima dela, longe demais para que eu possa ouvi-los. Loura Platinada o cumprimenta com dois beijinhos e um afeto óbvio, as mãos descansando em seus braços, e os dois conversam animadamente.
— Srta. Steele?
Greta, a recepcionista, tenta chamar minha atenção.
— Um momento, por favor. — Observo Christian, fascinada.
Loura Platinada se vira, olha para mim e me dirige o mesmo sorriso estonteante, como se me conhecesse. Sorrio de volta educadamente.
Christian parece chateado com alguma coisa. Ele está argumentando com ela, e ela concorda, erguendo as mãos e sorrindo para ele. Ele sorri de volta, é evidente que se conhecem bem. Será que trabalham juntos há muito tempo? Talvez ela seja a gerente do salão, afinal, ela parece ter certo ar de autoridade.
E então, eu me dou conta. Lá no fundo do meu ser, de uma forma visceral, eu sei quem ela é. É ela. Deslumbrante, mais velha, linda.
É Mrs. Robinson.
CAPÍTULO CINCO
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- Greta, com quem o Sr. Grey está conversando? — Meu couro cabeludo parece estar adquirindo vida própria. Pinica de apreensão, e meu inconsciente grita comigo para segui-lo. Mas consigo soar indiferente o bastante.
— Ah, é a Sra. Lincoln. É a sócia do Sr. Grey. — Greta parece mais do que feliz em me informar.
— Sra. Lincoln? — Eu pensava que Mrs. Robinson fosse divorciada. Talvez ela tenha se casado com algum pobre coitado.
— Sim. Ela normalmente não vem aqui, mas um dos nossos funcionários está doente hoje e ela veio cobri-lo.
— Você sabe o primeiro nome da Sra. Lincoln?
Greta franze a testa para mim e pressiona os lábios cor-de-rosa, perguntando-se o porquê de minha curiosidade. Merda, talvez eu tenha ido longe demais.
— Elena — responde ela, quase relutante.
Sou inundada por uma estranha sensação de alívio de que meu radar não me decepcionou.
Radar? Meu inconsciente bufa para mim. Só se for radar de pedófilas.
Eles ainda estão imersos em uma discussão. Christian fala com Elena depressa, e ela parece preocupada, assentindo, franzindo o cenho e balançando a cabeça. Ela estica a mão e acaricia gentilmente o braço dele, mordendo o lábio. Outro aceno de cabeça, e ela olha para mim e me lança um pequeno sorriso tranquilizador.
Tudo o que posso fazer é olhar para ela com o rosto impassível. Acho que estou em choque. Como ele tem coragem de me trazer aqui?
Ela murmura algo para Christian, e ele me olha de relance; em seguida, volta-se para ela e responde. Ela balança a cabeça, acho que desejando-lhe sorte, mas as minhas habilidades de leitura labial não são muito boas.
Christian caminha de volta para mim, a ansiedade aparente em suas feições. É, isso mesmo. Mrs. Robinson retorna para a sala nos fundos do salão, fechando a porta atrás de si.
— Você está bem? — pergunta Christian, franzindo a testa. Seu tom é tenso e cauteloso.
— Na verdade, não. Você não quis me apresentar? — Minha voz soa fria e rígida.
Ele fica boquiaberto, como se eu tivesse lhe tirado o chão.
— Mas eu pensei...
— Para um homem inteligente, você às vezes... — Faltam-me as palavras. — Eu quero ir embora, por favor.
— Por quê?
— Você sabe por quê. — Reviro os olhos.
Ele me encara, os olhos em chamas.
— Sinto muito, Ana. Eu não sabia que ela estaria aqui. Ela nunca está aqui. Abriu uma filial nova no Bravern Center, e normalmente fica lá. Parece que tinha alguém doente hoje.
Eu me viro e caminho em direção à saída.
— Não vamos precisar de Franco, Greta — avisa Christian ao sairmos do salão.
Tenho que me controlar para não correr. Quero fugir rápido e para bem longe. Estou com uma vontade imensa de chorar. Só preciso me afastar de toda essa merda.
Christian caminha silenciosamente ao meu lado enquanto tento digerir tudo isso. Cruzando os braços protetoramente ao meu redor, mantenho a cabeça baixa, evitando as árvores da Segunda Avenida. Sabiamente, ele não tenta encostar em mim. Minha mente está fervilhando de perguntas sem respostas. Será que o Sr. Evasivo vai admitir?
— Você costumava levar suas submissas lá? — disparo.
— Algumas, sim — responde ele calmamente, a voz curta.
— Leila?
— Sim.
— O lugar parece bem novo.
— Foi reformado recentemente.
— Entendi. Então Mrs. Robinson conhece todas as suas submissas.
— Conhece.
— E elas sabiam a respeito dela?
— Não. Nenhuma delas. Só você.
— Mas eu não sou sua submissa.
— Não, você definitivamente não é.
Eu paro e o examino. Seus olhos estão arregalados, amedrontados. Os lábios estão contraídos numa linha rígida e intransigente.
— Você não percebe a maluquice que é tudo isso? — Olho para ele, a voz baixa.
— Sim. Desculpe. — Ele tem a elegância de manter um olhar contrito.
— Quero cortar o cabelo, de preferência num lugar em que você não tenha comido nem as funcionárias nem a clientela.
Ele recua.
— Agora, com licença.
— Você não vai embora, vai? — pergunta.
— Não, eu só quero um maldito corte de cabelo. Em algum lugar em que eu possa fechar os olhos, com alguém para lavar o meu cabelo, e eu possa me esquecer de toda essa bagagem que vem junto com você.
Ele corre a mão pelo cabelo.
— Posso pedir ao Franco para ir até o meu apartamento, ou o seu — diz, em voz baixa.
— Ela é muito atraente.
— Sim, ela é. — Ele pisca.
— Ainda é casada?
— Não. Ela se separou há uns cinco anos.
— Por que você não está com ela?
— Porque nós terminamos. Eu já lhe contei isso. — Ele franze a testa de repente. Erguendo um dedo como quem pede silêncio, puxa o BlackBerry do bolso do paletó. Deve estar vibrando, porque não ouço tocar.
— Oi, Welch — atende, e passa a escutar.
Estamos de pé na Segunda Avenida, e eu olho na direção de uma muda de pinheiro à minha frente, as folhas num tom do mais novo verde.