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Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Assustada com os segredos obscuros do belo e atormentado Christian Grey, Ana Steele poe um ponto final em seu relacionamento com o jovem empresario e concentra-se em sua nova carreira, numa editora de livros. Mas o desejo por Grey domina cada pensamento de Ana e, quando ele propoe um novo acordo, ela nao consegue resistir. Em pouco tempo, Ana descobre mais sobre o angustiante passado de seu amargurado e dominador parceiro do que jamais imaginou ser possivel. Enquanto Christian tenta se livrar de seus demonios interiores, Ana se ve diante da decisao mais importante da sua vida.
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— Não sei se ele tem as chaves. Vou precisar voltar na terça.

Christian não diz nada.

— Isso é tudo.

Ele pega a mala, e nós saímos. Enquanto caminhamos até os fundos do prédio para o estacionamento, percebo que estou o tempo todo olhando para trás. Não sei se a paranoia tomou conta de mim ou se realmente tem alguém me observando. Christian abre a porta do carona do Audi e me olha em expectativa.

— Não vai entrar? — pergunta.

— Achei que eu fosse dirigir.

— Não. Eu dirijo.

— Algum problema com o jeito como eu dirijo? Não me diga que você sabe qual foi minha nota na prova de direção... Eu não ficaria surpresa, dadas as suas tendências para perseguição.

Talvez ele saiba que eu passei raspando no exame escrito.

— Entre no carro, Anastasia — diz ele irritado.

— Ok.

Entro às pressas. Francamente, você não vai se acalmar?

Talvez ele esteja sentindo o mesmo desconforto que eu. Esse espião sombrio que nos observa... Quer dizer, uma morena pálida e de olhos castanhos que se parece inacreditavelmente comigo mesma e que, possivelmente, carrega uma arma de fogo.

Christian dá partida no carro.

— As suas submissas eram todas morenas?

Ele franze a testa.

— Eram — murmura. Soa inseguro, e o imagino ponderando: aonde ela quer chegar com isso?

— Só curiosidade.

— Eu já falei. Prefiro morenas.

— Mrs. Robinson não é morena.

— Talvez seja por isso — diz ele baixinho. — Ela fez com que eu criasse uma aversão a louras.

— Você está brincando! — exclamo.

— Sim. Estou brincando — responde ele, exasperado.

Olho, impassível, pela janela: espiãs morenas por todos os lados, mas nenhuma delas é Leila.

Então, ele só gosta de morenas. Eu me pergunto por quê. Será que Mrs. Maravilhosamente Glamorosa Apesar de Velha Robinson realmente fez com que ele criasse uma aversão a louras? Balanço a cabeça. Sr. Christian Perturbado Grey.

— Conte-me sobre ela.

— O que você quer saber? — Christian fecha a cara, e seu tom de voz é uma espécie de alerta.

— Como é o acordo de negócios de vocês?

Ele relaxa visivelmente, feliz em falar de trabalho.

— Sou um sócio passivo. Não tenho nenhum interesse especial no ramo da beleza, mas ela construiu um negócio de sucesso. Eu só investi e a ajudei a começar.

— Por quê?

— Devia isso a ela.

— Ah, é?

— Quando larguei Harvard, ela me emprestou cem mil dólares para eu abrir meu próprio negócio.

Puta merda... ela também é rica.

— Você largou a faculdade?

— Não era a minha praia. Cursei dois anos. Infelizmente, meus pais não foram tão compreensivos.

Franzo a testa. O Sr. Grey e a Dra. Grace Trevelyan não sendo compreensivos, não consigo imaginar.

— Não parece ter sido um mal negócio para você abandonar a faculdade. Que curso você fazia?

— Política e economia.

Hum... explicado.

— Então ela é rica? — pergunto.

— Ela era uma esposa-troféu entediada, Anastasia. O marido era rico, um cara importante no ramo madeireiro. — Ele me lança um sorrisinho. — Ele não a deixava trabalhar. Sabe como é, um sujeito controlador. Tem alguns homens que são assim. — E abre um rápido sorriso torto.

— Não me diga? Um sujeito controlador? Sem dúvida é uma criatura mítica... — Não acho que eu seja capaz de enfatizar mais o sarcasmo de minha resposta.

O sorriso de Christian aumenta.

— Ela lhe emprestou dinheiro do marido?

Ele assente com a cabeça e um pequeno sorriso malicioso surge em seus lábios.

— Que coisa horrível.

— Ele se vingou à altura — responde Christian com um ar sombrio ao entrar na garagem subterrânea do Escala.

Ah?

— Como?

Christian balança a cabeça como se isso o lembrasse de um episódio particularmente amargo, e estaciona ao lado do Audi Quattro SUV.

— Vamos, Franco vai chegar daqui a pouco.

* * *

NO ELEVADOR, CHRISTIAN me olha.

— Ainda está com raiva de mim? — pergunta, trivialmente.

— Muita.

Ele faz que sim com a cabeça.

— Certo — diz, e olha para a frente.

Taylor está no saguão, esperando por nós. Como é que ele sempre sabe a hora que Christian vai chegar? Ele pega a minha mala.

— Welch entrou em contato? — pergunta Christian.

— Sim, senhor.

— E?

— Tudo combinado.

— Excelente. Como está a sua filha?

— Bem, senhor, obrigado.

— Ótimo. Vai chegar um cabeleireiro daqui a pouco, Franco De Luca.

— Srta. Steele. — Taylor acena para mim.

— Oi, Taylor. Você tem uma filha?

— Sim, senhora.

— Quantos anos ela tem?

— Sete.

Christian me olha, impaciente.

— Ela mora com a mãe — esclarece Taylor.

— Ah, entendi.

Taylor sorri para mim. Isso é inesperado. Taylor é pai? Sigo Christian até a sala de estar, intrigada com a novidade.

Olho ao redor. Não voltava aqui desde que o deixei.

— Está com fome?

Nego com a cabeça. Christian olha para mim por um instante e decide não discutir.

— Tenho que dar alguns telefonemas. Sinta-se em casa.

— Ok.

Ele desaparece em seu escritório, deixando–me em pé no meio da enorme galeria de arte que ele chama de casa, e fico me perguntando o que fazer.

As roupas! Pego minha mochila e subo até o meu quarto para dar uma conferida no closet. Ainda está cheio de roupas: todas novas e ainda com as etiquetas. Três vestidos longos de festa, três vestidos de noite e mais três para o dia a dia. Devem ter custado uma fortuna.

Confiro a etiqueta de um dos vestidos de festa: dois mil novecentos e noventa e oito dólares. Puta merda. Desabo no chão.

Isso não sou eu. Levo as mãos à cabeça, tentando digerir as últimas horas. É tão cansativo. Por quê, meu Deus, por que eu fui me apaixonar por alguém tão completamente maluco... lindo, sexy para cacete, mais rico que Creso e louco com L maiúsculo?

Tiro o BlackBerry da mochila e ligo para minha mãe.

— Ana, querida! Há quanto tempo. Como você está, meu bem?

— Ah, você sabe...

— O que houve? Ainda não acertou as coisas com Christian?

— É complicado, mãe. Acho que ele é louco. Esse é o problema.

— Nem me conte. Tem horas em que simplesmente não dá para entender os homens. Bob está na dúvida se a mudança para a Geórgia foi uma boa.

— O quê?

— Pois é, ele está falando em voltar para Las Vegas.

Ah, então eu não sou a única que tem problemas.

Christian aparece na porta:

— Aí está você. Achei que tinha fugido. — Seu alívio é claro.

Levanto a mão para indicar que estou no telefone.

— Desculpe, mãe, tenho que ir. Eu ligo para você depois.

— Ok, meu bem, se cuide. Amo você!

— Também amo você, mãe.

Desligo e olho para o meu Cinquenta Tons. Ele franze a testa, e parece pouco à vontade.

— Por que você está se escondendo aí? — pergunta.

— Não estou me escondendo. Estou me desesperando.

— Desesperando?

— Com tudo isso, Christian. — Aponto para as roupas.

— Posso entrar?

— O closet é seu.

Ele franze a testa de novo e se senta no chão à minha frente, de pernas cruzadas.

— São só roupas. Se você não gostar eu mando devolver.

— Você é muito complicado, sabia?

Ele alisa o queixo... a barba por fazer. Meus dedos coçam de vontade de tocá-lo.

— Eu sei. Mas estou tentando — murmura.

— Está tentando mesmo.

— Você também, Srta. Steele.

— Por que está fazendo isso?

Ele arregala os olhos e a expressão cautelosa retorna.

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