O Zahir
- Автор: Коэльо Пауло
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «O Zahir». Краткое содержание книги:
O ator chegou - mais simpático do que eu esperava, apesar de toda a sua
fama. Deixei-o em meu hotel favorito e voltei para casa. Para minha surpresa, Marie me esperava, dizendo que, por causa das condições do tempo, suas
filmagens tinham sido adiadas por uma semana.
enso que hoje, por ser quinta-feira, você irá ao restaurante.
- Você também quer ir?
- P - Sim. Vou com você. Prefere ir sozinho?
- Prefiro.
- Mesmo assim, decidi que vou; ainda está para nascer o homem que
controlará os meus passos.
- Você sabe por que os trilhos de trem estão distantes 143,5 centímetros?
- Posso tentar descobrir na Internet. É importante?
- Muito.
- Deixemos os trilhos de trem para lá, por enquanto. Estive conversando
com amigos que são seus fãs. Acham que uma pessoa que escreve livros como Tempo de rasgar, tempo de costurar, ou a história do pastor de ovelhas, ou a peregrinação ao caminho de Santiago, deve ser um sábio, com respostas para tudo.
- O que não é absolutamente verdade, como você sabe.
- O que é verdade, então? Como é que você passa aos seus leitores coisas
que estão além do seu conhecimento?
- Não estão além do meu conhecimento. Tudo que está escrito ali faz parte de minha alma, lições que aprendi ao longo de minha vida e que tento aplicá-las para mim mesmo. Sou um leitor de meus próprios livros. Eles me mostram algo que já sabia, mas que não tinha consciência.
- E o leitor?
- Penso que se passa a mesma coisa com ele. O livro - e podemos estar
falando de qualquer coisa, como um filme, uma música, um jardim, a visão de uma montanha - revela algo. Revelar significa: tirar e recolocar um véu. Tirar o véu de alguma coisa que já existe é diferente de tentar ensinar os segredos de se viver melhor.
“No momento, como você também sabe, estou sofrendo por amor. Isso
pode ser apenas uma descida aos infernos - mas pode ser uma revelação. Foi só enquanto escrevia Tempo de rasgar, tempo de costurar, que percebi minha própria capacidade de amar. Aprendi enquanto digitava as palavras e frases.”
- Mas e o lado espiritual? E aquilo que parece estar presente em cada página de todos os seus títulos?
- Começo a gostar da idéia de que vá comigo hoje à noite ao restaurante
armênio, porque irá descobrir - melhor dizendo, ficar consciente de três coisas importantes. A primeira: no momento em que as pessoas resolvem encarar um problema, elas se dão conta de que são muito mais capazes do que pensam. A segunda: toda a energia, toda a sabedoria vêm da mesma fonte desconhecida, que normalmente chamamos de Deus. O que tento em minha vida, desde que comecei a seguir aquilo que considero meu caminho, é honrar esta energia, conectar-me com ela todos os dias, deixar-me guiar pelos sinais, aprender enquanto faço - e não enquanto penso fazer algo.
“A terceira: ninguém está só em suas atribulações - sempre existe alguém
mais pensando, alegrando-se, ou sofrendo da mesma maneira, e isso nos dá força para encarar melhor o desafio que temos diante de nós.”
- Isso inclui sofrer por amor?
- Isso inclui tudo. Se o sofrimento está ali, então é melhor aceitá-lo, porque não irá embora só porque você está fingindo que ele não existe. Se a alegria está ali, também é melhor aceitá-la mesmo com medo de que ela acabe um dia. Tem gente que consegue relacionar-se com a vida apenas através do sacrifício e da renúncia. Tem gente que só consegue sentir-se parte da humanidade quando está pensando que é “feliz”. Por que você está me perguntando essas coisas?
- Porque estou apaixonada e tenho medo de sofrer.
- Não tenha medo; a única maneira de evitar este sofrimento seria recusar-se a amar.
- Sei que Esther está presente. Além do ataque epilético do rapaz, você nada mais me contou sobre o encontro na pizzaria. Isso é um mau sinal para mim, embora possa ser um bom sinal para você.
- Pode ser um mau sinal para mim também.
- Sabe o que eu gostaria de perguntar-lhe? Gostaria de saber se você me
ama como eu o amo. Mas não tenho coragem. Por que entro em tantas relações frustradas com tantos homens?
“Porque acho que sempre tenho que estar me relacionando com alguém - e
assim sou forçada a ser fantástica, inteligente, sensível, excepcional. O esforço de seduzir me obriga a dar o melhor de mim mesma, e isso me ajuda, Além do mais, é muito difícil conviver comigo mesma. Mas não sei se esta é a melhor escolha.”
- Você quer saber se, mesmo sabendo que determinada mulher que me
deixou sem quaisquer explicações, eu ainda sou capaz de amá-la?
- Li seu livro. Sei que é capaz.
- Você quer me perguntar se, apesar de meu amor por Esther, eu também
sou capaz de amar você?
- Não ousaria fazer esta pergunta, porque a resposta pode estragar minha
vida.- Você quer saber se o coração de um homem, ou de uma mulher, pode
comportar amor por mais de uma pessoa?
- Já que não é uma pergunta tão direta como a anterior, gostaria que me
respondesse.
- Acho que pode. Exceto quando uma delas se transforma em...
- ... um Zahir. Mas vou lutar por você, acho que vale a pena. Um homem
que é capaz de amar uma mulher como você amou, ou ama, Esther, merece meu respeito e esforço.
“E no momento, para demonstrar minha vontade de tê-lo ao meu lado, para
mostrar o quanto você é importante em minha vida, vou fazer o que me pediu, por mais absurdo que seja: saber por que os trilhos de trem estão separados por 143,5 centímetros.”
dono do restaurante armênio fizera exatamente o que havia comentado
na semana anterior: agora, ao invés do salão dos fundos, o restaurante
O inteiro estava ocupado. Marie olhava as pessoas com curiosidade, e vez por outra comentava a imensa diferença entre elas.
- Como é que trazem crianças para isso? E um absurdo!
- Talvez não tenham com quem deixá-las.
Às nove horas em ponto, as seis figuras - dois músicos com roupas orientais e os quatro jovens com suas blusas brancas e saias rodadas - entraram no palco.
O serviço de mesas foi imediatamente suspenso, e as pessoas ficaram em
silêncio.
- No mito mongol da criação do mundo, corça e cão selvagem se encontram
- disse Mikhail, de novo com uma voz que não era a sua. - Dois seres de natureza diferente: na natureza, o cão selvagem mata a corça para comer. No mito mongol, ambos entendem que um precisa das qualidades do outro para sobreviver em um ambiente hostil, e devem unir-se.
“Para isso, antes eles precisam aprender a amar. E para amar, Precisam
deixar de ser quem são, ou jamais poderão conviver, com o passar do tempo, o cão selvagem começa a aceitar que seu instinto, sempre concentrado na luta pela sobrevivência, agora serve a um propósito maior: encontrar alguém com quem Construir o mundo.”
Deu uma pausa.
- Quando dançamos, giramos em torno da mesma energia que sobe até a
Senhora e volta com toda a sua força para nós, da mesma maneira que a água evapora dos rios, se transforma em nuvem e retorna sob a forma de chuva. Hoje minha história é sobre o círculo do amor: certa manhã, um camponês bateu com força na porta de um convento. Quando o irmão porteiro abriu, ele lhe estendeu um magnífico cacho de uvas.
“- Caro irmão porteiro, estas são as mais belas produzidas pelo meu
vinhedo. E venho aqui para dá-las de presente.
“- Obrigado! Vou levá-las imediatamente ao Abade, que ficará alegre com
esta oferta.
“- Não! Eu as trouxe para você.
“- Para mim? Eu não mereço tão belo presente da natureza.
“- Sempre que bati na porta, você abriu. Quando precisei de ajuda, porque a colheita foi destruída pela seca, você me dava um pedaço de pão e um copo de vinho todos os dias. Eu quero que este cacho de uvas traga-lhe um pouco do amor do sol, da beleza da chuva e do milagre de Deus.