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Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:

A Herdeira [em Português]
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- Prepare-se, Elizabeth. é a sua vez. Elizabeth tentou dizer: "Sim, madame", mas estava com a garganta tão seca que não conseguiu articular as palavras.

As duas pianistas iniciaram os compassos conhecidos do solo de Elizabeth. Ela ficou no mesmo lugar, paralisada, sem poder se mover, enquanto Madame Netturova lhe sussurrava:

- Vamos! Comece!

Sentiu um leve empurrão nas costas e foi sair no palco, quase nua, diante de uma centena de pessoas estranhas e hostis. Não tinha coragem de olhar para o pai. Queria apenas livrar-se daquele tormento o mais depressa possível e fugir. O que tinha de fazer era simples: alguns pliés e saltos. Começou a dar os passos, acompanhando o compasso da música e tentando imaginar-se esbelta, elegante e ágil. Quando terminou, houve algumas palmas esparsas e formais. Elizabeth olhou para a segunda fila e viu que o pai batia palmas e sorria, contente. Ao ver que o pai aplaudia, alguma coisa se desprendeu dentro de Elizabeth. A música tinha cessado. Mas Elizabeth continuou a dançar, fazendo jetés, pliés, batteries e piruetas, transportada além de si mesma. As pianistas, confusas, tentaram acompanhá-la, primeiro uma, depois a outra. Nos bastidores, Madame Netturova, rubra de raiva, fazia desesperados sinais a Elizabeth para encerrar tudo e sair do palco. Mas Elizabeth, toda feliz, nem tomava conhecimento dela e continuou a dançar.

O que importava apenas era que ela estava no palco, dançando para o pai.

- Tenho certeza de que compreende, Sr. Roffe, que esta escola não pode tolerar esse tipo de comportamento. - A voz de Madame Netturova tremia de raiva. - Sua filha desprezou todas as pessoas presentes e tomou conta do palco… como se fosse uma estrela!

Elizabeth sentiu o pai voltar-se para ela e teve medo de olhá-lo. Sabia que o que fizera era imperdoável, mas não conseguira se conter. Por um momento, tentara criar no palco algumas coisas belas para o pai, a fim de que ele a visse e tivesse orgulho dela, dando-lhe então o seu amor. Ouviu o pai dizer:

- Tem toda a razão, Madame Netturova. Vou tomar providências para que Elizabeth seja devidamente punida. Madame Netturova envolveu Elizabeth num olhar de triunfo e disse:

- Muito obrigada, Sr. Roffe. Deixo-a em suas mãos.

Elizabeth e o pai saíram da escola. Ela não dissera uma só palavra desde que tinha deixado a sala de Madame Netturova. Elizabeth estava à procura de palavras com que pudesse pedir desculpas, mas o que poderia fazer? Como poderia seu pai compreender por que ela fizera aquilo? O pai era um estranho, e ela sentiu medo dele.

Ouvira repetidas vezes o pai descarregar a sua cólera nos empregados por enganos ou desobediências. Não podia esperar senão uma manifestação dessa mesma cólera.

- Elizabeth - disse finalmente o pai, voltando-se para ela -, acha que podemos passar pelo Rumpelmayer's e tomar um sorvete de chocolate com soda?

Elizabeth desatou a chorar. Estendeu-se na cama naquela noite com os olhos abertos, tão excitada que não conseguia dormir. Recordava sem cessar todos os acontecimentos daquela noite. A sua agitação era realmente excessiva. Nada daquilo era produto da sua imaginação. Tinha acontecido, era uma realidade.

Viu-se de novo sentada com o pai a mesa do Rumpelmayer's, cercada pelos grandes e pitorescos ursos, elefantes, zebras e leões empalhados. Pedira banana split, e, quando aquela coisa imensa chegara à mesa, o pai não havia feito a menor crítica. E, depois, conversava com ela, sem os monossílabos habituais. Falara da sua viagem a Tóquio, dissera que haviam servido, como pratos especiais, gafanhotos e formigas cobertos de chocolate e que ele tivera de fazer um grande esforço para comer aquilo e não ofender o seu anfitrião. Quando Elizabeth acabara o sorvete, o pai de repente perguntara:

- Por que você fez aquilo, Liz?

- Quis ser melhor do que todas as outras -dissera ela, mas não tivera coragem de acrescentar: "Por sua causa". Ele olhara para ela durante muito tempo, rira e dissera com uma nota de orgulho na voz:

- Você certamente surpreendeu todo mundo.

Elizabeth sentiu o sangue subir-lhe ao rosto e perguntou:

- Não ficou então zangado comigo?

Havia nos olhos dele um brilho que Elizabeth nunca tinha visto.

- Por querer ser melhor que os outros? Foi sempre isso que nós, Roffes, fizemos.

E apertara carinhosamente a mão dela. Os últimos pensamentos de Elizabeth antes de adormecer foram: "Meu pai gosta de mim, gosta mesmo de mim. De agora em diante, vamos viver sempre juntos. Ele me levará nas suas viagens. Conversaremos sobre todas as coisas e seremos bons amigos".

Na tarde seguinte, a secretária de seu pai informou-a de que tinham sido iniciados entendimentos para mandá-la para um internato na Suíça.

Capítulo 10 Elizabeth foi matriculada no International Château Lemand, uma escola para moças situada na aldeia de Saint-Blaise, às margens do lago de Neuchâtel. A idade das moças variava entre catorze e dezoito anos. Era uma das melhores escolas do excelente sistema educacional suíço.

Elizabeth odiou-a do princípio ao fim. Sentia-se exilada. Fora mandada para longe de casa e estava sofrendo um cruel castigo por um crime que não cometera. Aquela noite mágica parecera o início de alguma coisa maravilhosa, da descoberta recíproca do pai e dela, de uma amizade estreita com ele. Mas agora ele parecia mais distante que nunca.

Elizabeth seguia a vida do pai por intermédio dos jornais e revistas. Havia freqüentes notícias e fotografias dele, sendo recebido por um primeiro-ministro ou por um presidente, inaugurando uma nova fábrica de produtos farmacêuticos em Bombaim, escalando uma montanha ou jantando com o Xá do Ira.

Elizabeth colava tudo num caderno de recortes que constantemente olhava.

Guardava-o ao lado do Livro de Samuel. Elizabeth se mantinha afastada das outras alunas. Algumas viviam em quartos com duas ou três, mas Elizabeth pedira um quarto só para si. Escrevia longas cartas ao pai e depois rasgava as que revelava seus sentimentos. De vez enquanto recebia um bilhete dele e havia sempre alguns embrulhos vistosos de presentes de lojas caras no dia do seu aniversário, mandados pela secretária de seu pai. Elizabeth tinha muitas saudades dele. Iria vê-lo no Natal na villa de Sardenha, e, à medida que a época se aproximava, a espera se tornava quase intolerável. Chegara a passar mal de tanto nervosismo. Fez uma lista de suas resoluções, disposta a cumprilas fielmente: Não seja inoportuna. Procure ser interessante. Não se queixe de coisa alguma, especialmente da escola. Não o deixe saber que você se sente sozinha. Não o interrompa quando ele estiver falando. Tenha sempre boas maneiras, especialmente na hora do café da manhã. Ria muito para ele pensar que você é feliz.

Essas notas eram como uma prece, uma oferenda aos deuses. Se ela fizesse todas essas coisas, talvez… talvez… As resoluções de Elizabeth se esfumavam em fantasias. Ela teria profundas observações do Terceiro Mundo e os dezenove países em desenvolvimento, e o pai dela diria: "Não sabia que você era tão interessante (regra número 2). Você é brilhante, Elizabeth". Então, ele se voltaria para a secretária e diria:

"Não creio que Elizabeth precise voltar para a escola. Vai ficar aqui comigo". Uma prece, uma oferenda.

Um Learjet da companhia pegou Elizabeth em Zurique e transportou-a até o aeroporto de Olbia, onde uma limusine estava à sua espera. Elizabeth sentouse no carro em silêncio, com os joelhos bem juntos para não tremer. Aconteça o que acontecer, ele não me ver chorar, pensou Elizabeth. Nunca vai saber como tive saudades dele! O carro subiu pela longa e sinuosa estrada de montanha que levava à Costa Esmeralda, tomando então a pequena estrada que conduzia até ao topo. Aquela estrada sempre amedrontava Elizabeth. Era muito estreita e íngreme, com a montanha de um lado e um abismo do outro. O carro parou diante da casa, e Elizabeth saltou, começando a caminhada em direção à casa, e depois correu tanto quanto lhe permitiam as pernas. A porta se abriu e Margherita, a cozinheira, apareceu, sorridente.

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