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Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Assustada com os segredos obscuros do belo e atormentado Christian Grey, Ana Steele poe um ponto final em seu relacionamento com o jovem empresario e concentra-se em sua nova carreira, numa editora de livros. Mas o desejo por Grey domina cada pensamento de Ana e, quando ele propoe um novo acordo, ela nao consegue resistir. Em pouco tempo, Ana descobre mais sobre o angustiante passado de seu amargurado e dominador parceiro do que jamais imaginou ser possivel. Enquanto Christian tenta se livrar de seus demonios interiores, Ana se ve diante da decisao mais importante da sua vida.
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Sou apenas sensação. Isto é o que ele faz comigo: pega o meu corpo e me possui por inteira para que eu não pense em nada além dele. Sua magia é poderosa, inebriante. Eu sou uma borboleta presa em sua rede, incapaz de escapar, sem vontade escapar. Sou dele... totalmente dele.

— Goze para mim, baby — rosna ele com os dentes cerrados, e no mesmo instante, como aprendiz de feiticeiro que sou, deixo-me levar, e nós gozamos juntos.

* * *

ESTOU DEITADA, ENROLADA em seus braços em meio a lençóis pegajosos. Sua testa está pressionando minhas costas, o nariz enfiado em meu cabelo.

— O que eu sinto por você me assusta — sussurro.

Ele fica quieto.

— Também me assusta, baby — diz baixinho.

— E se você me deixar? — O pensamento é horrível.

— Eu não vou a lugar algum. Acho que nunca vou me cansar de você, Anastasia.

Viro-me e olho para ele. Sua expressão é séria, sincera. Eu me inclino e o beijo com ternura. Ele sorri e ajeita meu cabelo por trás da minha orelha.

— Eu nunca tinha me sentido do jeito que me senti quando você foi embora, Anastasia. Eu moveria o céu e a terra para evitar ter aquela sensação de novo. — Ele soa tão triste, atordoado até.

Eu o beijo mais uma vez. Quero amenizar nosso estado de espírito de alguma forma, mas Christian faz isso por mim.

— Você pode ir comigo à festa de verão do meu pai, amanhã? É um evento de caridade que acontece todo ano. Eu disse que iria.

Sorrio, sentindo-me tímida de repente.

— Claro. — Ah, merda. Não tenho nada para vestir.

— O quê foi?

— Nada.

— Fale — insiste ele.

— Não tenho roupa.

Christian parece desconfortável por um instante.

— Não fique brava, mas ainda estou com todas aquelas roupas lá em casa para você. Tenho certeza de que há pelo menos uns dois vestidos lá.

Pressiono os lábios.

— Ah, é mesmo? — murmuro, a voz sarcástica. Não quero brigar com ele hoje. Preciso de um banho.

* * *

A GAROTA QUE se parece comigo está do lado de fora da SIP. Espere aí, ela sou eu. Estou pálida e suja, e todas as minhas roupas estão muito largas; eu a encaro, e ela está usando a minha roupa, feliz e saudável.

— O que você tem que eu não tenho? — pergunto a ela.

— Quem é você?

— Não sou ninguém... Quem é você? Ninguém também...?

— Então somos duas. Não conte para ninguém, eles nos expulsariam... — Ela sorri devagar, um esgar maligno que se espalha por todo o seu rosto, e é tão frio que começo a gritar.

* * *

— MEU DEUS, ANA! — Christian me sacode para me acordar.

Estou desorientada. Estou em casa... no escuro... na cama, com Christian. Balanço a cabeça, tentando clarear as ideias.

— Ana, você está bem? Você estava tendo um pesadelo.

— Ah.

Ele acende o abajur, e somos banhados por sua luz tépida. Ele me olha, o rosto marcado de preocupação.

— A garota — sussurro.

— O que houve? Que garota? — pergunta ele com calma.

— Tinha uma garota do lado de fora da SIP quando saí do trabalho hoje. Ela se parecia comigo... mas não exatamente.

Christian não se move, e à medida que a luz do abajur aquece, vejo que seu rosto está pálido.

— Quando foi isso? — pergunta ele, consternado. Ele se senta e continua olhando para mim.

— Hoje à tarde, quando saí do trabalho. Você sabe quem ela é?

— Sei. — Ele passa a mão pelo cabelo.

— Quem é?

Christian aperta os lábios e não responde.

— Quem é? — insisto.

— Leila.

Engulo em seco. A ex-submissa! Lembro-me de Christian falando sobre ela antes de voarmos no planador. De repente, ele está irradiando tensão. Tem algo errado.

— Aquela que colocou a música “Toxic” no seu iPod?

Ele olha para mim, ansioso.

— É — responde. — Ela disse alguma coisa?

— Ela falou: “O que você tem que eu não tenho?” E quando eu perguntei quem ela era, ela respondeu: “Ninguém.”

Christian fecha os olhos como se sentisse dor. O que aconteceu? O que ela significa para ele?

Meu couro cabeludo se arrepia e pontadas de adrenalina atravessam meu corpo. E se ela for importante para ele? Talvez ele sinta falta dela? Eu sei tão pouco sobre seus... hum, antigos relacionamentos. Ela deve ter assinado um contrato, e deve ter feito tudo o que ele queria, deve ter saciado as necessidades dele com prazer.

Ah, não, exatamente quando eu não sou capaz de fazer o mesmo. O pensamento me dá náuseas.

Pulando para fora da cama, Christian veste a calça jeans e segue até a sala. Pelo meu relógio são cinco da manhã. Eu me levanto, visto sua camisa branca e vou atrás dele.

Puta merda, ele está ao telefone.

— Isso, na frente da SIP, ontem... no fim da tarde — diz calmamente. Ele se vira para mim enquanto caminho na direção da cozinha e me pergunta: — Que horas, exatamente?

— Tipo dez para as seis — resmungo.

Com quem ele está falando a esta hora? O que será que Leila fez? Ele repassa a informação para a pessoa do outro lado da linha, quem quer que seja, sem tirar os olhos de mim, uma expressão séria e sombria no rosto.

— Descubra como... Isso... Eu diria que não, mas eu não imaginava que ela seria capaz disso. — Ele fecha os olhos com uma expressão de desgosto. — Eu não sei como isso vai acabar... Certo, eu falo com ela... Certo... Eu sei... Descubra e me avise. Descubra onde ela está, Welch... Ela está em apuros. Descubra onde ela está. — E desliga.

— Você quer um chá? — pergunto.

Chá, a resposta de Ray para qualquer crise e a única coisa que ele sabe fazer direito na cozinha. Encho a chaleira de água.

— Na verdade, eu queria voltar para a cama. — Seu olhar me diz que não é para dormir.

— Bem, eu preciso de um pouco de chá. Vai querer também?

Quero saber o que está acontecendo. E não vou me deixar ser distraída por sexo.

Ele passa a mão pelo cabelo, exasperado.

— Sim, por favor — responde, mas percebo que está irritado.

Coloco a chaleira no fogo e me ocupo pegando as xícaras e um bule. Meu nível de ansiedade disparou para o alerta máximo. Será que ele vai me contar qual é o problema? Ou vou ter que insistir?

Sinto seus olhos em mim. Sua insegurança e sua raiva são palpáveis. Ergo o olhar, e seus olhos estão brilhando com apreensão.

— O que houve? — pergunto com calma.

Ele balança a cabeça.

— Você não vai me dizer?

Ele suspira e fecha os olhos.

— Não.

— Por quê?

— Porque não tem nada a ver com você. Não quero que você se envolva nisso.

— Tem a ver comigo, sim. Ela me encontrou e me abordou na porta do meu trabalho. Como ela sabe a meu respeito? Como ela sabe onde eu trabalho? Acho que tenho o direito de ser informada sobre o que está acontecendo.

Ele passa a mão pelo cabelo novamente, irradiando frustração como se travasse alguma batalha interna.

— Por favor — peço delicadamente.

Ele contrai os lábios e revira os olhos para mim.

— Está bem — diz, resignado. — Não tenho ideia de como ela encontrou você. Talvez a nossa fotografia em Portland, não sei. — Ele suspira de novo, e eu percebo que sua frustração é dirigida a ele mesmo.

Espero com paciência, despejando a água fervente no bule enquanto ele caminha de um lado para o outro. Após um curto intervalo, ele continua.

— Quando eu estava na Geórgia com você, Leila apareceu do nada no meu apartamento e fez uma cena na frente de Gail.

— Gail?

— A Sra. Jones.

— Como assim, “fez uma cena”?

Ele me encara, avaliando-me.

— Conte. Você está escondendo alguma coisa. — Minha entonação é mais enérgica do que eu pretendia.

Ele pisca para mim, surpreso.

— Ana, eu... — E para.

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