O Zahir
- Автор: Коэльо Пауло
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «O Zahir». Краткое содержание книги:
- Você está por acaso falando do amor de Deus?
- Se uma pessoa é capaz de amar seu parceiro sem restrições, sem
condições, ela está manifestando o amor de Deus. Se manifesta o amor de Deus, ela amará o seu próximo. Se amar o seu próximo, amará a si mesmo. Se amar a si mesma, as coisas voltam para o seu lugar. A História muda.
“A História jamais mudará por causa da política, ou das conquistas, ou das teorias, ou das guerras - tudo isso é apenas repetição, é algo que vemos desde o início dos tempos. A História mudará quando pudermos usar a energia do amor, assim como usamos a energia do vento, dos mares, do átomo.”
- Você acha que nós dois podemos salvar o mundo?
- Acho que tem mais gente pensando da mesma maneira. Você me ajuda?
- Claro, desde que me diga o que devo fazer.
- Mas é justamente isso que eu não sei!
.simpática pizzaria que eu freqüentava desde minha primeira viagem a
Paris era agora parte da minha história: a vez mais recente que estivera
A ali fora para celebrar o recebimento da medalha de Oficial de Artes e de Letras, que me tinha sido dada pelo Ministério da Cultura - embora muita gente achasse que um restaurante mais caro e mais elegante seria o lugar ideal para comemorar um acontecimento tão importante. Mas Roberto, o dono do lugar, era uma espécie de fetiche para mim; sempre que ia a seu restaurante, algo bom acontecia em minha vida.
- Eu podia começar falando de amenidades, como a repercussão de Tempo de rasgar, tempo de costurar, ou de minhas emoções contraditórias durante o seu espetáculo de teatro.
- Não é um espetáculo de teatro, é um encontro - ele corrigiu. - Contamos histórias e dançamos para a energia do amor.
- Eu podia falar qualquer coisa para deixá-lo mais à vontade. Mas nós dois sabemos por que estamos sentados aqui.
- Estamos aqui por causa de sua mulher - disse um Mikhail que exibia o ar desafiante de jovens da sua idade, e em nada parecia o rapaz tímido da tarde de autógrafos, ou o líder espiritual do tal “encontro”.
- Você errou na expressão: ela é minha ex-mulher. E gostaria de lhe pedir um favor: que me leve até ela. Que ela me diga, olhando em meus olhos, a razão de ter ido embora. Só a partir deste momento ficarei livre do meu Zahir. Caso contrário, pensarei dia e noite, noite e dia, revendo nossa história centenas, milhares de vezes. Tentando descobrir o momento em que errei, e que nossos caminhos começaram a se distanciar.
Ele riu.
- Ótima idéia rever a história, é assim que as coisas mudam.
- Perfeito, mas prefiro deixar as discussões filosóficas de lado. Sei que, como todo jovem, você tem nas mãos a fórmula exata de corrigir o mundo. Como todo jovem, chegará um dia que terá minha idade, e verá que não é tão fácil assim mudar as coisas. Inútil, entretanto, ficar conversando sobre isso agora -
pode me fazer o favor que estou pedindo?
- Antes quero perguntar: ela se despediu?
-Não.
- Ela disse que ia embora?
- Ela não disse. Você sabe disso.
- Você acha que, sendo Esther quem é, ela seria capaz de deixar um homem
com quem viveu mais de dez anos, sem antes enfrentá-lo e explicar suas razões?
- Pois é isso justamente o que mais me incomoda. Mas o que você quer
dizer?
A conversa foi interrompida por Roberto, que desejava saber o que
comeríamos. Mikhail gostaria de uma pizza napolitana, e eu sugeri que
escolhesse por mim, não era o momento de deixar-me corroer pela dúvida do que devia pedir para comer. A única coisa realmente urgente era trazer, o mais breve possível, uma garrafa de vinho tinto. Roberto perguntou a marca, eu resmunguei qualquer coisa, ele entendeu que devia ficar afastado, não voltar a me perguntar mais nada durante todo o almoço, e tomar as decisões necessárias, permitindo me concentrar na conversa com o jovem à minha frente.
O vinho chegou em trinta segundos. Enchi nossos copos.
- O que ela está fazendo?
- Você quer mesmo saber?
A pergunta sendo respondida com outra pergunta me deixou nervoso.
- Sim, quero.
- Tapetes. E dando aulas de francês.
Tapetes! Minha mulher (ex-mulher, por favor, acostume-se!), que tinha
todo o dinheiro de que precisava na vida, que era formada em jornalismo, que falava quatro línguas, era agora obrigada a sobreviver fazendo tapetes e dando aulas para estrangeiros? Melhor me controlar: não podia feri-lo em seu orgulho masculino, embora achasse uma vergonha que não pudesse dar a Esther tudo que ela merecia.
- Por favor, entenda o que estou passando há mais de um ano. Não sou
nenhuma ameaça para o relacionamento de vocês, preciso apenas de duas horas com ela. Ou uma hora, tanto faz.
Mikhail parecia saborear minhas palavras.
- Você se esqueceu de responder à minha pergunta - disse, com um sorriso.
- Você acha que Esther, sendo quem ela é, deixaria o homem de sua vida sem ao menos lhe dizer adeus, e sem explicar a razão?
- Acho que não.
- Então, por que esta história de “ela me deixou”? Por que me diz que “não sou ameaça para o relacionamento de vocês”?
Fiquei confuso. E senti algo chamado “esperança” - embora eu não
soubesse o que estava esperando, e de onde vinha.
- Você está me dizendo que...
- Exatamente. Estou lhe dizendo que acho que ela não o deixou, e tampouco me deixou. Apenas desapareceu: por algum tempo, ou pelo resto da vida, mas ambos precisamos respeitar isso.
Foi como se uma luz brilhasse naquela pizzaria que sempre me trazia boas
recordações, boas histórias. Eu queria desesperadamente acreditar no que o rapaz estava dizendo, o Zahir agora pulsava em tudo à minha volta.
- Você sabe onde ela está?
- Sei. Mas devo respeitar seu silêncio, embora ela também me faça muita
falta. Toda esta situação também é confusa para mim: ou Esther está satisfeita por ter encontrado o Amor que Devora, ou aguarda que um de nós vá ao seu
encontro, ou encontrou um novo homem, ou desistiu do mundo. Seja como for, se decidir ir ao seu encontro, eu não posso impedi-lo. Mas penso que, no seu caso, precisa aprender no caminho que deve encontrar não apenas seu corpo, mas também sua alma.
Eu queria rir. Eu queria abraçá-lo. Ou eu queria matá-lo - as emoções
mudavam com uma rapidez impressionante.
- Você e ela...
- Dormimos juntos? Não lhe interessa. Mas encontrei em Esther a parceira
que estava procurando, a pessoa que me ajudou a começar a missão que me foi confiada, o anjo que abriu as portas, os caminhos, as veredas que nos permitirão, se a Senhora quiser, trazer de novo a energia do amor para a Terra. Dividimos a mesma missão.
“E apenas para deixá-lo mais tranqüilo: tenho uma namorada, a moça loura
que estava no palco. Chama-se Lucrecia, é italiana.”
- Você está falando a verdade?
- Em nome da Energia Divina, eu estou falando a verdade. Ele puxou um
pedaço de tecido escuro do bolso.
- Está vendo isso? Na verdade, a cor do tecido é verde: parece marrom
porque se trata de sangue coagulado. Algum soldado, em algum país do mundo, pediu antes de morrer: ela devia retirar sua camisa, cortá-la em vários pedaços, e distribuir a quem pudesse entender a mensagem daquela morte. Você tem um
pedaço?
- Esther jamais me comentou este assunto.
- Quando ela encontra alguém que deve receber a mensagem, entrega
também um pouco do sangue do soldado.
- Qual é essa mensagem?
- Se ela não lhe entregou, não creio que possa dizer nada a respeito, embora não tenha me pedido segredo.