Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– A velhice traz a saudade da pátria. Passei anos sonhando com os campos verdes e as colinas da Inglaterra. Finalmente decidi revê-los antes de morrer. Economizei o suficiente para a passagem e vim para onde se encontram soldados, pois conheço a sua maneira de ser, sei diverti-los, ganhando assim o suficiente para me sustentar.
– Sua narrativa é muito interessante – disse Sherlock Holmes. – Já soube de seu encontro com a sra. Barclay e que os dois se reconheceram. Suponho que a tenha seguido até em casa e assistido pela janela à altercação com o marido, durante a qual ela deve tê-lo acusado de trair o senhor. Dominado pelos sentimentos, atravessou correndo o gramado e irrompeu na sala.
– Foi o que fiz. E quando me viu, ele ficou com uma expressão que eu nunca tinha visto em homem nenhum e caiu, batendo com a cabeça na guarda da lareira. Mas já estava morto quando caiu. Li a morte no seu rosto com a nitidez com que leio aquele texto sobre a lareira. A minha simples presença foi como um tiro no seu coração culpado.
– E depois?
– Nancy desmaiou e eu peguei a chave que ela segurava, com a intenção de abrir a porta e pedir socorro. Mas naquele momento achei melhor deixar a situação como estava e fugir, pois tudo se voltaria contra mim e meu segredo viria à tona se me prendessem. Na pressa, guardei a chave no bolso e deixei cair a bengala enquanto perseguia Teddy, que escapara da caixa e subira pela cortina. Assim que consegui prendê-lo de novo, fugi o mais depressa possível.
– Quem é Teddy? – perguntou Holmes.
Inclinando-se, o homem ergueu a parte dianteira de uma espécie de gaiola que estava num canto. No mesmo instante saltou para fora um belo animal de pêlo marrom avermelhado, esguio e ágil, com pernas de arminho, longo bico fino e os mais lindos olhos vermelhos que já vi num animal.
– É um mangusto! – exclamei.
– Há quem o chame assim e há quem o chame de – disse o homem. – Apanhador de serpentes é como eu o chamo. Teddy é espantosamente rápido com as cobras. Tenho uma aqui sem as presas e Teddy a agarra todas as noites para divertir o pessoal nas cantinas. Quer saber mais alguma coisa, senhor?
– Talvez seja preciso recorrer novamente ao senhor se a sra. Barclay estiver em sérias complicações.
– Neste caso, eu me apresentarei, é claro.
– Mas, do contrário, não há necessidade de reavivar esse escândalo que envolve um morto, por mais desprezível que tenha sido o seu modo de agir. O senhor teve pelo menos a satisfação de saber que durante trinta anos a consciência o censurou amargamente. Ah, lá vai o major Murphy do outro lado da rua. Adeus, Wood. Quero saber se aconteceu alguma coisa de ontem para hoje.
Conseguimos alcançar o major antes que ele chegasse à esquina.
– Olá, Holmes! Deve ter sabido que toda essa confusão deu em nada.
– O que aconteceu?
– O inquérito está encerrado. O laudo médico demonstrou de modo conclusivo que a morte foi causada por apoplexia. Um caso muito simples, afinal.
– Bastante superficial – disse Holmes, sorrindo. – Vamos, Watson. Creio que não precisam mais de nós em Aldershot.
A caminho da estação, observei:
– Há um detalhe que não entendi. Se o nome do marido era James e o do outro era Henry, quem era esse tal David?
– Essa palavra, meu caro Watson, poderia ter me revelado toda a história se eu fosse o raciocinador ideal que você gosta tanto de descrever. Evidentemente, tratava-se de uma censura.
– Censura?
– Sim. David saía do bom caminho de vez em quando, como sabe, e em certa ocasião seguiu o mesmo rumo do sargento James Barclay. Lembra-se daquele caso de Uriah e Betsabá? Meus conhecimentos bíblicos estão um tanto enferrujados, mas você encontrará a história no primeiro ou no segundo capítulo de Samuel.
o paciente interno
Ao rever a série um tarto incoerente de recordações com que tentei ilustrar algumas das peculiaridades intelectuais do meu amigo Sherlock Holmes, fiquei impressionado com a dificuldade que tive para escolher exemplos que correspondessem em todos os sentidos ao meu objetivo. Porque nos casos em que Holmes fez um de raciocínio analítico e demonstrou o valor dos seus métodos peculiares de investigação, os próprios fatos quase sempre revelaram-se tão tênues ou vulgares que eu não teria a justificativa para apresentá-los ao público. Por outro lado, houve casos freqüentes em que Holmes se envolveu em alguma pesquisa em que os fatos tinham características extraordinárias e dramáticas, mas sua participação na determinação das causas foi menos marcante do que eu, como seu biógrafo, desejaria. O episódio que registrei com o título de e outro mais tarde ligado à perda do servem como exemplos de Cila e Caribdes, que vivem ameaçando o historiador. É possível que, no caso que me disponho a relatar agora, o papel desempenhado pelo meu amigo não tenha sido suficientemente relevante, mas todo o encadeamento de circunstâncias é tão extraordinário que não posso omiti-lo nesta série.
Era um dia abafado e chuvoso de agosto. As venezianas estavam descidas até o meio e Holmes se achava enroscado no sofá, lendo e relendo uma carta recebida pela manhã. Quanto a mim, o serviço na Índia me ensinara a suportar melhor o calor do que o frio, e uma temperatura de 32° não representava nenhum sacrifício. Mas o jornal não tinha nada de interessante. O Parlamento estava em recesso. Todo mundo havia saído da cidade e eu ansiava pelos prados de New Forest ou pelas praias de Southsea. A conta bancária em baixa me forçara a adiar as férias. Quanto ao meu amigo, nem o campo nem o mar tinham qualquer atrativo para ele. Adorava estar bem no meio de uma população de 5 milhões de pessoas, com seus filamentos estendendo-se em todas as direções, ligado a qualquer boato ou suspeita de crime não solucionado. Apreciar a natureza era uma coisa que não estava entre os seus muitos talentos e só mudava de cenário quando desviava sua atenção de um criminoso da cidade para seguir a pista de outro do campo.
Percebendo que Holmes estava absorto demais para conversar, deixei de lado o jornal sem interesse e, reclinando-me na poltrona, mergulhei em divagações. De repente, a voz do meu amigo interrompeu o meu devaneio.
– Você tem razão, Watson. Parece um meio bastante absurdo de resolver a questão.
– Muito absurdo! – exclamei, e percebi de repente que ele havia captado meu pensamento mais íntimo.
Retesei-me na cadeira e olhei espantado para ele.
– Que história é essa, Holmes? Isto ultrapassa tudo o que eu poderia imaginar.
Ele deu uma boa risada diante da minha perplexidade.
– Deve lembrar que algum tempo atrás, quando li para você um trecho de Poe, no qual um raciocinador acompanha os pensamentos não expressos de seu companheiro, você achou que devia considerar o caso um simples do autor. Quando comentei que tinha o hábito de fazer a mesma coisa, você se mostrou incrédulo.
– Não!
– Talvez não com palavras, meu caro Watson, mas sem dúvida com as sobrancelhas. Quando o vi atirar o jornal no chão e mergulhar em meditação, fiquei feliz com a oportunidade de captá-la e, finalmente, interrompê-la, provando que estava em sintonia com você.
Mas eu estava longe de me satisfazer com isso.
– No exemplo que você leu para mim – eu disse – a pessoa que fazia deduções tirava conclusões dos atos da pessoa observada. Se me lembro bem, ele tropeçou num monte de pedras, olhou para as estrelas etc. Mas eu estou sentado, quieto, nesta cadeira. Que pistas posso ter fornecido?
– Você está sendo injusto consigo mesmo. A fisionomia é um meio de que o homem dispõe para expressar as emoções, e a sua é um servo fiel.
– Quer dizer que leu meus pensamentos baseado na minha fisionomia?
– Seus olhos, principalmente. Talvez não recorde como teve início o devaneio.
– Não, não recordo.
– Então vou dizer. Depois de jogar o jornal para o lado, gesto que atraiu a minha atenção, ficou sentado meio minuto, sem expressão. Então olhou para o quadro recém-emoldurado do general Gordon e vi pela alteração nos traços que você havia iniciado uma linha de pensamentos. Mas estes não foram muito longe. Seus olhos voltaram-se para o retrato sem moldura de Henry Ward Beecher, que está sobre seus livros. Olhou então para o alto da parede e sua intenção era óbvia. Pensou que se o retrato estivesse emoldurado, cobriria aquele espaço vazio correspondente ao retrato de Gordon, ali adiante.