Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– Vamos agora aos fatos ocorridos em Lachine entre 21 e 22 horas da última segunda-feira.
– A sra. Barclay é membro da Igreja Católica e muito interessada no estabelecimento da Confraria de São Jorge, fundada em conexão com a Capela de Watt Street com o objetivo de distribuir roupas usadas para os pobres. Havia uma reunião da Confraria às 20 horas e a sra. Barclay jantou apressadamente para poder comparecer. O cocheiro ouviu-a fazer uma observação banal ao marido, garantindo-lhe que voltaria logo. Chamou então a srta. Morrison, uma jovem que mora na casa ao lado, e as duas saíram juntas para a reunião. Esta durou quarenta minutos, e eram 21:15h quando a sra. Barclay voltou, depois de deixar em casa a srta. Morrison.
– Em Lachine há um aposento usado como sala de estar, que dá para a estrada. Grandes portas de vidro abrem-se para um gramado, que tem 30 metros de extensão e é separado da estrada apenas por um muro baixo, encimado por uma grade de ferro. Foi para esta sala que a sra. Barclay se dirigiu ao chegar. As venezianas não estavam abaixadas, porque a sala raramente era usada à noite, mas a própria sra. Barclay acendeu um lampião e tocou a campainha, pedindo a Jane Stewart, a criada, que lhe trouxesse uma xícara de chá, o que era contrário aos seus hábitos. O coronel estava na sala de jantar, mas ao perceber que a mulher havia regressado, foi encontrá-la na sala de estar. O cocheiro viu quando ele atravessou o corredor e entrou na sala. Depois disso, ele não foi visto novamente com vida.
– O chá pedido foi levado dez minutos depois, mas a criada, ao aproximar-se da porta, surpreendeu-se ao ouvir as vozes dos patrões numa violenta discussão. Bateu sem receber resposta e chegou a girar a maçaneta. Percebeu então que a porta estava trancada por dentro. É natural que tenha ido correndo contar à cozinheira, e as duas, juntamente com o cocheiro, foram até o vestíbulo para escutar a discussão que prosseguia. Todos afirmam que só ouviram duas vozes, a de Barclay e a de sua mulher. As observações do coronel eram feitas em tom brusco e abafado, inaudível para os criados. As da senhora eram amargas, e quando ela ergueu a voz, ouviram-na com nitidez repetir várias vezes: “Covarde! Covarde!” Esses fragmentos de discussão terminaram num repentino grito medonho emitido pelo homem, seguido do ruído de uma queda, e no grito agudo da mulher. Convencido de que acabava de ocorrer uma tragédia, o cocheiro aproximou-se da porta e tentou arrombá-la, enquanto os gritos se repetiam lá dentro. Não conseguiu quebrar a fechadura e as criadas estavam aturdidas demais para ajudá-lo. De repente, teve uma idéia. Atravessou o vestíbulo e contornou a casa até o gramado, para onde se abriam as portas-janelas. Uma parte delas estava aberta, o que, pelo que soube, era comum agora no verão, e ele entrou na sala com facilidade. A patroa tinha deixado de gritar e estava desmaiada num sofá, enquanto o infeliz militar, os pés surgindo por cima do braço de uma poltrona, a cabeça no chão, junto à guarda da lareira, estava morto, banhado no próprio sangue.
– A primeira idéia do cocheiro, naturalmente, ao verificar que nada podia fazer pelo patrão, foi abrir a porta. Mas surgiu então uma dificuldade inesperada e estranha. A chave não estava do lado de dentro e ele não conseguiu encontrá-la em parte alguma da sala. Tornou a sair pela porta-janela, e voltou depois de chamar um policial e um médico. A senhora, sobre quem recaíam naturalmente as maiores suspeitas, foi levada para o quarto, ainda desmaiada. O corpo do coronel foi colocado no sofá e teve início um exame cuidadoso do local da tragédia.
– O infeliz veterano apresentava um ferimento irregular na parte de trás da cabeça, obviamente causado por um golpe violento de arma contundente. Não foi difícil adivinhar qual seria a arma. No chão, perto do corpo, havia um bastão de madeira entalhada com um cabo de osso. O coronel possuía uma coleção variada de armas trazidas dos diferentes países onde havia lutado, e a polícia levantou a hipótese de que a bengala era um dos seus troféus. Os criados negam tê-la visto antes, mas entre as numerosas curiosidades existentes na casa é possível que aquela tivesse passado despercebida. A polícia não constatou mais nada de importância na sala, exceto o fato inexplicável de a chave não ter sido encontrada com a sra. Barclay, nem com a vítima, e nem em qualquer lugar do recinto. A porta teve de ser aberta por um serralheiro de Aldershot.
– Esta era a situação, Watson, quando na manhã de terça-feira, a pedido do major Murphy, fui para Aldershot, a fim de colaborar com as investigações da polícia. Você perceberá que o problema já era interessante, mas as minhas observações logo me fizeram perceber que ele era, na verdade, muito mais extraordinário do que parecia à primeira vista.
– Antes de examinar a sala interroguei os criados, mas só consegui obter fatos já conhecidos. Um detalhe interessante foi lembrado por Jane Stewart, a criada. Você deve recordar que, ao ouvir a discussão, ela desceu e voltou com outros criados. Na primeira vez, quando estava sozinha, diz que os patrões falavam em voz tão baixa que mal ouviu o que diziam, calculando pelo tom, e não pelas palavras, que os dois estavam discutindo. Quando insisti, porém, lembrou-se de ter ouvido a palavra “David” pronunciada duas vezes pela patroa. O detalhe é da maior importância, porque pode nos indicar o motivo da briga repentina. O nome do coronel, você deve lembrar, era James.
– Havia um detalhe do caso que impressionou profundamente tanto os criados como a polícia: o rosto contorcido do coronel. Segundo afirmam, os traços estavam imobilizados na mais terrível expressão de medo e horror que um rosto humano seria capaz de assumir. Mais de uma pessoa desmaiou ao vê-lo, tão horrível era o efeito. Parecia que ele previra o seu fim e que este lhe causara o mais profundo horror. Claro que este detalhe se encaixava na teoria da polícia, isto é, de que o coronel viu sua esposa agredi-lo com intenção de matá-lo. O fato de o ferimento se achar na parte posterior da cabeça não era objeção importante, já que ele poderia ter-se virado para evitar o golpe. Não foi possível obter nenhuma informação da própria mulher, que perdeu temporariamente o juízo em conseqüência de uma meningite aguda.
– A polícia informou que a srta. Morrison, que havia saído naquela noite com a sra. Barclay, disse que não sabia o que poderia ter causado o mau humor de sua amiga, quando ela voltou para casa.
– Depois de reunir estes fatos, Watson, fumei vários cachimbos tentando separar os fundamentais dos meramente acidentais. Sem dúvida alguma, o ponto mais relevante e sugestivo do caso era o estranho desaparecimento da chave. Apesar de busca minuciosa, não foi encontrada na sala. Portanto, fora levada dali. Mas nem o coronel nem sua mulher poderiam tê-la levado, isso era bem claro. Neste caso, uma terceira pessoa havia entrado na sala. E essa terceira pessoa só podia ter entrado pela porta-janela. Achei que um exame cuidadoso da sala e do gramado revelaria indícios desse indivíduo. Você conhece meus métodos, Watson. Não deixei de aplicar um só a essa investigação. E acabei descobrindo indícios, mas bem diferentes daqueles que esperava encontrar. Um homem havia estado na sala depois de atravessar o gramado, vindo da estrada. Consegui encontrar cinco pegadas nítidas – uma na própria estrada, no ponto em que ele galgara o muro baixo, duas no gramado, e duas muito leves, na madeira encerada perto da janela por onde havia entrado. Aparentemente ele havia atravessado correndo o gramado, porque a marca da parte anterior dos pés era mais profunda que a do calcanhar. Mas não foi o homem que me surpreendeu, e sim seu companheiro.